Presidente critica trajetória política da família Bolsonaro, aponta vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro e manda recado a Trump contra interferência nas eleições brasileiras
Em conversa com influenciadores digitais, nesta quarta-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o que a família Bolsonaro entregou ao país durante sua trajetória política e afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, adversário na disputa presidencial, não apresenta um projeto capaz de melhorar a vida da população. Lula participou de bate-papo com Ricardo Mello, Bárbara Carine, Lauany Schultz e Kenji Normose nos jardins do Palácio da Alvorada.
“Qual é o compromisso com qualquer seriedade que esse cara tem? Nenhuma, nenhuma. Ele não tem biografia”, criticou.
O presidente cobrou uma avaliação do conteúdo e das propostas do candidato da extrema direita. Para Lula, o eleitor precisa considerar o que cada candidatura tem condições de fazer pelo Brasil, em vez de se orientar pelo fanatismo político.
“Eu queria que alguém me dissesse o que esse cara tem para oferecer no presente e no futuro. Nada. Não tem conteúdo, não tem nada a oferecer”, afirmou.
As críticas surgiram durante uma discussão sobre a aproximação de parte da juventude com a extrema direita. Lula contestou a ideia de que esse movimento represente, necessariamente, maior consciência política. Na avaliação dele, a revolta sem formação e sem participação abre espaço para a manipulação.
“Eu acho que ele não está sendo politizado, ele está sendo despolitizado”, disse.
Lula lembrou que também rejeitava a política quando era jovem e que chegou a dizer que não gostava de política nem de quem gostava. A experiência, afirmou, mostrou que o afastamento das decisões coletivas entrega o poder justamente a quem pode agir contra os interesses da população.
O presidente estendeu a crítica a pessoas com formação universitária que apoiam o bolsonarismo. Disse ter acreditado que o acesso à educação, por si só, produziria maior consciência política, mas questionou a distância entre a qualificação profissional e o compromisso com um projeto de país.
“Quando eu vejo um cara com diploma universitário, economista, cientista, votar no Bolsonaro, eu fico pensando: o que esse cara espera da vida? O que esse cara aprendeu de política na vida?”, afirmou.
Lula também criticou a permanência de Jair Bolsonaro por décadas em mandatos parlamentares. Em contraponto, recordou que sua própria passagem pela Câmara teve como objetivo participar da Assembleia Constituinte e que decidiu não continuar como deputado depois daquela experiência.
Em outro momento, o presidente voltou às relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, associando o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Lula afirmou que recursos obtidos com o banqueiro teriam servido para sustentar a permanência do filho do ex-presidente no exterior.
“Aquele famoso dinheiro do filme é o dinheiro que pegava do Vorcaro para poder mandar para a sobrevivência do Eduardo”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a atuação de Eduardo fora do país integra uma articulação contra os interesses brasileiros. Lula também acusou a família Bolsonaro de buscar apoio em Israel para interferir na disputa eleitoral.
“A família Bolsonaro foi para Israel para tentar ver como é que eles podem ajudar eles a não perder as eleições”, declarou.
Recado a Trump e soberania
Na política internacional, Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar eventuais tentativas de questionamento do resultado eleitoral e relatou ter feito uma advertência direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre interferências na disputa brasileira.
“Eu disse para o Trump: não se meta nas eleições do Brasil, que você vai perder as eleições. É melhor você perder sem se meter, porque, se meter, você vai ficar chateado”, declarou.
O assunto foi levantado a partir de uma pergunta sobre declarações de Eduardo Bolsonaro a respeito da possibilidade de Trump não reconhecer imediatamente uma vitória de Lula. O presidente respondeu que a relação entre países não pode depender das preferências pessoais ou ideológicas de seus governantes.
“Ele foi eleito pelo povo americano. Eu vou ser eleito pelo povo brasileiro. Ele não precisa gostar de mim, não. Só tem que ter uma relação civilizada”, afirmou, acrescentando que essa convivência exige respeito à soberania do Brasil.
Lula disse manter uma boa relação institucional com Trump, embora tenha feito críticas à forma como o presidente norte-americano se comunica. “Ele muitas vezes não diz nada com nada. Você conversa com ele, parece que você não conversou”, afirmou. Na sequência, ressaltou que os dois têm se tratado com respeito.
Para o presidente, a diplomacia deve ser orientada pelos interesses nacionais e pela construção de benefícios recíprocos. Disse que não escolhe interlocutores com base em sua posição à esquerda, à direita ou ao centro, mas considera o tipo de relação que cada governo pretende estabelecer com o Brasil e os resultados que podem ser alcançados para os dois lados.
“Uma boa relação internacional é aquela em que as duas partes ganham alguma coisa”, explicou.
Lula avaliou que o país vive seu melhor momento internacional e destacou a capacidade de conversar com governos de diferentes orientações políticas. Citou o diálogo com Estados Unidos, China, Rússia, países europeus e vizinhos sul-americanos como expressão de uma política externa que preserva a autonomia brasileira.
“O Brasil nunca teve a respeitabilidade que o Brasil tem hoje no mundo”, afirmou.
Da Rede PT de Comunicação











