No segundo turno, presidente cresceu de forma significativa entre eleitorado nordestino, com queda de abstenções e votos de outros candidatos; PT elegeu os quatro governadores
O Nordeste voltou a mostrar sua força ao participar ativamente da virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2026. Mesmo após o avanço da direita no primeiro turno e a ofensiva bolsonarista na reta final da campanha, o presidente conquistou 24,45 milhões de votos nos nove estados da região. A votação expressiva veio acompanhada de outra conquista para o PT, que manteve quatro governos estaduais nordestinos.
O resultado foi construído ao longo da campanha e se consolidou no segundo turno. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula passou de 63,77% dos votos válidos nordestinos no primeiro turno para 69,37% no segundo, um crescimento de aproximadamente 5,6 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, passou de 30,85% para 30,63%.
A diferença entre os candidatos na região chegou a 13,65 milhões de votos. O desempenho foi decisivo para o resultado nacional, em uma eleição na qual Flávio foi vitorioso no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Lula conquistou a maioria dos votos no Nordeste e venceu por uma margem mínima no Norte. Ao final da apuração, o presidente recebeu 64,26 milhões de votos em todo o país, contra 59,83 milhões do adversário.
Como Lula ampliou a sua votação no segundo turno
A recuperação de Lula no Nordeste também foi impulsionada pelo aumento do comparecimento às urnas e pela disputa dos votos destinados a candidatos eliminados no primeiro turno. Na região, cerca de 1,5 milhão de eleitores a mais compareceram no segundo turno, enquanto 1,8 milhão de votos haviam sido destinados a outras candidaturas. Ao todo, eram cerca de 3,3 milhões de votos em aberto.
Segundo levantamento publicado pelo portal UOL, Lula conquistou aproximadamente 88% desses votos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 12%.
O crescimento também aparece nos resultados de estados estratégicos para a campanha. Na Bahia, estado com o quarto maior eleitorado do Brasil, Lula recebeu cerca de 820 mil votos a mais em relação ao primeiro turno. Em Pernambuco, o acréscimo foi superior a 560 mil votos, enquanto, no Ceará, chegou a aproximadamente 480 mil.
Lula venceu nos nove estados
O presidente conseguiu aumentar seu percentual de votos válidos em todos os estados do Nordeste. No Piauí, Lula obteve 75,88%, o maior índice da região, seguido pela Bahia (71,32%) Sergipe (69,53%), Maranhão (69,52%), Pernambuco (69,2%), Ceará (68,93%), Paraíba (67,46%), Rio Grande do Norte (65,72%) e Alagoas (60,77%).
Esse cenário mostra que a crescente da extrema direita não se traduziu em redução da vantagem presidencial de Lula. Flávio Bolsonaro manteve uma votação expressiva, mas sua participação nos votos válidos nordestinos recuou ligeiramente, enquanto a do petista aumentou.
A região com 4 governadores petistas
O desempenho presidencial veio acompanhado da manutenção dos quatro governos estaduais nordestinos conquistados pelo PT. No primeiro turno foram reeleitos os governadores Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, na Bahia, e Rafael Fonteles, no Piauí. No Rio Grande do Norte, Cadu de Lula conquistou o governo estadual no segundo turno de virada.
Saiba mais sobre cada um dos quatro governadores eleitos:
- Elmano de Freitas: Filiado ao PT desde 1989, Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará no primeiro turno, com 53,19% dos votos válidos. Natural de Baturité, é formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e iniciou sua trajetória política ligada às Comunidades Eclesiais de Base e à defesa dos movimentos sociais, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Antes de chegar ao governo estadual, foi secretário municipal da Educação de Fortaleza e deputado estadual por dois mandatos. Em 2026, conquistou um novo mandato à frente do Executivo cearense.
- Jerônimo Rodrigues: Na Bahia, Jerônimo Rodrigues garantiu a reeleição com 55,80% dos votos válidos no primeiro turno. Engenheiro agrônomo e professor universitário, o petista já foi secretário estadual de Desenvolvimento Rural e da Educação, além de ter ocupado o cargo de secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento Agrário durante o governo da presidenta Dilma Rousseff. Eleito governador em 2022, em sua primeira disputa eleitoral, ele segue agora para seu segundo mandato.
- Rafael Fonteles: No Piauí, Rafael Fonteles foi reeleito com 70,90% dos votos válidos, consolidando uma expressiva votação no primeiro turno. Natural de Teresina, o professor é formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e mestre em Economia Matemática pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). Antes de assumir o governo estadual, em 2023, foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
- Cadu de Lula: No Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, conhecido como Cadu de Lula, conquistou o governo estadual no segundo turno, com 50,77% dos votos válidos. A vitória foi alcançada após terminar a primeira rodada atrás do adversário, Allyson Bezerra (União Brasil). Auditor fiscal de carreira e engenheiro de computação, Cadu foi secretário estadual da Tributação e da Fazenda durante o governo de Fátima Bezerra (PT-RN). Sua candidatura foi apresentada como continuidade do projeto político iniciado pela governadora em 2019. Aos 48 anos, disputou sua primeira eleição e assumirá o Executivo potiguar após a vitória que garantiu ao PT a manutenção dos quatro governos estaduais nordestinos que já administrava.
Da Rede PT de Comunicação










