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Deputado Emidio de Souza acusa gestão Tarcísio de impor sigilo para “esconder” R$ 4 bilhões em aditivo do Metrô

O deputado estadual Emidio de Souza (PT) subiu o tom contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após denúncias apontarem que a gestão estadual colocou sob sigilo documentos que justificam um aditivo bilionário nas obras da Linha 6–Laranja do Metrô. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar criticou severamente a falta de transparência na liberação de quase R$ 4 bilhões adicionais à concessionária Linha Uni.

“Quando há o que esconder, o sigilo se faz necessário. Tarcísio acha que a população de São Paulo é trouxa”, disparou o deputado em sua publicação.

A reação do parlamentar baseia-se em uma investigação jornalística do portal Metrópoles que revelou a resistência do governo paulista em abrir os dados que fundamentam o pagamento extra de R$ 3,7 bilhões (que chega a R$ 3,96 bilhões no teto do acordo de aceleração) para a concessionária. O montante foi autorizado sob a justificativa de contornar um imprevisto técnico na futura estação Higienópolis-Mackenzie.

No vídeo, Emídio questiona enfaticamente a razão pela qual o governo estadual recusou, por mais de uma vez, o fornecimento desses documentos sobre o aditamento à imprensa. O parlamentar lembrou ainda o histórico conturbado da Linha 6–Laranja, ressaltando que a obra já esteve envolvida em acidentes graves — sendo o mais famoso deles o desmoronamento de parte da pista da Marginal Tietê e a consequente inundação do túnel de escavação por baixo do leito do rio Tietê, ocorrido em fevereiro de 2022 após o rompimento de uma grande tubulação de esgoto.

O mistério da “superveniência geotecnológica”
O cerne da polêmica envolve o termo técnico “superveniência geotecnológica”. De acordo com a gestão Tarcísio, um problema geológico atípico no solo do centro da capital poderia arrastar as obras por mais três anos (1.096 dias). Para contornar a situação, a Linha Uni propôs um “cronograma acelerado”: o governo do Estado pagaria quase R$ 4 bilhões a mais para que as frentes de trabalho fossem intensificadas, reduzindo o atraso para “apenas” um ano.

No entanto, as justificativas que comprovariam a real necessidade desse gasto bilionário com recursos públicos seguem trancadas a sete chaves pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que tem negado sistematicamente os pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI).

A alegação oficial da agência para recusar a abertura do processo beira o inacreditável: a Artesp argumentou que possui apenas um funcionário na gerência de documentação e regulação, o qual estaria sem tempo ou disponibilidade para analisar a papelada e liberar o acesso público. De um total de mais de 301 documentos que compõem o processo de reequilíbrio financeiro, a agência forneceu apenas seis — nenhum deles relacionado ao suposto problema no solo.

Corrida contra o relógio e fins eleitorais
A pressa do Palácio dos Bandeirantes em injetar o dinheiro para acelerar os trabalhos possui um forte componente político. A gestão Tarcísio de Freitas corre contra o relógio para conseguir inaugurar o primeiro trecho da Linha 6–Laranja (entre as estações Brasilândia e Pompéia, na Zona Oeste) até o dia 4 de julho, prazo limite antes que as restrições do período eleitoral passem a vigorar.

O cronograma original da linha, assinado em 2020, previa a entrega desse trecho inicial para outubro de 2025 e a conclusão de toda a linha para outubro de 2026. Com o novo acordo blindado pelo governo, o segundo trecho da linha foi oficialmente postergado para outubro de 2027.

Críticas de especialistas
Especialistas em transparência pública criticam duramente a postura adotada pela administração paulista. Bruno Murassutti, da agência de dados públicos Fiquem Sabendo, aponta que a classificação de sigilo de documentos referentes a obras que envolvem bilhões de reais deveria ocorrer no momento do recebimento dos papéis, e não de forma reativa para barrar pedidos de jornalistas e parlamentares. Ele ressalta que, pelo montante envolvido, a divulgação ostensiva e proativa de todas as informações era o mínimo esperado por parte do Estado.

Procurada pela reportagem do Metrópoles, a Artesp emitiu notas conflitantes. Inicialmente justificou a falta de acesso pela sobrecarga do funcionário único, mas posteriormente afirmou que os estudos técnicos não estavam sob sigilo e que o evento geotécnico foi amplamente considerado ao longo do empreendimento. A concessionária Linha Uni preferiu não se manifestar sobre o caso.

Ao encerrar o pronunciamento nas redes, Emídio de Souza direcionou a cobrança diretamente ao chefe do Executivo paulista:

“Tarcísio, a população de São Paulo quer saber: por que você está guardando a sete chaves o segredo dos 4 bilhões?”

Clique abaixo para acessar o vídeo publicado por Emídio de Souza: https://www.instagram.com/reel/DZkbXiuR0hm/

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