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Benedita da Silva repudia cena de racismo em ato político no Rio de Janeiro

Deputada do PT classifica como inaceitável imagem de homem negro conduzido por uma corrente na Barra da Tijuca e defende investigação rigorosa do caso

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) usou a tribuna nesta quarta-feira (28) para repudiar uma cena registrada durante um ato político realizado em 24 de outubro, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo a parlamentar, um homem branco conduziu um homem negro preso por uma corrente em plena via pública. A cena ocorreu durante uma manifestação de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado, e foi considerada pela deputada uma representação de caráter racista que remete ao período da escravidão no Brasil.

Benedita afirmou que as imagens são revoltantes e criticou a tentativa de justificar o episódio como sátira política. Para ela, nenhuma motivação política, ideológica ou humorística pode apagar o peso histórico de uma representação que reproduz símbolos da escravidão. “Isso não é uma sátira, essa é uma cena que remete à escravidão e precisa ser denunciada”, afirmou.

Para a deputada o uso da imagem de um homem negro nessa situação reforça estereótipos e práticas discriminatórias que a população negra enfrenta historicamente no país.

“A democracia não pode ser usada como escudo para o racismo. A liberdade de expressão não é licença para humilhar, desumanizar ou naturalizar a violência racial. O Brasil aboliu oficialmente a escravidão, mas a luta contra o racismo continua! Corrente no pescoço de um povo nunca mais! Racismo não é piada. Racismo é coisa séria e, diante dele, o silêncio não é uma opção”, afirmou Benedita.

Racismo e desigualdade social
Benedita relacionou o episódio à persistência do racismo estrutural no país e às desigualdades enfrentadas pela população negra, especialmente nas áreas de educação e trabalho. Ela lembrou que no Brasil, milhões e milhões de pessoas são negras e ainda enfrentamos o racismo. “Em consequência disso, somos os que menos estudam, os que ganham menos, os menos qualificados para determinadas funções e, quando somos qualificados, não somos aqueles que propriamente nos chamam”, denunciou.

A parlamentar defendeu políticas públicas de inclusão e a manutenção das cotas como instrumentos para ampliar oportunidades e combater a discriminação.

“Deve existir no Brasil uma política de cotas para atender a maioria da sua população, que é uma população negra”, defendeu.

A deputada também informou que o caso foi registrado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. O Ministério da Igualdade Racial também solicitou a apuração dos fatos. “A investigação busca esclarecer as circunstâncias do episódio e verificar eventual responsabilidade legal”, explicou.

Benedita da Silva concluiu defendendo que o país avance no enfrentamento à discriminação racial e na construção de uma sociedade baseada na igualdade e no respeito.

Fonte: PT na Câmara

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