Nesta quarta (8), presidente participou da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente com mobilização de mais de 2,2 milhões de pessoas e 800 participantes na etapa nacional
O presidente Lula participou, nesta quarta-feira (8), em Luziânia (GO), da etapa nacional da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), ao lado da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo. O encontro, que integra a agenda preparatória para a COP30, busca fortalecer a educação ambiental, promover escolas sustentáveis e incorporar temas como mudança do clima e proteção da biodiversidade nos currículos escolares.
Em discurso voltado aos delegados infantojuvenis, Lula destacou o papel formativo do processo e a necessidade de escutar os estudantes. “Eu duvido que tenha no mundo um presidente que tenha tido o prazer que eu tenho hoje ouvindo a meninada do meu país.”
Para o presidente, a conferência é “um aprendizado”, e o governo levará a Carta Compromisso dos estudantes a instâncias internacionais. “Eu vou chegar na ONU com essa carta de vocês… eu quero que eles saibam o grau de maturidade climática que tem o nosso jovem.”
Vivência do território brasileiro
Lula também defendeu que as escolas ampliem experiências de campo para aproximar os estudantes da realidade socioambiental do país. “Por que a gente não leva as nossas crianças para conhecer a Amazônia, os nossos rios, a riqueza do Pantanal? Isso é desenvolvimento de conhecimento.” Para o presidente, o contato com biomas e comunidades brasileiras ajuda a formar consciência de nação e de soberania sobre o território.
Ao agradecer a professores, estudantes e famílias, Lula chamou a conferência de “pequena revolução” pela educação climática e destacou que o protagonismo juvenil precisa orientar políticas públicas.
Durante a cerimônia, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as crianças e adolescentes são protagonistas na construção de um país mais justo e sustentável. Santana destacou que a conferência representa um “processo transformador” e reforçou a importância de ouvir a sociedade, especialmente os jovens, na formulação de políticas públicas. “Uma política governamental precisa ser construída a partir da escuta. É ouvindo o que as pessoas sentem no dia a dia que se constroem soluções verdadeiras”, disse.
O ministro ressaltou ainda o caráter inclusivo do evento, que envolveu estudantes indígenas, quilombolas e ribeirinhos, e lembrou que o Ministério da Educação reativou a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), extinta na gestão de Bolsonaro. Segundo ele, o órgão é essencial para promover equidade e combater desigualdades educacionais.
Camilo também anunciou a atualização dos fatores de ponderação do Fundeb, com aumento dos repasses a escolas indígenas, quilombolas, do campo e de educação especial. “Pela primeira vez, estamos garantindo que o financiamento da educação leve em conta as diferenças e promova a inclusão”, afirmou.
O ministro elogiou a “Carta das Crianças pelo Clima e pela Educação”, elaborada pelos delegados da conferência, e defendeu que o tema ambiental esteja presente de forma permanente nas escolas. “As crianças transformam a consciência dos pais e da comunidade. Elas são parte essencial da mudança de mentalidade sobre o cuidado com o planeta”, disse.
Retomada das conferências
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, destacou o papel transformador da juventude e das escolas na formação de uma consciência ambiental cidadã. Macêdo ressaltou que o evento simboliza a retomada das conferências nacionais, interrompidas por seis anos, e reforça a missão do governo Lula com o diálogo social. “Essa conferência é a vigésima realizada desde que o presidente assumiu o governo. Já temos mais oito programadas e dialogamos com outros cinco ministérios para realizar mais cinco, totalizando mais de 30 conferências neste mandato”, afirmou.
O ministro compartilhou com os estudantes sua trajetória pessoal e o momento em que despertou para as causas ambientais, ainda na juventude, ao escolher cursar Biologia na Universidade Federal de Sergipe.
Ele lembrou que a participação como líder estudantil na Eco-92, no Rio de Janeiro, foi decisiva para sua formação política e ambiental. “Foi ali que percebi a importância de unir justiça social e equilíbrio ambiental. A escola tem papel essencial para formar cidadãos conscientes e comprometidos com o planeta”, disse.
Brasil mais justo
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também ressaltou o protagonismo das crianças e adolescentes na construção de um Brasil mais justo, democrático e sustentável.
Marina Silva celebrou a retomada da política de educação ambiental iniciada em 2003, durante o primeiro governo do presidente Lula, e relembrou o compromisso do país com o desmatamento zero até 2030. “Foi o presidente Lula quem criou, em 2003, a Conferência Nacional Infantojuvenil. Hoje, ele volta a esse espaço, mostrando que quer ouvir as crianças e jovens, porque o conhecimento de alguns, por maior que seja, não substitui o conhecimento de todos”, afirmou Marina, sob aplausos dos 430 delegados de escolas de todo o país.
Democracia
A ministra ressaltou que a educação ambiental é parte essencial do que chamou de “ecossistema da democracia”, um conjunto de políticas públicas que garante qualidade de vida e participação social. “Um ecossistema saudável é também aquele em que há luz para todos, Minha Casa, Minha Vida, Fies e Pé-de-Meia. É com democracia que se cuida do meio ambiente e das pessoas”, disse.
Marina lembrou que a política ambiental do governo Lula é transversal, integrando ações entre ministérios e envolvendo as redes escolares. “Quando a minha filha sugeriu a primeira conferência, eu sabia que ela só daria certo em parceria com o MEC. A transversalidade é o que permite que o tema ambiental chegue a milhões de estudantes”, afirmou, destacando que a CNIJMA já envolveu mais de 20 milhões de jovens e adolescentes desde sua criação.
Mobilização nacional e etapa em Luziânia
A CNIJMA mobilizou mais de 2,2 milhões de pessoas em 8.732 escolas de 2.307 municípios ao longo das etapas escolares, municipais e estaduais. A fase nacional, que acontece entre 6 e 10 de outubro no Centro de Treinamento Educacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), reúne cerca de 800 participantes, entre delegados de 11 a 14 anos, educadores, jovens acompanhantes e representantes das Comissões Organizadoras Estaduais.
Com o tema “Vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”, a conferência enfatiza o enfrentamento das desigualdades sociais e territoriais diante da crise climática. As atividades incluem feira de projetos, oficinas sobre justiça climática, territórios saudáveis e autoproteção das escolas, gincana e plenárias temáticas, culminando na leitura coletiva do documento-síntese e na entrega da Carta Compromisso às autoridades.
Diversidade de escolas e territórios
Em 2025, participaram 8.732 escolas, 1.293 em áreas de risco socioambiental, 158 com atendimento a estudantes com deficiência, 1.478 na zona rural, 186 indígenas e 139 quilombolas, abrangendo todos os estados e o Distrito Federal.
Por bioma, destacam-se a Mata Atlântica (2.818 escolas), Caatinga (2.467), Cerrado (1.695) e Amazônia (1.300). Desde 2003, as cinco edições anteriores envolveram mais de 20 milhões de pessoas, consolidando a educação ambiental como política de Estado e estimulando sua inserção nos currículos, em consonância com a Lei nº 14.926/2024.
Segundo o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, integrado por MEC e MMA, em parceria com o MCTI, a CNIJMA reforça a escola como espaço educador sustentável e resiliente, articulando projetos pedagógicos, inovação e mobilização comunitária. Ao final dos trabalhos, as propostas dos estudantes subsidiam o fortalecimento de políticas educacionais e ambientais e dialogam com o processo da COP30.
A programação da conferência segue até sexta (10), com socialização de resultados, leitura do documento-síntese e entrega da Carta Compromisso.
Da Redação do PT, com informações do MEC e MMA











