Presidente quer garantir proteção contra novos desmontes e, em um quarto mandato, levar música, teatro, cinema e bibliotecas para perto de onde o povo vive
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, na noite desta quarta-feira, 23, transformar as políticas culturais em compromissos perenes de Estado, protegidos das mudanças de governo, e fazer uma revolução no acesso à cultura em um quarto mandato. Durante encontro com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula vinculou a continuidade dos investimentos à necessidade de levar teatro, cinema, bibliotecas e oportunidades de criação para perto de quem vive nas periferias.
“Para ter uma política perene, é preciso colocar na Constituição aquilo que queremos de cultura. É a forma mais segura contra mudanças de governo”, afirmou.
A preocupação com a continuidade responde ao desmonte das políticas culturais na gestão Bolsonaro e à necessidade de assegurar financiamento descentralizado para o setor. No encontro, a ministra Margareth Menezes e o secretário executivo Márcio Tavares recordaram o cenário encontrado na retomada do governo: Ministério da Cultura extinto, perseguição a artistas, criminalização da Lei Rouanet e cancelamento de editais.
O encontro reuniu no Rio nomes de diferentes gerações da música, do teatro, da televisão e do Carnaval, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Lenine, Daniela Mercury, Zélia Duncan, Russo Passapusso, Fernanda Abreu, Zeca Pagodinho, Tony Bellotto, Chico César, Geraldo Azevedo, Pedro Luís, Xamã e Mestre Ciça. Também estiveram presentes Marieta Severo, Catarina Abdalla, Cissa Guimarães, Betty Gofman, Malu Mader, Julia Lemmertz, Caio Blat, Juliana Alves, Antonio Pitanga e Felipe Velozo, além da cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Cultura onde o povo está
Para Lula, o acesso à produção artística não pode ser tratado como artigo de luxo ou privilégio de quem mora perto dos equipamentos culturais. Sua proposta é aproximar os investimentos da população e reconhecer a riqueza produzida nas comunidades, permitindo que os talentos desses territórios se desenvolvam e alcancem outros públicos.
“O mesmo vale para a cultura: ela precisa estar onde o povo está. Não dá para esperar que quem mora longe venha ao centro do Rio para ir ao teatro ou cinema”, declarou.
Segundo Lula, a presença deve valorizar a produção dos próprios moradores e abrir caminhos para que ela circule além da comunidade. O presidente associou o investimento cultural ao direito de existir, ser reconhecido e participar da vida do país.
“A cultura é o primeiro embate que a gente faz para devolver às pessoas o prazer de morar na comunidade, de morar numa vila e construir naquela vila uma cultura, não para ficar naquela vila, mas para ser levada para o mundo”.
Lula relacionou essa missão ao compromisso de inclusão social que marcou sua primeira eleição e orientou o Fome Zero. Recordou que, naquele momento, estabeleceu como objetivo garantir que cada brasileiro pudesse fazer três refeições por dia. A mesma compreensão, sustentou, deve orientar o investimento em educação e cultura.
Para um novo governo, o presidente apontou a ampliação do acesso e a descentralização das oportunidades como tarefas centrais. A proposta é romper a concentração nos grandes centros e fazer com que as diferentes expressões culturais do país tenham espaço, visibilidade e condições de se desenvolver.
“No quarto mandato, nós temos que fazer uma revolução cultural e espalhar a cultura pelo país”, afirmou.
Artistas contra o obscurantismo
O presidente convocou os artistas a usar sua capacidade de alcançar públicos e multiplicar mensagens na defesa da democracia. Para ele, a eleição coloca em disputa o modelo de país que os brasileiros querem construir, incluindo a escolha entre ampliar direitos ou retornar ao obscurantismo.
“E não tem ninguém com mais competência de gritar em defesa disto do que os artistas brasileiros no palco, no teatro, no cinema, na rua, no circo. Ou seja, vocês são vozes que se multiplicam com muita facilidade”.
Lula apresentou sua candidatura como uma forma de impedir a repetição de períodos de autoritarismo e ataques à cultura. “A minha quarta candidatura é para não permitir que este país volte ao passado tenebroso do regime militar ou aos quatro anos mentirosos da família Bolsonaro”.
O presidente também elogiou Fábio Porchat pelo trabalho sobre o caso de Daniel Vorcaro, em mais uma referência ao papel dos artistas no debate público. “Ontem eu passei a respeitar mais o Porchat por causa do documentário sério que ele fez sobre o caso do Vorcaro”.
Da Rede PT de Comunicação










