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Campanha contra o desmonte de políticas públicas aponta governador de SP como “inimigo das mulheres”

Movimentos feministas e de mulheres lançam oficialmente, nesta quinta-feira (18 de junho), às 18h, a campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres!”. O evento de lançamento ocorre no auditório da APEOESP, localizado na Praça da República, no centro da capital paulista.

A mobilização, construída de forma coletiva, propõe um diálogo com a sociedade para denunciar a precarização das condições de vida e o desmonte da rede de proteção voltada à população feminina no estado de São Paulo.

Da promessa eleitoral ao topo do ranking de feminicídios
A atual crise na segurança pública das mulheres em São Paulo arrasta-se desde o período eleitoral. Em um dos debates da campanha de 2022 pelo governo do estado, o então candidato Fernando Haddad já havia alertado Tarcísio de Freitas sobre a gravidade da violência contra as mulheres na época, questionando-o diretamente sobre quais seriam suas ações para conter o avanço dos crimes. Na ocasião, Tarcísio prometeu uma resposta implacável.

Três anos após das promessas, o cenário não apenas se manteve crítico, mas piorou de forma acentuada:

Liderança nacional: hoje, o estado de São Paulo lidera os casos de feminicídio no Brasil.

Dados alarmantes : em 2024, 266 mulheres foram assassinadas no estado vítimas de feminicídio, e o início de 2025 registrou os piores índices desde o começo da série histórica de contagens.

Como resposta tardia à pressão dos números, a gestão estadual lançou recentemente um aplicativo voltado à segurança feminina. No entanto, os movimentos organizadores da campanha criticam duramente a medida, apontando que uma ferramenta digital não substitui o orçamento público, políticas de prevenção, delegacias estruturadas, acolhimento e proteção real.

Cortes e baixa execução orçamentária
Em contrapartida ao avanço da violência, o governo estadual promoveu um forte contingenciamento na área. O atual governador cortou recursos que deveriam ser destinados justamente ao combate ao feminicídio.

A gestão de Tarcísio de Freitas reduziu em 54,4% os recursos do orçamento de 2025 voltados à Secretaria de Políticas para as Mulheres. Na prática, o corte resulta em um investimento proporcional de apenas 18 centavos por mulher paulista para o ano inteiro.

Além do corte na previsão orçamentária, a eficiência dos gastos também é alvo de denúncias: o governo Tarcísio executou somente 28% do orçamento previsto para políticas de proteção às mulheres. Esse desmonte se reflete diretamente nas periferias, onde as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) seguem sem funcionar adequadamente nas 24 horas do dia.

Os quatro eixos centrais de denúncia
O debate de lançamento abordará os impactos da atual gestão em outras quatro áreas essenciais do cotidiano das trabalhadoras:

Trabalho e Renda – O apoio do governo à manutenção da escala de trabalho 6×1 é criticado por agravar a dupla jornada (trabalho profissional e doméstico) das mulheres. A disparidade salarial também persiste no estado, com mulheres ganhando, em média, 21,6% a menos que os homens.

Impacto das Privatizações – A privatização da Sabesp é associada ao reajuste tarifário de 6,11% na conta de água em 2026 e a falhas no abastecimento periférico. Os organizadores também criticam as constantes falhas no transporte de trens e metrô concedidos à iniciativa privada.

Desmonte da Educação – A redução da verba orçamentária da educação em São Paulo (de 30% para 25%) é apontada como a causa do fechamento de turmas do Ensino Noturno e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), afetando diretamente mães que estudam. O modelo de escolas cívico-militares também é criticado por desconsiderar o combate ao assédio e à misoginia.

Saúde e Assistência – O movimento questiona a recusa do governo estadual em aderir a programas federais, como a Política Nacional de Cuidados, o que acaba sobrecarregando o ambiente doméstico.

Serviço
O evento é aberto ao público e visa unificar as frentes de mobilização social.

Evento : Lançamento da Campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres!”

Data e Horário : 18 de junho, às 18h

Local : Auditório da APEOESP (Praça da República, 282, Centro, São Paulo – SP)

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