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‘Condenado da Justiça e covarde’, diz Simone Tebet após ser atacada por Eduardo Bolsonaro

Ex-deputado fez ofensas de cunho sexual contra a candidata ao Senado na chapa de Lula. Ela recebeu apoio de aliados, como Fernando Haddad, contra a violência política de gênero

Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo do time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi atacada na terça-feira, 29, por Eduardo Bolsonaro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado afirmou que a ex-ministra do Planejamento “se prostitui” por cargos políticos.

Eduardo respondia a um comentário feito por Tebet no qual ela criticou Ricardo Salles (Novo) por ter desistido da candidatura ao Senado para apoiar os candidatos da extrema-direita. Ela disse que ele havia “se rendido ao centrão”. O ex-deputado, então, disse que a ex-ministra é que era do centrão, se passou por alguém de direita nas eleições de 2022 e depois “se prostituiu” por cargo no governo. Ele também a chamou de “vassala do Lula”.

Tebet entrou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que determinou a remoção do vídeo por Eduardo em até 24 horas.

A ex-ministra respondeu em uma publicação, chamando o irmão de Flávio Bolsonaro de “covarde” e afirmando que ele “faz ataques protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio”. Disse que não é a primeira vez que sofre violência política de gênero e, “infelizmente, não será a última”.

“Lamento o nível, mas não me surpreende quando vem de um condenado pela Justiça. Eu não vou baixar a cabeça, não vou me intimidar e não vou aceitar que nenhuma mulher seja silenciada dessa maneira”, declarou a candidata.

A campanha de Tebet emitiu uma nota repudiando a fala do ex-deputado. Disse que ele “ultrapassou todos os limites do debate democrático” e que “atacar uma mulher com uma insinuação de natureza sexual para tentar desqualificá-la politicamente é uma forma abjeta de violência política contra a mulher”. “Esse tipo de ataque ultrapassa Simone Tebet, atinge a participação das mulheres na vida política e não pode ser naturalizado como parte do debate democrático”, conclui o texto.

“Quem é a prostituta e quem é o prostituto? Eu não participei de orgias como hoje saiu aí denúncias de supostas orgias do 01 candidato à Presidência da República. E eu que sou a prostituta?”, perguntou Tebet em outro vídeo publicado em suas redes, com cortes de sua entrevista ao Flow Podcast. “É muito difícil hoje a gente estimular mulheres para entrar na vida pública nesse ambiente onde a violência verbal é o primeiro passo para a violência letal. Isso acontece na violência doméstica e isso acontece na violência política”, afirma a candidata.

Políticos demonstram solidariedade
Marina Silva, também candidata ao Senado por São Paulo no time de Lula, publicou em seu perfil no X (o antigo Twitter) que Eduardo “usa um velho expediente machista: quando alguns homens não conseguem enfrentar uma mulher no campo das ideias, recorrem a ataques de natureza pessoal, sexualização, humilhação e à tentativa de desqualificá-la moralmente”.

A ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que não se pode aceitar “que o debate público transforme mulheres em alvo de ofensas que dificilmente seriam dirigidas a um homem”.

Tabata Amaral (PSB), candidata a deputada federal por São Paulo do mesmo partido de Tebet, disse que a fala demonstra “o esgoto de onde a família Bolsonaro nunca saiu” e afirmou que as mulheres paulistas vão “dar uma resposta a esse ser minúsculo votando 400 e 180 no domingo” – números de Tebet e Marina, respectivamente. Eduardo já foi condenado por difamação contra Tabata.

“Chamar a ministra de ‘produto vencido’ e insinuar que ela se prostitui por cargo só demonstra o desespero de quem tá há anos tentando afundar o Brasil, de quem tentou vender o Brasil pro Trump pra salvar a própria família, pra salvar o pai, que é um criminoso, e que agora tá lá nos Estados Unidos foragido, condenado e sendo bancado por uma mesada de luxo que tá na mira da Polícia Federal”, declarou a deputada em um vídeo nas redes sociais.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, que também é do PSB, lamentou o ataque e chamou Tebet de “mulher honrada que vai lutar pelo estado de São Paulo no Senado com sua experiência e competência”. “Além de ter sido feita por um traidor da pátria, uma ofensa como esta deve ser fortemente repudiada porque ataca a todos que defendem um país soberano e democrático”, afirmou.

Já Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, disse que o ataque é “inaceitável” e que “essas ofensas precisam ser fortemente repudiadas, pois são intoleráveis em uma democracia”. “Esse tipo de violência política contra as mulheres tem sido recorrente por parte dos bolsonaristas. É impressionante a dificuldade que algumas figuras desse campo político têm de tratar mulheres na vida pública com respeito”, declarou Haddad.

Da Rede PT de Comunicação

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