Ao podcast Flow, Lula defendeu que ministros do STF tenham mandatos e sejam escolhidos por um colegiado. Todos os envolvidos em denúncias do Master devem ser investigados, disse
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira,1, durante entrevista ao podcast Flow, que nunca utilizou as indicações que fez ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter favores pessoais.
“Eu não peço favor. Eu não indico ninguém, em cargo nenhum para me fazer favor. Quero que você saiba disso. Isso é uma coisa de caráter. Nunca liguei para ninguém para pedir um favor pessoal.”
Lula usou como exemplo o episódio da morte de seu irmão, em 2019. Na ocasião, o presidente estava preso em Curitiba e teve negado o pedido para deixar a prisão e participar do funeral. A decisão foi assinada pelo ministro Dias Toffoli, que havia sido indicado por Lula para o STF em 2009.
O presidente também lembrou que, durante o julgamento do mensalão, seis dos ministros da Suprema Corte tinham sido indicados por ele. Ainda assim, o PT não foi poupado. Para Lula, tais episódios demonstram que a escolha de um ministro para a Suprema Corte não estabelece uma relação de fidelidade pessoal entre quem indica e quem é indicado.
“O presidente da República, se ele quiser governar com tranquilidade, ele precisa respeitar primeiro a autonomia de cada poder”, declarou.
STF menos político
Durante a entrevista, que registrou uma marca de 1,6 milhão de visualizações simultâneas, Lula afirmou que a Corte precisa ser menos política. Para o presidente, a atuação de um ministro deve estar vinculada à missão constitucional do cargo, e não à busca por riqueza ou vantagens pessoais.
“Quem quiser ir pra Suprema Corte não pode querer ser rico. É incompatível. Aquilo tem que ser um sacerdócio. As pessoas que foram para lá têm que ir lá para cumprir uma missão e não para ficar rico.”
“É preciso investigar todo mundo”
Ao abordar as denúncias que envolvem integrantes do STF e o caso do Banco Master, o presidente se posicionou favorável que as investigações avancem sem proteção ou tratamento diferenciado para autoridades.
“O que eu acho é que a coisa criou uma proporção tão grande que só tem uma saída: ser investigado. Não tem proteção do presidente da República ao ministro da Suprema Corte, ao deputado, ao senador. É preciso investigar todo mundo. A sociedade quer saber das coisas. Vamos investigar, doa a quem doer.”
O presidente reafirmou que, se cometer algum erro, considera que deve ser submetido à investigação. “O meu papel é não cometer erro. Se eu cometer erro, eu tenho que ser investigado”, afirmou.
Reforma política e do Judiciário
Para o próximo mandato, está entre as prioridades do presidente trabalhar para fazer reformas amplas das instituições brasileiras. Lula ressaltou que as mudanças são necessárias e têm o objetivo de melhorar as relações entre os três poderes, fortalecendo a democracia no país.
“A gente vai ter que ter uma reforma política muito grande no Brasil e depois a gente vai ter que ter uma reforma no Poder Judiciário também. O Congresso tem a sua função, a Suprema Corte tem a dela. E a Suprema Corte é a mais poderosa. Ela, embora seja um tribunal político, é a guardiã da sociedade, guardiã da Constituição.”
Da Rede PT de Comunicação











