O modelo de concessões e privatizações promovido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a ser centro de intensas críticas após um episódio marcado por pânico e colapso no transporte público da Região Metropolitana de São Paulo
Na manhã do último dia 23 de julho, passageiros que dependem das linhas de trem geridas pela iniciativa privada enfrentaram momentos de desespero. Uma falha elétrica grave resultou na explosão e incêndio de um vagão, forçando a interrupção simultânea de três linhas da CPTM (11-Coral, 12-Safira e 13-Jade). O episódio, considerado uma situação inédita e assustadora, deixou centenas de trabalhadores caminhando sobre os trilhos no escuro, no meio da fumaça, enquanto pessoas tentavam quebrar janelas para escapar e feridos precisavam ser socorridos por ambulâncias.
O colapso no sistema de transporte ganhou destaque na imprensa nacional. Em reportagem exibida pela GloboNews no dia 23 de julho, o repórter André Sampaio e o apresentador Marcelo Colombo definiram o cenário enfrentado pela população trabalhadora paulista como um verdadeiro “caos”:
“Não existe outra palavra senão caos. Foi uma manhã caótica para o trabalhador aqui de São Paulo (…). Três linhas (11, 12 e 13) ficaram completamente suspensas” — ressaltou o repórter André Sampaio.
Reagindo às imagens de terror registradas nas estações e nos trilhos, o deputado estadual Emidio de Souza usou suas redes sociais para denunciar a situação e criticar a política de privatizações do Palácio dos Bandeirantes, apelidando a gestão do governador de “Tragédia de Freitas”.
Nacionalmente repercutido, um dos vídeos divulgados por Emidio mostra os bastidores do incêndio nos vagões com a narração contundente:
“Essas imagens são reais. Fogo no trem. O que mais precisa ser dito? No apagar das luzes de seu governo, Tarcísio entrega o que resta de patrimônio paulista em uma xepa desesperada. No terceiro dia das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade sob o comando da iniciativa privada, o trabalhador viveu caos e medo. Enquanto o paulista corre risco caminhando pelos trilhos no meio da fumaça, o governador comemora. O que mais precisa ser dito? Por que Tarcísio continua entregando o patrimônio paulista a concessões e privatizações?”
Da mobilidade à água: os reflexos na Sabesp
Para Emidio de Souza, opositores e especialistas, a crise nos trilhos não é um fato isolado, mas sim o sintoma de uma política privatista que tem falhado em entregar eficiência à população. O exemplo mais citado desse cenário é o contrato de privatização da Sabesp, que completa dois anos em julho sob duras críticas em relação às tarifas, à qualidade dos serviços e à segurança operacional.
A crise no saneamento coleciona episódios críticos em diversos municípios paulistas. Recentemente, a falha de prestação de serviços da Sabesp privatizada provocou o desabastecimento de água em cerca de 70% da cidade de São José dos Campos, no Vale do Paraíba — a nona maior população do Estado —, gerando forte comoção e cobranças oficiais por parte do parlamentar.
Em vídeo publicado sobre os dois anos do processo de venda da companhia, o deputado Emidio reforçou o descontentamento popular e rebateu as promessas do governo estadual:
“Nesse final de julho completa dois anos da privatização da maior empresa pública de São Paulo, a Sabesp. E você já sabe qual foi o resultado. Segundo pesquisa recente [Datafolha], os paulistas rejeitam a privatização da Sabesp porque sentiram na pele os efeitos do que aconteceu. Além dela ter sido vendida na chamada ‘bacia das almas’, muito abaixo do seu valor de mercado, dando ganhos milionários para a turma da Faria Lima, a Sabesp não entregou o que prometeu.
Tarcísio disse em entrevista que a Sabesp ia reduzir a tarifa de água cobrada dos moradores […] Primeira mentira! A Sabesp aumentou em muito. A qualidade da água em São Paulo piorou. Não são poucos os relatos de pessoas que tomam água de cor barrenta, com cheiro desagradável […]. E a outra coisa é a falta de água em vários lugares do Estado de São Paulo.
Ou seja, só há uma pessoa nesse Estado que acha que a privatização deu certo: é o Tarcísio e os membros do seu governo. Ele não admite que houve problemas na privatização, que a Sabesp não está dando conta do recado. Isso para não falar dos acidentes, das mortes, das obras feitas de qualquer forma, da falta de capacidade técnica. Vamos lembrar que a Sabesp demitiu quase a metade do seu efetivo, principalmente aqueles funcionários mais experientes. Por isso que hoje dá problema em obra, por isso que tem vazamento, por isso que tem acidente, por isso que já morreram pessoas em obras da Sabesp. Enfim, gente: dois anos de privatização, nada para comemorar.”
Com o acúmulo de panes nos trens, escassez de água no interior e tarifas em alta, a pressão política exercida por Emidio de Souza e pela oposição sobre o Palácio dos Bandeirantes se intensifica. A população de São Paulo segue cobrando respostas e fiscalização rigorosa diante do descalabro nos serviços públicos fundamentais.
Veja os vídeos publicados por Emidio em suas redes sociais:
1- https://www.instagram.com/reel/DbJpsoeOePF/
2 – https://www.instagram.com/reel/DbI4xHxRxy3/
Veja também matéria da Galera Vermelha sobre a situação de desabastecimento em São José dos Campos: https://galeravermelha.com.br/70-de-sao-jose-dos-campos-sem-agua-emidio-de-souza-cobra-explicacoes-e-questiona-a-privatizacao-da-sabesp/
Por Luiz Henrique Gurgel (Galera Vermelha)










