Estudo aponta que mais da metade das mulheres no Brasil já sentiu o efeito direto das apostas online em casa; elas relacionam o vício em jogo com endividamento e violência doméstica
Para 67% das brasileiras, as apostas on-line estão acabando com as famílias do país. O dado é um dos destaques da pesquisa Mulheres & Bets: o custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias, produzida pelo Estúdio Clarice, que revela como os jogos afetam o orçamento doméstico, a saúde emocional e as relações familiares, com relatos de endividamento, conflitos e até violência.
O apoio à proibição das plataformas também se destaca: 62% das mulheres defendem o fim das casas de apostas, contra 50% dos homens. Os resultados reforçam a preocupação com os danos que motivaram iniciativas da bancada do PT pelo fim das bets. Além disso, 23% dos entrevistados conhecem ou já presenciaram alguma situação em que os jogos contribuíram para episódios de violência ou agressão dentro de uma família.
Realizada nos dias 8 e 9 de julho de 2026, antes da edição da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil, a pesquisa ouviu 2.008 pessoas de todas as regiões do país, sendo 1.062 mulheres e 946 homens. O levantamento dá dimensão aos impactos das bets sobre as famílias, tema de alerta no debate público.
Nesta terça-feira, 3, a primeira-dama Janja entregou o estudo ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes da audiência pública convocada pelo magistrado para discutir os impactos da MP.
O impacto das apostas dentro de casa
Os dados do Estúdio Clarice mostram que 42% das brasileiras apostam ou já apostaram. Outras 12% nunca fizeram apostas, mas são diretamente afetadas pelos jogos de parceiros, familiares ou amigos.
Para muitas mulheres, as plataformas aparecem como uma promessa de complementar a renda e aliviar dificuldades financeiras. Entre as apostadoras, 22% apontam a busca por renda extra como motivação. Outras dizem que começaram a jogar para ganhar dinheiro rapidamente (19%), ajudar a pagar despesas básicas (16%) ou quitar uma dívida (11%).
Essa promessa, porém, dá lugar a relatos de dificuldades financeiras: 13% das apostadoras já utilizaram cartão de crédito ou cheque especial para jogar, 10% deixaram de gastar com entretenimento e 8% deixaram de pagar alguma conta.
Entre as mulheres que não apostam, mas são afetadas pelos jogos de pessoas próximas, 14% relatam que precisaram pedir dinheiro emprestado e outras 14% afirmam que deixaram de pagar alguma conta por causa das apostas.
Os prejuízos também atingem a saúde emocional e as relações familiares. Segundo o levantamento, 65% das mulheres que quiseram buscar ajuda para parar de apostar não o fizeram por vergonha. Entre aquelas afetadas pelas apostas de pessoas próximas, quase uma em cada quatro relata perda de confiança e conflitos familiares relacionados aos jogos.
Maioria apoia proibição das plataformas
A rejeição às casas de apostas atravessa diferentes grupos políticos. No total, 56% dos entrevistados defendem a proibição das plataformas.
A influência da publicidade também preocupa: para 72% das mulheres, a propaganda das apostas contribui para que as pessoas joguem mais do que deveriam.
Além disso, 79% das apostadoras afirmam que as redes sociais passaram a exibir mais conteúdos sobre apostas depois de seu primeiro acesso às plataformas. Outras 37% relatam já ter recebido benefícios, como bônus ou dinheiro, para recomendar os jogos a outras pessoas por meio de links de compartilhamento.
Na conclusão, o relatório destaca que o enfrentamento aos danos provocados pelas apostas on-line precisa considerar as diferentes formas como as mulheres são atingidas. Além de medidas de prevenção e regulação, o documento aponta a necessidade de canais de apoio e acolhimento sem julgamento, que atendam tanto às pessoas que apostam quanto aos familiares afetados.
Da Rede PT de Comunicação










