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Promovida pelo deputado Marcolino, Audiência Pública na Alesp propõe a criação de grupo interministerial para discutir saúde mental dos bancários

Pressão por metas abusivas, assédio e insegurança no trabalho levam ao adoecimento mental crescente na categoria, que enfrenta desafios agravados pela automação

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quinta-feira (31/07), durante audiência pública convocada pelo deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT), foi proposta a criação de um grupo interministerial para discutir soluções à crise crescente de adoecimento mental que atinge bancários em todo o país.

Especialistas, lideranças sindicais, representantes do Ministério Público, pesquisadores e trabalhadores debateram os impactos do modelo de gestão das instituições financeiras, marcado por metas abusivas e pressão constante.

O deputado Marcolino propôs que a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Febraban integrem essa mesa de trabalho. Ele também se comprometeu a levar a demanda ao Ministério do Trabalho, reforçando a necessidade de fiscalização mais rigorosa e responsabilização dos bancos. “Vamos construir políticas públicas eficazes, como fizemos no passado com a LER e a DORT”, afirmou.

A advogada especialista em direitos humanos, Maria Leonor Poço Jakobsen, chamou atenção para o assédio institucionalizado no setor bancário, especialmente ligado às metas abusivas, que ultrapassam o limite da autonomia dos trabalhadores. Ela criticou ainda a dependência dos médicos do trabalho contratados pelos bancos, o que dificulta o diagnóstico correto e a proteção à saúde dos bancários.

Para a Secretária Geral da FETEC-CUT/SP, Ana Lúcia Ramos, o medo de perder o emprego faz com que muitos bancários não busquem ajuda para os problemas de saúde mental. “Essa insegurança só agrava a situação”, disse, ressaltando a importância de garantir o direito dos trabalhadores de decidir sobre sua própria saúde.

O secretário de saúde e condições de trabalho da CONTRAF-CUT, Mauro Salles, apresentou dados preocupantes: “Em 2024, os bancários lideraram os afastamentos por doenças mentais. Um quarto dos afastamentos reconhecidos pela Previdência é da categoria, e muitos dependem de medicamentos para continuar trabalhando.” Ele também destacou a gravidade do suicídio entre bancários, com um caso a cada 20 dias.

A pesquisadora da Fundacentro, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, Maria Maeno, alertou para a subnotificação dos casos, que prejudica a criação de políticas públicas efetivas. “Essa ocultação compromete a saúde dos trabalhadores e a sociedade como um todo.”

Do Ministério Público do Trabalho (MPT), o procurador Patrick Maia Merísio reforçou que o adoecimento mental deve ser encarado como uma forma de violência no trabalho, “uma violação grave dos direitos dos trabalhadores que precisa de resposta institucional.”

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, denunciou que os bancos têm consciência do adoecimento que provocam, mas mantêm práticas prejudiciais enquanto fazem lobby para evitar responsabilizações no Judiciário e no INSS. Ela também apontou que a automação e a inteligência artificial aumentam a pressão psicológica sobre a categoria.

Entre os trabalhadores que participaram, Valesca relatou que o sindicato tem recebido diversas denúncias sobre o agravamento da saúde mental da categoria e fez um apelo por uma audiência nacional. “Apelamos para uma audiência em Brasília, no Ministério do Trabalho, para debater essa questão”, afirmou.

Rosângela Lorenzetti, secretária de Saúde da FETEC-SP, reforçou o desgaste da profissão: “A nossa profissão nos define e está nos adoecendo. Precisamos denunciar o desdém, o descaso e a falta de respeito com que os bancos têm lidado com a saúde mental dos bancários.”

O secretário de Saúde dos Bancários de Pernambuco, Alan Patrício, apresentou um dossiê detalhado sobre a realidade local e se emocionou ao relatar os casos acompanhados. “Me emociono ao acompanhar os casos de adoecimento dos bancários. Sofro junto com eles”, disse, antes de encerrar sua participação.

A bancária Vera também denunciou o negacionismo dos bancos em relação às doenças ocupacionais. “Os bancos negam sistematicamente. Há um negacionismo claro em relação às doenças”, afirmou.

Ao final, o deputado Luiz Claudio Marcolino destacou os encaminhamentos para ampliar o debate e pressionar por mudanças:

“Não podemos mais tratar o adoecimento dos bancários como algo individual. A responsabilidade é do modelo de gestão, que precisa ser revisto com urgência.” Entre os próximos passos estão a realização de uma audiência em Brasília com o Ministério do Trabalho e a criação de uma mesa nacional para diálogo com a Febraban e órgãos públicos.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Deputado Estadual Luiz Claudio Marcolino
Foto: Kaike dos Santos/ Grazyele Cardoso

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