Eu pretendia escrever nesta semana sobre saúde e as propostas que considero importantes para as Eleições 2026. Entretanto, um alerta emitido pela Defesa Civil mudou não apenas o tema desta coluna, mas também a rotina de milhares de prudentinos. A previsão indicava a possibilidade de tempestades severas, com chuvas fortes, descargas elétricas, rajadas de vento, granizo, microexplosões e, pontualmente, tornados em áreas isoladas. A região de Presidente Prudente foi colocada entre aquelas com maior potencial para a ocorrência desses fenômenos.
Diante do risco, as atividades acadêmicas e administrativas da FCT Unesp foram suspensas nos dias 11 e 12 de setembro. Escolas também interromperam as atividades presenciais. A abertura da Expo Prudente foi adiada, e eventos programados para o Parque do Povo precisaram ser transferidos para um espaço coberto.
São decisões difíceis, que afetam o calendário escolar, o trabalho, a cultura, a economia e a organização das famílias. Mas, diante de um alerta dessa gravidade, prevenir também é cuidar. Suspender uma atividade pode gerar transtornos; insistir em realizá-la sem condições de segurança pode colocar vidas em risco.
O alerta também nos obriga a fazer uma pergunta que precisa estar presente nas Eleições 2026: nossas cidades estão preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos? E os impactos não atingem todas as pessoas da mesma maneira?
Há quem possa permanecer em casa com segurança, alterar seus horários ou trabalhar remotamente. Mas há também quem viva em áreas sujeitas a alagamentos em locais com pouca infraestrutura. Há trabalhadores e trabalhadoras que precisam atravessar a cidade mesmo durante uma tempestade. Há famílias que não possuem acesso rápido às informações e pessoas que dependem diretamente do transporte público e dos equipamentos municipais.
Nas Eleições 2026, precisamos observar quais candidaturas apresentam propostas concretas de prevenção e adaptação climática. Não basta aparecer depois de uma tragédia, anunciar recursos emergenciais ou reconstruir aquilo que foi destruído. O poder público precisa agir antes.
Entre as medidas fundamentais, está a elaboração de mapas atualizados das áreas de risco, identificando locais sujeitos a alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e danos provocados por ventos intensos. Esses dados precisam orientar o planejamento urbano, as obras públicas e a ocupação do território.
Também é necessário investir em drenagem urbana, recuperação de córregos, proteção das áreas verdes, arborização adequada e manutenção permanente de bueiros, galerias e estruturas de escoamento. Obras de prevenção talvez não apareçam tanto quanto grandes inaugurações, mas podem evitar prejuízos materiais e salvar vidas.
Outra proposta indispensável é o fortalecimento da Defesa Civil. Isso envolve equipes permanentes, orçamento, equipamentos, formação profissional, integração entre os governos e capacidade de comunicação rápida com a população. Os alertas precisam chegar de maneira acessível às escolas, universidades, comunidades, trabalhadores, organizadores de eventos e moradores das áreas mais vulneráveis.
Nas Eleições 2026, a emergência climática precisa sair do campo dos discursos e entrar nos planos de governo, nos orçamentos e nas prioridades do Estado.
Helber Henrique Guedes é Vice-presidente do PT de Presidente Prudente










