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Haddad direto ao ponto sobre Flávio Bolsonaro: “até quando ele vai ser protegido?”

Em tom contundente, Haddad criticou o segredo de Justiça mantido em investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro — ao contrário de outros casos — e defendeu a exposição irrestrita de todas as apurações do caso Banco Master antes do pleito eleitoral; ele também alertou para a gravidade das denúncias contra um postulante à Presidência da República.

Nesta última quarta, 2 de agosto, durante o lançamento do seu plano de governo voltado para a melhoria de vida dos idosos, o candidato Fernando Haddad foi abordado por jornalistas e questionado sobre as mais recentes revelações envolvendo o ex-banqueiro que está preso, Daniel Vorcaro. Haddad direcionou duras críticas ao tratamento dado às investigações que envolvem o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

Em suas declarações, ele questionou a manutenção do segredo de justiça nos processos relacionados a Flávio Bolsonaro, argumentando que a população brasileira tem o direito de ter acesso integral às informações antes do pleito eleitoral.

“Por que que o processo do Flávio Bolsonaro segue em sigilo? Por que que o processo não pode ser conhecido do eleitor brasileiro? Todo mundo tá sendo exposto. Se é pra expor, expõe tudo, sem seletividade”.

“Alguém até o pescoço envolvido em escândalos”
Haddad fez questão de enfatizar a gravidade da situação diante do cenário eleitoral e das responsabilidades do cargo pleiteado por Flávio Bolsonaro:

“Um dos envolvidos do Banco Master é candidato a presidente. Ele não é candidato a menos do que isso. Já seria grave se ele fosse candidato a vereador. Ele é candidato a presidente da República, tá até o pescoço envolvido em todos os escândalos recentes e tem o seu sigilo mantido”.

Histórico de acusações, milícia e ligações com Daniel Vorcaro
O ex-ministro relembrou o histórico de denúncias associadas ao senador, mencionando a compra de imóveis em dinheiro vivo, o caso da mansão, as investigações de “rachadinhas” e o emprego concedido a familiares de milicianos.

Entre os episódios citados, destaca-se a condecoração com a Medalha Tiradentes entregue por Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como chefe do “Escritório do Crime” — organização paramilitar conhecida como uma “cooperativa de matadores de aluguel” no Rio de Janeiro. Além da homenagem, Flávio empregou a mãe (Raimunda Veras Magalhães) e a esposa (Danielle Mendonça) de Adriano em seu gabinete quando atuava como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Haddad ainda destacou os desdobramentos das denúncias recentes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ele relembrou repasses destinados ao financiamento do filme Dark Horse e o fato de o senador ter admitido encontros presenciais com Vorcaro quando este já cumpria medida cautelar com tornozeleira eletrônica.

Haddad apontou inconsistências nas declarações de Flávio Bolsonaro sobre a data dos depósitos para a produtora do filme:

“Confessou que recebeu mais de 60 milhões do Vorcaro, mentiu sobre a data do último depósito para a produtora. A data seguiu em frente até o final de 2025”.

“Até quando ele vai ser protegido?”
Sobre os repasses milionários e as fraudes financeiras levantadas nas investigações, Haddad rebateu a justificativa de que os valores seriam de origem puramente privada, ressaltando o impacto do escândalo nos fundos de pensão pelo país.

“Fui duro quando eu falei, fui o primeiro a dizer que era o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. R$ 60 bilhões de reais desviados do fundo garantidor. O Flávio mente quando diz que é dinheiro privado. Não é dinheiro privado. Ele captou dinheiro de fundo de pensão no Brasil inteiro com apoio de políticos do PL”.

Por fim, ao se defender e ressaltar sua conduta por nunca ter aceitado ofertas ou se aproximado do banqueiro — postura confirmada inclusive por depoimentos de terceiros mostrados na gravação —, Haddad cobrou transparência e igualdade perante a lei para todos os postulantes ao cargo máximo do Executivo.

“Até quando ele vai ser protegido? No caso da mansão, no caso das rachadinhas, no caso do emprego a miliciano, agora no caso do Banco Master, por que esse homem é protegido? Ele é melhor que os outros brasileiros? Ninguém pode escapar das investigações, sobretudo faltando 30 dias”.

Por Luiz Henrique Gurgel (Galera Vermelha)

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