A entrevista de Haddad ao jornalista Chico Pinheiro no canal ICL (Instituto Conhecimento Liberta) no último dia 29/06 continua ecoando. O pré-candidato ao governo de São Paulo, fez duras críticas à atual gestão de Tarcísio de Freitas. Durante a sabatina, o petista analisou os principais indicadores econômicos e sociais do estado, contestou a fama de “grande gestor” atribuída ao atual governador e afirmou que, após se debruçar sobre a radiografia paulista, concluiu que São Paulo “está perdendo tração” e deixando de ser a vitrine de políticas públicas que historicamente representava no país.
Haddad chamou a atenção para o ritmo de crescimento do estado, destacando que, no ano passado, São Paulo cresceu apenas 0,5% contra 2,3% da média do Brasil, sendo superado pelo ritmo de desenvolvimento da região Nordeste. Para ele, o enfraquecimento paulista prejudica o avanço de todo o país, já que o estado responde por cerca de 30% do PIB nacional.
O “Escândalo” da Sabesp e Falhas na Infraestrutura
O ponto central e de maior destaque na fala de Haddad foi a condução das desestatizações promovidas pelo Palácio dos Bandeirantes. Ao avaliar as privatizações e concessões do atual governo, o ex-ministro da Fazenda não poupou críticas ao modelo adotado para a companhia de saneamento básico do estado:
“O Tarcísio tem uma fama por falta de escrutínio. Não foi feito um escrutínio sobre o governo dele. Se a gente for ver como foi privatizada a Sabesp, já seria um escân¬dalo”, disparou Haddad.
O petista também ironizou o histórico de Tarcísio no setor de infraestrutura, comparando sua antiga atuação no Ministério dos Transportes com os resultados do atual governo federal: “O Renan Filho [atual ministro de Lula] fez três vezes mais que ele”. Haddad citou ainda que várias concessões ferroviárias da gestão anterior precisaram ser refeitas a pedido do Tribunal de Contas da União (TCU) devido a graves falhas de modelagem técnica.
Defesa da Educação Pública: e êxito do Pé-de-Meia vs. Modelo Cívico-Militar
Com forte histórico na área educacional, Haddad usou grande parte do espaço para defender o investimento no ensino público e criticar as diretrizes da atual gestão estadual. Ele rechaçou veementemente o modelo de escolas cívico-militares defendido por Tarcísio. “Bota o militar dentro da escola… Onde é que deu certo isso? Pega um exemplo no mundo que deu certo”, contestou. O ex-ministro da Educação afirmou que a iniciativa carece inteiramente de respaldo pedagógico, filosófico ou de grandes educadores, tendo nascido exclusivamente como uma bandeira ideológica ligada ao bolsonarismo para agradar a setores radicalizados.
Em contrapartida às políticas locais, Haddad celebrou os impactos sociais de programas federais na área, trazendo dados recentes e expressivos sobre o Pé-de-Meia — programa de incentivo financeiro-educacional voltado para estudantes de baixa renda do ensino médio público. O ex-ministro ressaltou o sucesso da iniciativa no combate direto à evasão escolar, destacando que as recentes informações apontam um êxito estrondoso ao atingir índices de até 40% na retenção e permanência dos jovens nas salas de aula. Para ele, o resultado consolida o programa como uma das ferramentas mais eficazes da história recente do país para quebrar o ciclo da pobreza por meio do ensino.
Justiça Fiscal, Equilíbrio do Estado e Segurança
No campo macroeconômico, Haddad defendeu as reformas estruturais que liderou no plano federal para tributar fundos exclusivos, offshores e privilégios de renda, ressaltando que esses recursos são fundamentais para financiar pisos de saúde e educação, além de garantir a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil. Ele criticou a visão liberal de “estado mínimo”, argumentando que os mesmos setores que atacam os investimentos sociais defendem subsídios bilionários e renúncias fiscais para grandes empresários.
Ao final, ao tratar rapidamente dos desafios da segurança pública, o candidato pontuou que o estado vive uma crisis com recordes de letalidade policial e avanço do crime no cotidiano. Ele propôs substituir ações isoladas por um plano integrado em “três camadas” — atacando o “andar de cima” do crime organizado (lavagem de dinheiro e colarinho branco em cooperação com órgãos federais como COAF e Receita), devolvendo a inteligência tática ao espaço público e criando redes de proteção doméstica para conter o avanço de crimes internos, como o feminicídio.
A entrevista completa, com detalhes sobre as articulações políticas e o cenário econômico nacional, pode ser assistida diretamente no canal oficial do Instituto Conhecimento Liberta no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=3WTynJZ3K0A










