Ataques contra apoiadores de Lula em diferentes estados durante e após o segundo turno trazem alertas sobre violência política e o enfraquecimento do debate democrático
A reta final das eleições de 2026 foi marcada pela vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também por tristes episódios de violência que expuseram a intolerância política que se perpetua no Brasil. Agressões em atos políticos, ataques graves e até mortes estão entre os casos registrados nos últimos dias.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, traz que um dos estopins para tais condutas estão na forma com que a circulação de informações falsas e de ódio se propagam no meio digital.
“É fundamental a gente falar sobre as diferenças entre usar as redes sociais para propagar mentira e usar as redes sociais para defender a verdade”, afirmou. “Como é muito diferente usar as redes sociais para propagar o ódio, a perseguição, a lacração pela violência, pelo expediente da violência, do que a gente fazer o que a gente faz, que é defender os valores e os princípios da solidariedade, da fraternidade.”
Os efeitos da intolerância aparecem de forma concreta nos relatos de vítimas e familiares. Em Cerqueira César (SP), a irmã de Mateus Siqueira, presidente municipal do PT, sofreu queimaduras, teve o tímpano rompido e perdeu permanentemente parte da audição após, segundo o relato da família, ser atingida por um rojão lançado por bolsonaristas durante a comemoração da vitória de Lula.
“Quando saiu a nossa vitória, fomos em carreata até a praça. Minha irmã foi antes, em um bugue com uma amiga. Quando eu cheguei, ela já tinha sido atacada”, relatou Siqueira.
Para o dirigente local, esse e outros atos registrados nos últimos dias trazem insegurança para a prática democrática. “A política brasileira perde com o extremismo a partir do momento que as pessoas abrem mão do debate de ideias, das propostas, dos argumentos e começam a não tolerar mais a existência do outro.”
Agressões registradas em diferentes estados
No sábado, 24, às vésperas do segundo turno, a vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT-MG), foi ferida durante uma carreata em apoio à reeleição de Lula. O carro de som em que ela estava foi alvo de pedras, tijolos, garrafas de vidro e outros objetos arremessados por um grupo de homens apoiadores do Partido Liberal (PL).
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram indivíduos, alguns com camisetas verdes e amarelas, atirando objetos contra o veículo e os participantes do ato. Iara foi atingida no rosto, caiu e precisou ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A vereadora sofreu fratura no nariz, levou cinco pontos e recebeu atendimento médico. Apesar dos ferimentos, teve alta e compareceu à sua seção eleitoral no domingo, 25 de outubro. A Polícia Federal abriu investigação para esclarecer os fatos e identificar os envolvidos.
Em manifestação pública, Iara denunciou os riscos da violência política. “A violência política, a violência de gênero, o ódio e a intolerância são ameaças à democracia. Em todo o Brasil, setores da esquerda vêm enfrentando ameaças, agressões e até tentativas de homicídio. Não podemos naturalizar nem aceitar esses ataques”, disse.
Em Santos (SP), o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, morreu após ser espancado na madrugada de 24 de outubro. O caso ocorreu depois que ele deixou uma atividade cultural e política de apoio a Lula. A Polícia Civil investiga inicialmente o episódio como latrocínio.
No município de Mangueirinha (PR), outra comemoração do resultado do segundo turno também se transformou em tragédia. Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, morreu após ser atropelado por um motorista embriagado que avançou contra um bloqueio policial que continha a festa. Outras três vítimas ficaram feridas. O caso está sob apuração.
Já no dia da eleição, uma mulher foi esfaqueada em São Paulo (SP). Segundo testemunhas, o agressor gritou “Bolsonaro 22” antes de atacar a vítima, que estava com a namorada e amigas. O episódio é investigado sob suspeitas de motivação política e homofóbica.
Em Campo Grande (MS), apoiadores de Lula foram agredidos em frente a uma concentração de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL). Um homem atingiu o para-brisa de um carro com um pedaço de madeira. Em seguida, o motorista foi derrubado por outro homem. Uma passageira que tentou defendê-lo também teria sido agredida.
Em Florianópolis (SC), um motociclista de 24 anos foi atingido por uma viatura da Polícia Militar Rodoviária durante as comemorações pela vitória de Lula. Ele sofreu ferimentos graves e passou por cirurgias. A dinâmica do acidente e a conduta dos agentes foram encaminhadas para apuração.
Democracia exige argumento, não violência
Esses e outros muitos casos mostram como a violência ameaça a participação política e a convivência entre cidadãos. Para Éden Valadares, a resposta está na defesa da democracia e do debate público, sem reproduzir a lógica da intimidação.
“Nós conseguimos derrotar a lógica do fascismo, a lógica da extrema-direita, a lógica do negacionismo científico, do revisionismo histórico, do fundamentalismo religioso, usando como arma o argumento e o voto. Isso foi muito importante”, declarou o secretário.
“Sigamos com muito argumento, sem xingamento. Sigamos com a democracia, com o debate de ideias e não com a violência. Vamos juntos construir um Brasil cada vez melhor”, concluiu.
Da Rede PT de Comunicação










