A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede-SP), divulgou um pronunciamento oficial em suas redes sociais para se posicionar contra o episódio de violência política de gênero do qual foi vítima na última segunda-feira, 17 de agosto.
No vídeo publicado, vestindo uma túnica terrosa e demonstrando serenidade e firmeza, Marina expressou gratidão pelo amplo apoio recebido e cobrou apuração rigorosa sobre o caso.
“Agradeço profundamente às inúmeras manifestações de solidariedade que recebi de lideranças políticas, instituições, movimentos sociais e cidadãs e cidadãos das mais diferentes posições. Essa solidariedade veio de todos os lados, inclusive de quem está no campo adversário”, afirmou a candidata logo no início de sua fala.
Marina enfatizou que o ato de hostilidade ultrapassa a sua figura individual e expõe uma realidade cotidiana enfrentada pelas mulheres no ambiente público:
“O episódio de ontem diz respeito não apenas a mim. Ele nos alerta para uma realidade que atinge muitas mulheres todos os dias: a violência política de gênero e as diversas formas de violência, constrangimento e silenciamento que ainda procuram afastá-las dos espaços públicos e dos lugares de decisão. Não podemos permitir que comportamentos dessa natureza sejam naturalizados.”
A ex-ministra defendeu a convivência democrática, marcando a diferença entre a livre manifestação de opiniões e a intimidação:
“É preciso apurar os fatos com rigor, responsabilizar quem ultrapassa os limites da lei e fortalecer uma cultura democrática baseada no respeito. Podem ter certeza: seguirei nas ruas conversando com as mulheres e os homens de São Paulo. Divergências, críticas e protestos fazem parte da democracia; intimidação, agressão e violência, não. As mulheres merecem respeito. São Paulo merece respeito.”
O episódio de intimidação na “Caminhada das Mulheres”
O incidente ocorreu no centro da capital paulista, no percurso entre a Praça da República e o Theatro Municipal, durante a “Caminhada das Mulheres com Haddad” — ato político que marcou o início oficial da campanha de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo, contando também com a presença de Simone Tebet e Márcio França.
Devido a uma lesão na coluna sofrida há cerca de seis meses, Marina precisou se afastar do centro do aglomerado de militantes para caminhar com maior tranquilidade pela calçada. Nesse instante, um homem não identificado se aproximou de forma hostil, agarrou a candidata pelo ombro, encostou em sua barriga e a provocou perguntando se ela queria “voltar para a cena do crime”.
A candidata foi prontamente protegida por assessores e militantes, que cercaram o homem até que ele se retirasse, permitindo que Marina se abrigasse com segurança em um comércio local. Ela não sofreu ferimentos físicos.
Reações e o debate sobre representatividade feminina
No trio elétrico posicionado em frente ao Theatro Municipal ao fim do ato, Marina já havia mandado um recado direto aos apoiadores e à militância:
“Uma pessoa, de forma muito agressiva, colocou-se na minha frente. Mas ele não sabia que, diante do amor, o ódio recua. Faz o 180 aí, minha gente. Eu não dou um passo atrás. Diante da verdade e da justiça, a gente não recua. Pra frente é que se anda.”
Em outra publicação em seu perfil no Instagram, a candidata trouxe dados sobre a sub-representação feminina no Congresso Nacional para contextualizar as barreiras enfrentadas pelas mulheres na política: lembrou que, embora 51,5% da população brasileira seja formada por mulheres, a bancada feminina ocupa apenas 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 19% no Senado. Na postagem, ela cravou: “Querem a gente longe da política, a violência é método, não vamos recuar. Mulheres merecem respeito.”
Solidariedade e repúdio entre lideranças políticas
O episódio gerou uma onda instantânea de repúdio e solidariedade entre representantes de diversos espectros políticos e integrantes do governo:
• Fernando Haddad (PT): Atribuiu a agressão ao clima de intolerância alimentado pela extrema-direita. “Essa intolerância contra as mulheres e os negros aumentou muito por causa dessa extrema direita que não respeita as diferenças. Como a Marina, que não conseguiu fazer uma caminhada de 300 metros porque tinha alguém da extrema-direita para tentar impedi-la”, declarou.
• Simone Tebet (PSB): Destacou o viés de gênero no ataque: “Poderia ter sido com Haddad. Por que não foi com Haddad? Porque foi com uma mulher. Então é sempre assim, é uma mulher. Toda a nossa solidariedade à Marina diante da tentativa de agressão sofrida.”
• Geraldo Alckmin (Vice-Presidente): Pontuou que “intimidação e violência são inaceitáveis” e exaltou a trajetória de compromisso da ex-ministra.
• Edinho Silva (Presidente do PT): Declarou que a violência política de gênero é intolerável e que “extremistas não vão apagar a história de quem sempre lutou pela democracia”.
• Ministras e Parlamentares: Manifestações de apoio também foram publicadas por Márcia Lopes (Ministra das Mulheres), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Anielle Franco, Nísia Trindade, Sônia Guajajara, Benedita da Silva, Erika Kokay e Jack Rocha, ressaltando que a misoginia não pode ser instrumento para barrar a participação das mulheres na vida pública.
Apesar da tensão registrada no início da caminhada, a organização manteve toda a programação do evento na região central de São Paulo.










