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Em retomada do diálogo com os EUA, ministros reiteram que tarifaço é injusto

Brasileiros se reuniram com representante norte-americano; conversas terão continuidade nas próximas semanas em busca de acordo equilibrado e que respeite a soberania nacional

Os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) se reuniram, de maneira virtual, na tarde desta segunda-feira, 31, com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês), Jamieson Greer, para tratar do tarifaço sobre as exportações brasileiras.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nota à imprensa com o balanço das conversas entre os três. “O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, afirma.

“Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”, acrescenta a nota.

O MDIC também antecipou que novas reuniões em nível ministerial devem ocorrer, em data oportuna, para avaliar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas.

“O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”, conclui o comunicado.

A cronologia do tarifaço
A guerra tarifária conduzida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil começou em abril de 2025. Ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, o republicano aplicou encargo adicional de 10% sobre parte das exportações brasileiras. Em junho, Trump elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%. No mês seguinte, ele impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço de Trump: caíram a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% contra o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados. No mesmo dia, entretanto, o presidente estadunidense anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, que se soma às já existentes.

Mais recentemente, no fim de julho, a Casa Branca confirmou novas tarifas de 12,5% sobre exportações brasileiras. A decisão foi resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que o Brasil e outras dezenas de países falharam ao não fiscalizar a importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Também no fim de julho, o Brasil entrou com uma ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço. Duas semanas depois, a China pediu para participar das consultas na entidade. Algumas das alegações dadas por Washington para penalizar os produtos brasileiros são igualmente atribuídas aos chineses.

Da Rede PT de Comunicação

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