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Morre Amelinha Teles, símbolo da resistência à ditadura militar e da luta pelos direitos humanos no Brasil

Morreu nesta terça-feira (15) a jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, aos 81 anos. Notável por sua firmeza ética e atuação incansável, ela se consolidou como uma das figuras mais emblemáticas da resistência à ditadura militar brasileira (1964–1985) e da defesa da memória, da verdade e dos direitos das mulheres no país.

Nascida em Contagem (MG) em 1944, Amelinha teve a trajetória marcada pela militância política no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Durante o regime militar, foi presa em 1972 e levada ao Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), em São Paulo, onde sofreu graves torturas perpetradas pelo Estado. Durante o período em que esteve em cativeiro, seus filhos, ainda crianças, foram levados ao local para assistirem às agressões, episódio que se tornou um dos relatos mais chocantes sobre a barbaridade da repressão.

Anos mais tarde, a família Teles protagonizou um marco jurídico histórico no Brasil ao mover a ação civil que resultou no reconhecimento oficial do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador pela Justiça paulista.

Pioneirismo no Feminismo e Defesa dos Direitos Humanos
Para além do enfrentamento aos abusos do Estado autoritário, Amelinha desempenhou papel central na articulação do movimento feminista no país. Foi cofundadora da União de Mulheres de São Paulo e uma das idealizadoras do Projeto Promotoras Legais Populares, iniciativa voltada à capacitação jurídica e ao empoderamento de mulheres nas periferias para o combate à violência de gênero.

Como autora, deixou contribuições essenciais para a literatura política e historiográfica brasileira, incluindo os livros Breve História do Feminismo no Brasil e Contos da Cela Três: Memórias de uma presa política na ditadura. Ao longo das últimas décadas, atuou na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e foi assessora técnica da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.

Autoridades, entidades de direitos humanos, movimentos sociais e coletivos feministas manifestaram pesar por sua morte, destacando seu legado inestimável para a construção e o fortalecimento da democracia brasileira.

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