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Lula anuncia supercomputador de R$ 1 bi no Rio Grande do Norte e fortalece soberania digital

Equipamento está entre os dez mais potentes do mundo e integra plano de R$ 23 bilhões para ampliar pesquisas, formar profissionais e desenvolver tecnologias nacionais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira, 20, o lançamento de um edital estimado em R$ 1 bilhão para a aquisição de um supercomputador voltado à inteligência artificial e à soberania digital. O equipamento será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte.

A máquina deverá alcançar uma capacidade de processamento de aproximadamente 7,2 mil petaflops, equivalente a cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, e ficará entre as dez mais potentes do mundo para aplicações de inteligência artificial. A previsão é de que entre em operação até o fim de 2027.

A iniciativa vai ampliar a capacidade do Brasil de desenvolver tecnologias próprias, apoiar pesquisas científicas e criar soluções de inteligência artificial destinadas ao poder público, às universidades e às empresas brasileiras. A aquisição faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê investimentos de R$ 23 bilhões em infraestrutura, formação profissional, serviços públicos e inovação empresarial.

Em discurso, Lula destacou que a escolha do Rio Grande do Norte representa uma decisão política para enfrentar as desigualdades regionais e distribuir os investimentos públicos de forma mais justa pelo território nacional.

“São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que mais necessitam”, afirmou.

O presidente lembrou que os principais centros tecnológicos e científicos do país ainda se concentram nas regiões Sul e Sudeste. Para Lula, cabe ao Estado garantir que as regiões historicamente menos atendidas também tenham acesso às oportunidades abertas pela nova economia digital.

“O Estado tem que dizer para onde vai implantar os recursos. Porque, se o Estado não tomar decisão, sempre o mesmo lugar ganhará todas as oportunidades”, ressaltou.

Lula também destacou a necessidade de o Brasil desenvolver sua própria inteligência artificial, preservar o controle sobre seus dados e conquistar espaço em um mercado atualmente concentrado em poucas potências.

“A oportunidade para vocês está aqui no Brasil. É por isso que nós estamos fazendo isso. A gente não quer ficar para trás. Hoje, os Estados Unidos têm 65% de toda essa coisa de inteligência artificial, a China deve ter uns 15% ou 20%, e o restante não tem nada. Pois a gente quer dizer ao mundo: nem chinês nem americano são melhores que nós. Nós vamos entrar nesse mercado”, declarou.

Na cerimônia em Macaíba, o presidente esteve acompanhado da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; da ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior; e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, entre outras autoridades.

Oportunidades para o Nordeste
A instalação do equipamento em Macaíba busca desconcentrar os principais centros tecnológicos brasileiros, atualmente localizados sobretudo no Sul e no Sudeste. O investimento deverá estimular a formação de profissionais especializados, atrair empresas e startups e fortalecer a integração entre universidades, poder público e setor produtivo.

Para Lula, o avanço tecnológico precisa ser acompanhado da criação de oportunidades para que pesquisadores e jovens qualificados possam construir suas carreiras no próprio país.

O presidente ressaltou que o investimento em ciência e tecnologia é parte do projeto para superar definitivamente o subdesenvolvimento e preparar o Brasil para ocupar uma posição de destaque na economia do futuro.

“Nós queremos que vocês tenham a oportunidade que os pais de vocês não tiveram, que a minha geração não teve. Porque são vocês que vão construir este país, são vocês que vão ser os dirigentes deste país. E o nosso papel é preparar o país para isso”, afirmou.

Tecnologia estratégica
O supercomputador chega para atender à demanda por grandes capacidades de processamento, reduzindo a dependência nacional de estruturas estrangeiras e ampliando o controle brasileiro sobre tecnologias consideradas estratégicas. Essa infraestrutura é necessária ao treinamento de modelos de inteligência artificial, ao desenvolvimento de pesquisas complexas e à criação de soluções tecnológicas destinadas ao poder público, às universidades e às empresas brasileiras.

O Governo Lula decidiu adquirir dois supercomputadores a R$ 2 bilhões. Um deles ficará no Rio Grande do Norte, enquanto o outro, no Rio de Janeiro. Os equipamentos estão entre os 10 mais potentes do mundo.

Um dos objetivos é a desconcentração dos principais centros tecnológicos nas regiões Sul e Sudeste. Os investimentos devem estimular a formação de profissionais especializados, atrair empresas e startups e fortalecer a integração entre universidades, poder público e setor produtivo.

Caminhos para a soberania digital
Durante a cerimônia em Macaíba, o Governo Lula também anunciou novas medidas para colocar em prática diferentes frentes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.

Com investimento previsto de aproximadamente R$ 1,27 bilhão ao longo de cinco anos, a estrutura deverá começar a operar em julho de 2027. Entre seus objetivos estão o desenvolvimento de modelos nacionais de inteligência artificial em português e espanhol, a transferência de tecnologia e a formação de 3 mil profissionais brasileiros.

O governo também lançou uma estratégia de longo prazo para desenvolver chips baseados na arquitetura aberta RISC-V, que permite criar e adaptar processadores sem depender do pagamento de licenças a grandes empresas estrangeiras. A iniciativa terá R$ 125 milhões em recursos públicos e deverá receber outros R$ 125 milhões da iniciativa privada.

Outra frente é a estruturação da Nuvem Brasileira, um serviço nacional de armazenamento e processamento de dados. O objetivo é estimular o desenvolvimento de programas e equipamentos produzidos no país, reforçando a segurança das informações e reduzindo a dependência de tecnologias controladas por empresas estrangeiras.

O pacote inclui ainda a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e Inteligência Artificial Confiável, que será sediado na Universidade Federal de Minas Gerais. Com investimento estimado em R$ 50 milhões durante dois anos, o centro fará pesquisas sobre segurança, avaliação de riscos, identificação de falhas, transparência e possíveis vieses presentes nos sistemas de inteligência artificial.

Da Rede PT de Comunicação

 

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