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Lula vê chance de vitória no 1º turno se eleitor comparar biografias e realizações

Em entrevista ao Canal Livre, da Band, presidente ressalta a sua experiência e a de Alckmin, propõe reforma política contra orçamento secreto e cobra respeito à fé dos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo, 27, que acha possível a vitória no primeiro turno das eleições e convidou os brasileiros a comparar as trajetórias e as realizações de quem disputa a Presidência da República. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, Lula demonstrou confiança na escolha que a população fará nas urnas no dia 4 de outubro. “Acho que vamos ganhar as eleições no primeiro turno”, declarou.

Lula ressaltou que a decisão de cada cidadão passa pelo reconhecimento do que os candidatos fizeram pelo país. O presidente reiterou um pedido que tem feito sempre ao eleitor:

“Pense em você primeiro. Construa na sua cabeça o mundo que você quer, o mundo que você deseja, o seu futuro. Depois tente ligar o que você pensa ao futuro do Brasil. Aí, quando a pessoa fizer isso, eles vão ter que comparar Lula e Alckmin com os outros: um vice-presidente que foi 16 anos governador de São Paulo e outro que foi 12 anos presidente do país, com as coisas que nós entregamos. Não tem comparação. Quem são os outros candidatos? Qual é a biografia [deles]? Qual é o passado para ter certeza que vai ter um futuro decente?”.

Segundo Lula, se o eleitor fizer essa reflexão, a escolha será simples. “Tenho a impressão de que não haverá segundo turno. Quando o povo comparar biografias e entregas, a escolha será simples.”

Durante a entrevista, Lula tratou dos desafios que pretende enfrentar para ampliar as conquistas sociais e recuperar a qualidade da representação política. Enfatizou, mais uma vez, a necessidade de uma reforma política e uma reforma do Judiciário. Propôs mudanças no financiamento dos partidos e das campanhas, criticou o orçamento secreto criado no governo Bolsonaro e retomou a discussão sobre mandatos e critérios de escolha para o Supremo Tribunal Federal.

O presidente também cobrou respeito à fé das pessoas, com respeito a todas as religiões e crenças, e detalhou sua visão de um Estado que combine crescimento econômico com distribuição de renda, enfrente o financiamento do crime organizado e esteja presente nas comunidades com segurança, educação e oportunidades.

Reforma política contra o orçamento secreto
Lula afirmou que a superação da polarização exige uma reforma política que fortaleça partidos com programas, compromissos públicos e representação efetiva dos diferentes segmentos da sociedade. Para ele, a disputa democrática perde qualidade quando as legendas deixam de expressar ideias e passam a funcionar como estruturas de financiamento eleitoral.

“É preciso a gente acabar com essa história que está acontecendo na política, que é uma promiscuidade generalizada na política”, afirmou. O presidente disse que o país precisa de partidos com manifesto, bandeiras, programa e comportamento ético.

Lula explicou sua mudança de posição sobre os recursos destinados às legendas e às eleições. “Eu que fui defensor do fundo partidário, eu que fui defensor do fundo eleitoral, hoje eu sou contra. Eu sou contra porque isso apodreceu a política. Mas o orçamento secreto aí é que apodreceu de vez a política”, declarou.

Segundo o presidente, parte das organizações partidárias se estrutura em função do número de parlamentares que consegue eleger e do dinheiro a que passa a ter acesso, o que favorece interesses corporativos e dificulta que a população saiba quais compromissos cada partido representa.

Lula também destacou que uma reforma deve criar condições para a entrada de novas pessoas na vida pública. “Dar chance às pessoas novas que querem entrar na política, criar um partido que tenha um programa para a gente saber o que aquele partido pensa. Você tem que saber o que ele pensa antes”, afirmou.

Questionado sobre a dificuldade de aprovar mudanças que atingem os interesses do próprio Congresso, o presidente reconheceu que o caminho não será simples, mas se colocou à frente dessa construção.

“Estou disposto a estabelecer uma nova conversação e a gente vai acabar com a polarização quando os partidos estiverem reorganizados e representarem de fato os lados da sociedade. Os partidos têm que representar um segmento da sociedade, têm que representar uma parte do povo”.

Para demonstrar que é possível avançar mesmo com divergências, Lula lembrou a aprovação da reforma tributária, desejada havia mais de 40 anos, e a negociação da PEC da Transição. Segundo ele, a recomposição do orçamento foi necessária diante das condições deixadas pelo governo anterior.

