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Misoginia: Jack Rocha (PT-ES) defende “papel” da Câmara em manter as “mulheres vivas”

A coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados defendeu a urgência de criminalizar misoginia e combater a crescente onda de feminicídios no Brasil

A deputada federal Jack Rocha (PT-ES) voltou a cobrar, na tribuna da Câmara dos Deputados, a votação do projeto que tipifica a misoginia como crime. Em pronunciamento na tarde desta quarta-feira (15), a parlamentar relacionou a urgência da proposta à escalada da violência contra mulheres e meninas no Brasil e afirmou que o Parlamento precisa dar uma resposta diante da epidemia de feminicídios e da cultura de ódio que alimenta esses crimes.

No início de sua fala, Jack, que também é coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, pediu um momento de reflexão diante dos recentes casos de violência sexual que chocaram o País. “Hoje, eu queria que esta Casa fizesse alguns segundos de silêncio, mas não aquele silêncio protocolar, senhor presidente. É o silêncio de quando as palavras parecem pequenas demais diante da dor de um país”, ao falar sobre as mulheres vítimas de feminicídio e a todo tipo de violência que são submetidas.

Ciclo de violência
A violência contra mulheres e meninas não começa com a agressão física ou o feminicídio, alertou a petista, mas com a naturalização da misoginia e da desumanização feminina.

Para Jack Rocha, a violência extrema não é um ato isolado, mas o ponto final de uma cadeia de desumanização que começa no dia a dia, nas piadas, nas classificações e nos discursos de ódio. Ela criticou duramente a normalização da misoginia no ambiente político e nas redes sociais.

“O que acontece com uma sociedade quando uma menina deixa de ser vista como uma pessoa, como um ser humano, e passa a ser classificada em uma lista das ‘mais violáveis’? Isso é a desumanização dos corpos de meninas e mulheres”, reforçou.

A deputada foi incisiva ao conectar essas formas de violência simbólica aos feminicídios e abusos. “Ela começa quando sua humanidade é retirada; quando ela é alvo de uma piada que humilha, de uma lista que classifica, de um discurso que inferioriza, de uma ameaça que silencia”.

Ódio virou ferramenta política
Jack também criticou parlamentares que utilizam ataques e humilhações contra mulheres como instrumento de atuação política.

“Desde quando o ódio virou liberdade? Liberdade para discordar e para criticar sempre existiu. Mas desde quando nós invertemos a lógica a ponto de transformar o ódio em instrumento de fazer política?”

Ao concluir o seu discurso, a deputada fez um apelo para que a Mesa Diretora paute o projeto que criminaliza a misoginia, defendendo que a Câmara assuma seu papel no enfrentamento à violência de gênero.

“Nós sabemos que a história avançou com a luta das mulheres, mas hoje cabe a este Parlamento decidir quais histórias continuarão sendo escritas e quais serão interrompidas.”

A hora de agir
E, com a força que marca sua liderança na Bancada Feminina, a deputada deixou uma mensagem clara para o futuro: “Nós queremos todas as mulheres e meninas vivas.”

O discurso de Jack Rocha ocorre em um momento crucial, já que o projeto de lei (PL 896/2023), aprovado pelo Senado em março – e que agora aguarda votação na Câmara -, enfrenta resistência de setores que alegam risco à liberdade de expressão, enquanto a Bancada Feminina pressiona para que seja votado antes do recesso que começa na segunda-feira (20). A fala da deputada é uma resposta direta a esses setores e um grito de alerta contra a escalada de violência que o país vivencia.

Por Elisa Alexandre (página PT na Câmara)
Foto: Gabriel Paiva (página PT na Câmara)

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