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Empoderamento feminino e a luta das mulheres por espaço na política

Formação e enfrentamento à violência

Em Campinas, o projeto Empodere-se Autodefesa Feminina, coordenado pela advogada Amanda Lemes, atua na formação de mulheres, no enfrentamento à violência e na defesa da participação feminina nos espaços de poder e decisão. A iniciativa surgiu a partir da experiência dela como investigadora da Polícia Civil no atendimento a mulheres vítimas de violência e existe há dez anos. “Eu fui investigadora da Polícia Civil durante cinco anos no atendimento a mulheres vítimas de violência, e foi daí que surgiu. A Empodere-se tem dez anos de existência”, explica. Segundo ela, o projeto já alcançou aproximadamente 14 mil mulheres por meio de workshops, ações em empresas e projetos de formação e prevê, em Campinas, uma nova iniciativa para formar multiplicadoras, em parceria com a Secretaria da Mulher e viabilizada por emenda parlamentar.

Autodefesa como autonomia

A proposta trabalha a autodefesa como uma ferramenta que vai além da reação física a uma agressão. “A gente trabalha a autodefesa a partir de uma perspectiva integral, como uma visão de mundo e como empoderamento para mulheres”, afirma. A metodologia reúne sete dimensões: física, psicológica, jurídica, econômica, coletivo-comunitária, política e histórica. O trabalho envolve reconhecimento de situações de violência, estabelecimento de limites, busca por ajuda, autonomia financeira e preparação para ocupar espaços de decisão. A autodefesa econômica, segundo Amanda, também está relacionada à possibilidade de romper relações abusivas. “A gente trabalha a autodefesa econômica, a importância da autonomia financeira e econômica para mulheres saírem da condição de violência”, explica.
Pensar, usar a voz, sair, lutar e contar

O projeto também trabalha cinco princípios: pensar, usar a voz, sair, lutar e contar. A proposta é reconhecer situações de violência, estabelecer limites, buscar uma saída quando necessário, recorrer à luta física ou política e compartilhar experiências. “Compartilhar as nossas histórias transforma este problema, que muitas vezes é tido como individual, em algo que passa a ter um lugar no contexto social”, afirma Amanda. Para ela, o enfrentamento da violência também depende da organização coletiva. “De algumas violências a gente até se defende sozinha, mas da estrutura da misoginia, do machismo, a gente precisa estabelecer comunidades de mulheres que se defendem.” Nesse contexto, a coordenadora relaciona a violência à disputa por poder: “A violência contra a mulher não é sobre força. A violência contra a mulher é sobre poder”.

Mulheres nos espaços de decisão

A dimensão política faz parte da metodologia e está relacionada tanto à ocupação quanto à permanência das mulheres nos espaços de decisão. “A autodefesa política é a ocupação dos espaços de poder e decisão, mas, sobretudo, a permanência nos espaços de decisão requer de nós estratégias de autodefesa feminina”, explica. Amanda afirma que o projeto vem se articulando para incluir a autodefesa feminina nas políticas públicas de enfrentamento à violência e ao feminicídio. “Então a gente vem criando um levante e se articulando também politicamente para transformar isso num grande programa de enfrentamento ao feminicídio no Brasil”, declara.

Formação de multiplicadoras

Entre as ações está a formação de multiplicadoras em autodefesa feminina em Campinas, realizada em parceria com o Governo Federal e o Ministério das Mulheres. A proposta é capacitar mulheres para disseminar conhecimentos e estratégias em suas comunidades. Amanda relata diálogos com a Petrobras para ampliar a iniciativa e construir um programa nacional de formação de multiplicadoras em autodefesa e segurança para mulheres nas capitais brasileiras. “Então a gente está bem articulada para transformar isso numa grande política pública”, afirma. Para ela, a formação amplia a capacidade das mulheres de reconhecer situações de violência, buscar apoio e atuar coletivamente.

Participação política e eleições de 2026

Ao tratar da participação feminina no processo eleitoral, Amanda Lemes defende que o debate sobre direitos, violência de gênero e presença das mulheres na política seja ampliado. “Acho que a gente precisa centrar mais fogo nessa pauta nessa reta final, porque a disputa está no voto feminino”, afirma. Ao relacionar o tema às eleições de 2026, ela fala sobre a necessidade de organização diante de ameaças à autonomia e à participação política das mulheres. “A vida das mulheres está em risco. O fascismo não quer só aniquilar as nossas ideias, não quer só nos silenciar. Ele pretende aniquilar os nossos corpos”, declara. A proposta do projeto é transformar experiências individuais em mobilização coletiva e, segundo Amanda, avançar na criação de um Programa Nacional de Autodefesa Feminina. “Eu acredito profundamente que, se a gente conseguir implementar esse Programa Nacional de Autodefesa Feminina, a gente terá uma transformação de consciência em todo o país”, afirma. E conclui: “Quando a gente traz a perspectiva da autodefesa, a gente está ensinando mulheres a dizerem não e também a sustentarem o próprio não diante do descontentamento dos agressores”.

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