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Deputado Alencar Santana denuncia na Câmara intimidação da PM paulista à Haddad e seu motorista

Em discurso no Plenário, parlamentar petista acusou o governo Tarcísio de Freitas de aparelhar a Polícia Militar de São Paulo e cobrou apuração sobre a perseguição ao motorista do candidato

O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) usou a tribuna da Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira, 12 de agosto, para fazer uma dura denúncia contra a atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O parlamentar acusou membros da corporação, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, de praticar atos de intimidação e ameaça contra a equipe de campanha de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo estadual.

Em pronunciamento destacado em suas redes sociais, Alencar Santana classificou o episódio como “uma atitude criminosa de ameaça e tentativa de intimidação em meio ao processo eleitoral”. O deputado ainda criticou a condução da segurança pública no estado, afirmando que “o governador Tarcísio de Freitas veio do Rio de Janeiro graças a Bolsonaro e parece que quer instalar o modelo das milícias em São Paulo. Não vamos aceitar e exigimos eleições limpas e em paz!”.

Denúncia no Plenário da Câmara
Durante o discurso feito no Plenário da Casa, Santana detalhou a gravidade do ocorrido e cobrou explicações imediatas do Palácio dos Bandeirantes:

“Eu queria fazer uma denúncia aqui gravíssima! A Polícia do Estado de São Paulo, do governador Tarcísio, ameaçando e amedrontando a equipe do governador Fernando Haddad. O nosso candidato a governador presenciou, ele chegando em sua residência, uma viatura logo atrás do carro onde estava, mas achou que era algo sem nenhum problema. E o carro da polícia continuou perseguindo o carro com o seu motorista, sem nenhum sentido, colando no carro”, relatou o deputado.

Ainda no discurso, Alencar elevou o tom das críticas à cúpula da segurança pública estadual, comparando a conduta dos agentes ao modus operandi de grupos paramilitares:

“Todos nós queremos esclarecimentos por parte do governador, que tá transformando a polícia de São Paulo numa milícia a seu serviço, como a família Bolsonaro tinha milícia no Rio de Janeiro. Nós não vamos permitir que São Paulo se transforme num Estado de milícias onde a cúpula da polícia também tem relação com o crime organizado.”

O parlamentar citou ainda investigações sobre vazamento de informações dentro da corporação para fundamentar a acusação: “Por exemplo, o comando da PM, três anos e meio um coronel dando informações a líderes do PCC sobre autoridades públicas. Essa é a polícia que o governador de São Paulo está fazendo, transformando a PM numa polícia privada com finalidade política em parceria também com o crime organizado. Esperamos que não ocorra mais. Queremos eleições limpas e em paz!”, concluiu.

Entenda o caso: perseguição de 40 minutos e investigação da SSP
A denúncia do parlamentar fundamenta-se em relatos tornados públicos pelo próprio ex-ministro Fernando Haddad sobre um episódio ocorrido na noite de terça-feira (11), por volta das 22h30, na zona sul da capital paulista.

Abordagem sem diálogo : Ao chegar à sua residência, Haddad presenciou uma viatura da PM aproximar-se ostensivamente, com policiais armados com fuzis apontando focos de luz diretamente contra o rosto do candidato e o interior do veículo, sem contudo emitir ordem de parada ou solicitar documentos.

Perseguição ao motorista : Após Haddad desembarcar, a mesma viatura seguiu o motorista da campanha por cerca de 40 minutos durante o trajeto de retorno. O veículo da PM emparelhou diversas vezes, jogou luzes no automóvel e chegou a encostar no para-choque traseiro.

Sem checagem formal : Ao notar a permanência da viatura após estacionar próximo à Avenida 23 de Maio para entender o que ocorria, o trabalhador desembarcou e questionou os agentes. Como resposta, ouviu apenas a ordem de “vaza daqui”, sem que qualquer procedimento padrão de identificação fosse realizado.

O caso gerou forte repercussão política e cobranças da imprensa por apuração transparente de imagens de câmeras corporais, registros de rádio e histórico de deslocamento via GPS dos policiais envolvidos. Em resposta, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou a abertura de apuração para investigar a conduta da guarnição. O secretário Osvaldo Nico Gonçalves entrou em contato direto com Haddad para solicitar detalhes do trajeto, garantindo que eventuais desvios de conduta constatados serão punidos.

Por Luiz Henrique Gurgel (Portal Galera Vermelha)
Foto: Mario Agra (Câmara dos Deputados)

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