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Haddad diz que será o “governador da segurança” e aponta colapso no setor sob Tarcísio

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, colocou a segurança pública como o pilar central de seu programa de governo em sabatina realizada na BandNews TV. Ao traçar um diagnóstico da situação do estado, o ex-ministro criticou duramente os indicadores e as escolhas políticas da gestão de Tarcísio de Freitas, afirmando que o tema precisa ser tratado com seriedade e sem discursos eleitoreiros.

Haddad classificou como “desastrosa” a condução do secretário de Segurança Pública de Tarcísio, Guilherme Derrite, acusando a atual administração de romper com critérios técnicos e de meritocracia dentro das corporações em troca de indicações políticas. De acordo com o pré-candidato, essa falta de comando abriu espaço para o avanço das facções, lavagem de dinheiro e a perda de controle sobre territórios urbanos.

“Eu quero ser o governador da segurança pública”, declarou Haddad. “Chegou um momento de alguém assumir como tarefa pessoal o enfrentamento ao crime organizado.”

Asfixia financeira: O modelo da Operação Carbono Oculto
Uma das principais teses defendidas por Haddad nos últimos meses, e reiterada na sabatina, é de que o combate ostensivo nas ruas é insuficiente se não houver um ataque direto às estruturas econômicas do crime. “Quem abastece a violência é o dinheiro que vem do andar de cima”, pontuou, criticando a exclusão de crimes financeiros na discussão de leis estaduais antifacção.

Como exemplo prático de eficiência, o ex-ministro da Fazenda citou a Operação Carbono Oculto — megaoperação realizada pela Receita Federal, Ministério da Fazenda e Gaeco contra os esquemas de lavagem de dinheiro do PCC, considerada uma das maiores da história do país. Haddad destacou que as investigações começaram a ser desenhadas sob seu comando na Receita Federal e que esse nível de integração é o caminho para o estado.

“A Carbono Oculto é o nosso modelo. É de lá que nós vamos tirar a institucionalidade para tornar a cooperação regra e não exceção e asfixiar financeiramente o crime organizado”, explicou.

A proposta do pré-candidato prevê a criação de um gabinete permanente integrado, coordenado diretamente pelo governador, reunindo as polícias Civil e Militar, Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e os Ministérios Públicos estadual e federal.

Outros temas de destaque na sabatina
• Feminicídio: Haddad cobrou o uso efetivo de tecnologia para monitorar agressores e proteger mulheres com medidas protetivas. Para ele, crimes no ambiente privado exigem estratégias radicalmente diferentes do combate ao crime de rua ou financeiro.
• Privatização da Sabesp: O ex-ministro atacou a venda da companhia de saneamento, classificando o processo como um “péssimo negócio” feito com cláusulas que inibiram a concorrência. Ele alertou para a queda na qualidade dos serviços e o aumento de tarifas, afirmando que a empresa “está virando uma Enel da água”.
• Educação Superior: Defendeu a blindagem da autonomia financeira da USP, Unesp e Unicamp por meio da Constituição Estadual, nos moldes da Fapesp, e destacou que o principal desafio atual é a ampliação de bolsas de assistência estudantil (moradia e transporte) para evitar a evasão de alunos de baixa renda.
• Cenário Político: Haddad afirmou que Tarcísio de Freitas “está de passagem” por São Paulo e que o atual governador é quem precisa provar seu compromisso com o estado, visto que pretendia disputar a Presidência. Na seara federal, comentou as investigações do caso Banco Master, elogiando a postura do presidente Lula de exigir apuração total “doa a quem doer”, sem interferências na Polícia Federal.

Foto Agência Senado

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