Para Lula, Flávio é herdeiro do fascismo e ameaça renda e saúde do pobre. Presidente diz que é preciso reverter desinteresse de 30 milhões de eleitores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta segunda-feira, 5, em Brasília, uma reunião de avaliação do primeiro turno com lideranças partidárias e aliados. Ao analisar o resultado e projetar os próximos 20 dias de campanha, Lula afirmou que é preciso olhar para o que não foi feito corretamente e transformar a avaliação em ação.
“A gente não tem que ficar procurando defeitos que os outros cometeram. Não. Temos que procurar o que não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer.”
Para o presidente, a prioridade é fazer mais e melhor nesta nova etapa da disputa, que terá como marca o confronto direto entre os candidatos nos debates de televisão.
“Agora é importante ter debate na televisão. Agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, afirmou.
Na avaliação de Lula, a eleição também coloca em confronto dois projetos para o país. Ele classificou Flávio Bolsonaro como herdeiro do fascismo e afirmou que uma eventual vitória do candidato representa uma ameaça às políticas de renda, saúde e inclusão social destinadas à população mais pobre. Lula afirmou que sua trajetória de governo mostra que é possível combinar aumento do salário mínimo, controle da inflação e políticas de inclusão social.
“Nem todo presidente que toma posse nesse país gosta de aumentar o salário mínimo acima da inflação. Quantos anos a gente ouviu dizer que não podia aumentar o salário mínimo porque causava inflação? E nós aumentamos todos os anos”, lembrou.
Lula também destacou que muitas das políticas implementadas para ampliar o acesso à saúde e a outros programas sociais precisam ter continuidade.
“O forte deles não é cuidar da saúde do povo. Todo mundo sabe disso”, afirmou o presidente.
Para Lula, neste segundo turno é fundamental ampliar o diálogo para além dos grupos que já estão mobilizados. O presidente questionou as razões que levaram mais de 30 milhões de eleitores a não votar e afirmou que é fundamental buscar essas pessoas e recuperar seu interesse pela participação eleitoral.
“O que nós temos é que tentar convencer por que 30 milhões de seres humanos não foram votar. Possivelmente é uma causa de desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para eles de participar do processo eleitoral”, afirmou.
“Temos que ter humildade”
Lula também deixou uma mensagem para os candidatos que não conseguiram se eleger no primeiro turno. Ele pediu que não responsabilizem os eleitores pelo resultado e que transformem a experiência em aprendizado. O presidente lembrou que nem sempre a mensagem dos candidatos chega ao eleitor da forma como foi pensada.
“O povo não vota porque o povo não nos compreendeu. Nem sempre quando a gente abre a boca, quando a gente fala, as pessoas compreendem tudo o que a gente fala. Então nós temos que ter humildade”, declarou.
Lula também falou sobre sua própria trajetória eleitoral, marcada por derrotas e disputas de segundo turno, para mostrar que uma eleição pode ser parte de um processo mais longo. Ele lembrou que, em 2006, disputou o segundo turno com Geraldo Alckmin e ampliou sua votação em 12 milhões de votos.
“Não sei fazer política sem viver o momento”
Quando se referiu à dinâmica da campanha no segundo turno, Lula afirmou que pretende intensificar a presença nas ruas, ampliar a participação nos meios de comunicação e conversar mais com a população.
“Eu não sei fazer política sem viver o momento que eu vivi no Piauí. Não conseguiria ser candidato sem viver o momento que eu vivi em Salvador, que eu vivi em Fortaleza, que eu vivi em Belo Horizonte agora no final, que eu vivi no Rio de Janeiro”, afirmou.
Segurança pública exige união
A segurança pública também foi apontada pelo presidente como um dos temas centrais do debate programático do segundo turno. Lula apontou que o crescimento do crime organizado mostram que os estados, isoladamente, não conseguem enfrentar o problema. Lula defendeu a ampliação da participação da União na segurança pública e citou a proposta de emenda à Constituição que, em sua avaliação, deve definir o papel do governo federal e garantir recursos para a área.
“O estado sozinho não dá conta da segurança pública. Porque a bandidagem cresceu, o crime organizado cresceu, ficaram sofisticados, se transformaram numa indústria nacional”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ressaltou que a atuação policial precisa estar associada à presença do Estado nos territórios. “Não haverá polícia capaz de resolver o problema da Segurança Pública se o Estado não estiver de corpo presente na comunidade levando política social. Nós temos que cuidar da escola, da saúde”, disse.
O presidente defendeu ainda uma estrutura própria para atuação nacional em segurança, com investimentos em formação profissional, inteligência e recursos. Para ele, a votação da proposta não deve ser adiada.
Da Rede PT de Comunicação










