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Projeto “50+50”, fruto de emenda de Airton Faleiro, traz memórias da Transamazônica e chega a Santarém após passar por Marabá

Relembrar o histórico de um dos períodos mais marcantes e complexos da ocupação da Amazônia ganhou um novo capítulo. Fruto de uma emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Airton Faleiro (PT-PA), o Projeto Jornada Sociocultural 50+50 da Transamazônica e BR-163 realizou sua devolutiva pública em Santarém na última sexta-feira, dia 12 de junho. O evento multicultural e gratuito reuniu o lançamento de livros, exibições de filmes, debates e a apresentação de uma plataforma digital dedicados a registrar os 50 anos da colonização associada à abertura das grandes rodovias federais na região.

A passagem por Santarém consolida a estratégia de circulação da iniciativa pelo território paraense. O projeto é o resultado prático de um longo trabalho de imersão, pesquisa acadêmica, escuta social e documentação histórica realizado nas bacias hidrográficas do Tapajós, do Araguaia-Tocantins e do Xingu.

O sucesso da largada em Marabá
Antes de atingir o oeste paraense, a primeira grande prestação de contas pública do projeto ocorreu no município de Marabá, na região sudeste do estado. Considerada um dos marcos zero da Transamazônica, a cidade acolheu as primeiras mostras do acervo com forte participação popular.

Em Marabá, as rodas de conversa atraíram pioneiros da colonização, familiares de trabalhadores atraídos pelas promessas governamentais da década de 1970, além de lideranças indígenas e camponesas. Os encontros serviram para confrontar as narrativas oficiais da época da ditadura militar com as memórias reais de quem vivenciou o isolamento e as profundas transformações socioambientais na Amazônia Oriental.

A programação e os produtos culturais em Santarém
No último dia 12 de junho, a agenda em Santarém estendeu-se ao longo de um dia inteiro com atividades descentralizadas. Durante o período diurno, o Auditório da Unidade Tapajós da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) sediou debates técnicos, encontros entre pesquisadores e depoentes do projeto. Já no período noturno, a programação ocupou o espaço aberto em frente ao tradicional Museu João Fona, aproximando o acervo diretamente da comunidade local.

Quem compareceu teve acesso aos cinco grandes eixos de entrega do Projeto 50+50:

• Três livros de memórias: Obras literárias e fotográficas que reúnem crônicas, dados históricos e relatos pessoais da colonização;
• Cinco curtas-metragens: Filmes focados em recortes visuais específicos das bacias do Tapajós, Xingu e Araguaia-Tocantins;
• Plataforma Digital: Um portal virtual interativo contendo um banco de dados com dezenas de entrevistas e testemunhos históricos em áudio e vídeo;
• Documentário “Insurgências”: Longa-metragem dirigido pela cineasta Erika Bauer, cuja exibição oficial em Santarém marcou a abertura do Festival Cine Alter.

Patrimônio construído a muitas mãos
O financiamento via emenda parlamentar de Airton Faleiro permitiu uma articulação interinstitucional que envolveu o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), além de universidades federais, institutos federais e organizações da sociedade civil.

Para o deputado Airton Faleiro, o projeto cumpre o papel essencial de dar voz àqueles que foram historicamente invisibilizados pelos registros oficiais do processo de integração nacional:

“Depois do grande sucesso da devolutiva em Marabá, chegamos a Santarém com muita expectativa. O Projeto 50+50 registra as memórias dos colonos, agricultores, povos indígenas, comunidades tradicionais e de tantas pessoas que viveram os impactos da abertura da Transamazônica e da BR-163. É um patrimônio histórico construído a muitas mãos e que agora retorna para a sociedade em forma de livros, filmes, documentário e acervo digital”, destacou o parlamentar.

Após as etapas cumpridas em Marabá e Santarém, o cronograma oficial de circulação do Projeto 50+50 prevê atividades no município de Altamira — considerado o coração geográfico da rodovia Transamazônica —, seguido por programações na capital do estado, Belém, e um encerramento institucional em Brasília (DF).

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