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Chinaglia (PT-SP) aciona Ministério Público Eleitoral contra filme “Dark Horse” ​

A representação denuncia possível formação de caixa 2, campanha disfarçada de Flávio Bolsonaro e desinformação com o filme; petista pede investigação sobre o esquema financeiro insustentável bancado por banqueiro preso e o uso inédito do cinema para espalhar mentiras sobre as urnas eletrônicas

O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) enviou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), nesta quinta-feira (21), uma grave denúncia de possível caixa 2 e abuso de poder econômico e político no financiamento do filme “Dark Horse”, que pretende contar sob a ótica bolsonarista a trajetória de Jair Bolsonaro.

O foco da iniciativa de Chinaglia ao Ministério Público Eleitoral é que se investigue criminal e eleitoralmente o obscuro esquema de financiamento da produção — denúncias veiculadas pela imprensa que, segundo o deputado, precisam de respostas urgentes da Justiça Eleitoral.

​O parlamentar destrinchou na representação a completa inviabilidade econômica do projeto. Com base em levantamentos da imprensa sobre o plano de negócios do filme, o custo estimado chegaria a R$ 134 milhões. Para honrar o retorno prometido aos investidores, “Dark Horse” precisaria arrecadar entre R$ 459 milhões e R$ 804 milhões nas bilheterias. Para se ter ideia do absurdo matemático, a maior bilheteria da história do cinema nacional arrecadou R$ 181 milhões, e todos os filmes brasileiros lançados juntos em 2025 somaram R$ 215 milhões. Diante desse abismo financeiro, Chinaglia questiona ao MPE qual era o retorno realmente esperado pelos investidores, já que a conta comercial não fecha.

Recursos milionários
​A origem desse dinheiro é o principal alvo de críticas do deputado. Os recursos milionários negociados por Flávio Bolsonaro teriam vindo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master liquidado pelo Banco Central, que foi preso no aeroporto de Guarulhos no fim de 2025. A representação aponta que o dinheiro passou por uma empresa interposta (a Entre Investimentos e Participações Ltda.) para chegar à produtora.

Somado a isso, Chinaglia incluiu a denúncia de que ONGs ligadas à mesma produtora do filme receberam mais de R$ 111 milhões em recursos públicos, incluindo um contrato com a Prefeitura de São Paulo que já é alvo de investigação policial por suspeita de notas frias.

​Chinaglia também foi duro ao apontar o uso escancarado do filme como ferramenta política. Ele ressalta que Flávio Bolsonaro atua, ao mesmo tempo, como o arrecadador financeiro da obra e como pré-candidato à Presidência da República. A obra reproduz símbolos, cores e slogans do grupo político, e sua estreia foi estrategicamente marcada para 11 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno.

Desinformação eleitoral
​O ponto mais grave e inédito da denúncia do deputado, no entanto, é o uso do próprio roteiro do filme como prova material de desinformação eleitoral planejada. A peça vazada traz a afirmação criminosa de que fraudes e manipulações eleitorais “são abundantes” no Brasil (“Charges of election tampering and fraud are rampant”), sem apresentar qualquer evidência.

Chinaglia é o primeiro parlamentar a levar esse trecho específico ao MPE, alertando que, com seu orçamento estratosférico e distribuição nacional, o filme se torna o veículo mais caro já financiado no Brasil para disseminar a narrativa golpista contra as urnas eletrônicas.

Foto: Bruno Spada/Agência Câmara

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