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Benedita cobra do Senado fim da escala 6×1 e mais tempo para viver

Deputada quer avanço da PEC 221/19 e afirma que redução da jornada é questão de dignidade e respeito aos trabalhadores

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), nesta terça-feira (11), subiu à tribuna da Câmara dos Deputados. Ela representa os milhões de trabalhadores e trabalhadoras do Brasil para lembrar a escala 6×1. A decana discursou sobre a pressão popular para que o Senado vote a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial.

“Isto é muito sério, porque significa tratar de mais vida para os trabalhadores e trabalhadoras, mais dignidade e respeito ao trabalhador. É importante estarmos falando dessas pessoas que trabalham 6 dias e têm apenas 1 para descansar, um único dia para cuidar da casa, para ver os filhos, levá-los ao médico, à escola e resolver os problemas que possam ter em suas famílias”, reforçou.

A petista – que integrou a Assembleia Nacional Constituinte e ajudou a escrever a Constituição Cidadã – afirmou que a pauta dos trabalhadores já é discutida há décadas, cobrando inclusive a redução da jornada. “A Câmara aprovou o texto (PEC 221/2019). Agora, é importante que o Senado faça também essa discussão e vote, porque nós esperamos que os senadores compreendam a dimensão histórica dessa mudança”, cobrou Benedita.

Vida além do trabalho
Ao argumentar que o trabalhador não pode ser visto apenas como alguém que produz, a deputada teve que dizer o óbvio ao afirmar que “antes de ser trabalhador, ele é uma pessoa. Ele não é uma máquina. Nós estamos falando de pessoas que têm sonhos, têm famílias, têm direitos, que querem lazer e cultura, como qualquer ser humano”.

Benedita afirma que a história mostrou que direitos trabalhistas eram possíveis e alcançáveis. “A jornada de trabalho foi reduzida, férias foram conquistadas, o 13º salário foi criado, direitos foram ampliados, e todos eles continuam. O Brasil não quebrou, não ocorreu o que diziam, ‘acabou o Brasil’. O Brasil não se acaba assim. Agora, é hora de darmos mais um passo”.

Diante disso a parlamentar deu o recado ao Senado: “o fim da escala seis por um é uma conquista que precisa sair do papel e chegar à vida real das pessoas. Não estamos pedindo privilégios, defendemos dignidade, porque os trabalhadores merecem mais do que sobreviver de uma folga para a outra, merecem o tempo para viver”.

Novo ritmo para novos tempos
Em seu pedido pela aprovação da PEC, Benedita defendeu que “o Brasil precisa construir uma relação de trabalho mais justa, humana e compatível com o século XXI”. A deputada afirma ainda que a atual escala 6×1 não é compatível com os avanços, com o tempo em que nós estamos, cada vez mais sofisticando as nossas máquinas e os equipamentos de trabalho.

“Não há necessidade de se explorar mais e mais a mão de obra dos trabalhadores e trabalhadoras. Reduzir uma jornada exaustiva não significa diminuir a importância do trabalho; pelo contrário, significa reconhecer que esse trabalhador, que essa trabalhadora precisa descansar, precisa ser mais saudável, porque, com mais tempo, ele vai produzir muito mais”, concluiu Benedita da Silva.

Elisa Alexandre (página PT na Câmara)
Foto: Bruno Spada/Agência Câmara

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