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‘Meu adversário é um vira-lata’, diz Lula sobre Flávio Bolsonaro no Flow

Em entrevista ao podcast, presidente criticou atuação do rival nos Estados Unidos contra o Brasil e criticou “mentiras” de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a falta de comprometimento da família Bolsonaro com o Brasil e a submissão aos Estados Unidos, chamando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República, de “vira-lata” em entrevista ao Flow Podcast, nesta quinta-feira, 1º.

“O meu adversário é um vira-lata. Mandou o irmão pra lá [para os Estados Unidos] pra falar mal do Brasil”, disse, referindo-se à atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro de 2025.

Ao ser questionado sobre o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, o presidente subiu o tom: “É um vira-lata, é traidor da pátria, acabou de ser expulso da Polícia Federal. E vai ser preso”.

Eduardo Bolsonaro já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por conspirar contra o país, trabalhando nos EUA para que o governo de Donald Trump impusesse o tarifaço contra o Brasil e impusesse punições a ministros da própria Corte, em retaliação às investigações que acabaram por condenar seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

Lula também citou a relação de Flávio e Eduardo com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que enviou ao menos 10,6 milhões de dólares a um fundo sediado nos EUA para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, por intermédio direto de seu filho Flávio.

Há suspeitas de que o dinheiro estivesse sendo usado, na verdade, para bancar a permanência de Eduardo no país. “Esse dinheiro do filme que ele fala […] é um dinheiro pra mandar pro irmãozinho nos Estados Unidos ficar falando mal do Brasil”, afirmou o presidente.

“Ninguém vai mentir sobre o Brasil”
Lula também falou das relações com os EUA e do tarifaço imposto a produtos brasileiros por Donald Trump. “Eu não tenho cerceamento aos Estados Unidos. Agora, o Trump tem que saber que ele toma conta dos Estados Unidos, e o Lula toma conta daqui”, declarou.

Segundo o presidente, a taxação provocou queda de 9,7% na relação comercial com os norte-americanos, enquanto o comércio com a China cresceu 20%, com o Vietnã 14% e com a Alemanha 9%. Na média dos 57 países com os quais o Brasil ampliou as trocas, o aumento foi de 10,5%, o que representa R$ 80 bilhões de superávit comercial.

“Ao invés de ficar chorando com o Trump, eu fui procurar parceiros, eu fui vender minhas coisas”, disse.

Lula lembrou que o Brasil tem ativos estratégicos de interesse dos norte-americanos, como o nióbio. “Ele é importador de nióbio e 70% do nióbio dele é aqui do Brasil, e ele sabe”, afirmou. Segundo o presidente, ainda não foi colocada em prática a política de reciprocidade comercial, mas isso pode mudar: “Na hora que a gente colocar na reciprocidade, eu vou jogar do mesmo jeito que ele jogou”.

Ele rebateu o argumento de Trump sobre o déficit comercial. “O que eu não aceito é a mentira a respeito do Brasil. Ninguém vai mentir pra mim”, declarou. O presidente lembrou que nos últimos 15 anos os Estados Unidos tiveram um superávit de 415 bilhões de dólares entre comércio e serviço com o Brasil.

Lula afirmou que não busca conflito com Trump e quer vencê-lo só na “guerra da narrativa”. “O povo pra ele é coisa de número, de livro de literatura; pra mim, não. Pra mim o povo é a minha raiz, é de onde eu vim”, afirmou.

Da Rede PT de Comunicação

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