“Eu comecei a governar dois meses antes de ser presidente da República pelo descaso que o governo passado tinha deixado”, afirmou. Lula ressaltou que essas conquistas exigiram capacidade de negociação e muitas horas de conversa de ministros e representantes do governo com o Congresso.

Respeito à fé e às instituições
Na discussão sobre religião, Lula ressaltou que o Brasil precisa respeitar a fé das pessoas e assegurar a convivência entre diferentes crenças. O presidente mencionou a devoção a Nossa Senhora Aparecida como expressão da religiosidade popular e destacou que o respeito deve ser recíproco.

“Ela vai continuar sendo a padroeira do Brasil porque o povo quer e tem fé, e exijo que todas as religiões se respeitem”, afirmou.

O cuidado com a convivência democrática também apareceu nas propostas para o Judiciário. Lula disse estar preocupado tanto com os critérios de indicação quanto com o tempo de permanência dos ministros do Supremo. Para ele, mudanças dessa dimensão devem ser construídas com juristas, advogados, universidades e representantes da sociedade civil.

“Eu estou preocupado agora é com o critério de indicação”, declarou. O presidente voltou a propor a discussão de mandatos e argumentou que uma pessoa não deveria permanecer por décadas no mesmo cargo.

Uma das possibilidades apresentadas foi a criação de um conselho para avaliar os nomes antes de seu encaminhamento ao Senado. Lula citou a participação de instituições nacionais, entidades de juristas, organizações sindicais e empresariais, além da Ordem dos Advogados do Brasil e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

A proposta, explicou, busca ampliar a participação da sociedade e evitar que a escolha dependa exclusivamente da vontade do presidente. “O importante é que a pessoa esteja à altura do exercício da função de ministro da Suprema Corte, sem lado político-ideológico”, afirmou.

Responsabilidade fiscal
Na economia, Lula sustentou que o controle das contas públicas deve ser acompanhado de crescimento, valorização dos salários e distribuição de renda. O presidente afirmou que a expansão da atividade econômica é fundamental para reduzir o peso da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

“A melhor forma da gente diminuir o endividamento com relação ao PIB é a economia crescer”, declarou. Para Lula, o resultado desse crescimento precisa chegar à população que trabalha e contribui para produzir a riqueza nacional.

“E quando cresce, nós distribuímos o resultado do crescimento para o povo pobre. Não é só para os empresários, é para o povo pobre que ganha um salário mínimo, inclusive os aposentados”.

Lula ressaltou, entretanto, que a responsabilidade fiscal não pode ser usada para interromper políticas sociais ou retirar direitos. Reafirmou o compromisso de continuar ajudando os mais pobres, valorizando o salário mínimo e garantindo recursos para investimentos em infraestrutura.

Segurança pública e fim das bets
O presidente propôs enfrentar as organizações criminosas com inteligência, integração das forças policiais e combate às suas fontes de financiamento. Segundo ele, a ação do Estado precisa alcançar os setores que sustentam e se beneficiam das atividades ilegais.

O presidente informou que o governo está mapeando presídios de onde partem ordens para ações criminosas e pretende financiar sua modernização, com mecanismos que impeçam a comunicação dos chefes das organizações com o exterior das unidades.

Também vinculou a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que redefine o papel da União na área. Lula apresentou ainda a intenção de estruturar uma força nacional com profissionais preparados, inteligência e capacidade efetiva de intervenção.

Para o presidente, porém, a retomada dos territórios não pode se limitar a operações temporárias que deixam os moradores desprotegidos quando as forças de segurança se retiram.

“Mas mais do que a polícia ocupar, é preciso que o Estado tenha presença com políticas públicas em cada comunidade”, afirmou.

Lula citou escolas de tempo integral, formação profissional, espaços de lazer e acesso à cultura como componentes dessa presença. “Nós temos que levar o Estado para lá com educação, com formação profissional, com cultura e com lazer. É assim que a gente vai acabar com a ocupação dos territórios feita por bandidos”.

Ainda sobre a proteção das famílias de uma maneira mais ampla, o presidente relatou conversas com pessoas atingidas pelo vício das apostas online e ressaltou que os danos causados pelas bets ultrapassam as perdas financeiras, comprometendo a saúde e as relações familiares.

“Eu não vou permitir que as pessoas gastem o dinheiro da comida das crianças jogando, porque a ludopatia é uma doença séria”, afirmou. Lula também rejeitou o argumento de que o futebol depende desse mercado.

Da Rede PT de Comunicação

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