Encontrar formas de enfrentar o impacto das fortes ondas de calor nas unidades de ensino do estado. Essa questão foi debatida na audiência pública “Como Ensinar e Aprender em Salas de Aula sem Condições Ambientais no Calor Extremo”, realizada nesta quarta-feira (12), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O evento foi promovido pela deputada Professora Bebel (PT) e contou com diversos profissionais ligados ao assunto.
“Se em casa já é difícil enfrentar o calor, imagine em uma sala com mais de 30 alunos? Temos salas de aula com projetos arquitetônicos totalmente desfavoráveis a esse clima. A intensidade do sol tem vindo com mais força e o material utilizado nas obras gera ainda mais calor”, afirmou a deputada, dando início ao debate.
De acordo com Bebel, é preciso um pacto global para atender a emergência climática de forma correta. “Não basta apenas colocar ventilador e ar-condicionado. É preciso pensar na inclusão e sustentabilidade. Planejar um futuro que todos façam parte”, acrescentou a parlamentar, lembrado que, desde o fim da pandemia, vem pedindo um calendário de adaptação e reformas nas escolas públicas no estado. “Entendemos que não dá para reformar 5 mil escolas de uma vez, mas poderia ao menos começar”, disse.
Em contrapartida, o diretor do Centro de Planejamento e Obras da Secretaria da Educação do estado, Wellington Silva, informou que o Governo iniciou, no primeiro trimestre do ano passado, um trabalho de climatização das unidades escolares. O objetivo, segundo ele, é realizar modificações em 1.056 escolas na primeira metade de 2025. Desse total, 746 unidades já estão com a refrigeração funcionando. “O objetivo é climatizar um total de 2,1 mil escolas até o fim da gestão”, apontou Silva.
Transformações
Por sua vez, o diretor executivo adjunto do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Leonardo Rafael Musumeci, ressaltou que a melhoria da qualidade de vida nas escolas passa obrigatoriamente pela mudança de postura e participação das cidades como um todo. É na unidade escolar que as transformações – ou a falta delas – são percebidas mais diretamente.
“Esse tema é fundamental. Os impactos das mudanças climáticas estão intimamente ligados à questão das cidades. São nelas que se produz a maior parcela do impacto e os problemas são sentidos. Há um processo de urbanização perverso das cidades brasileiras e as escolas podem ser um ponto de enfrentamento disso. A escola é a representação do que está sendo feito em termos de política pública”, comentou, apontando possíveis caminhos.
“Ar-condicionado demanda manutenção e ventilador faz barulho. Sendo assim, o desafio pode ser equacionado pelas próprias edificações das escolas, sendo construídas de forma mais adequada para amenizar os impactos do clima”, opinou Musumeci.
Emergência
Representando o Governo Federal, a coordenadora-geral de Educação Ambiental para a Diversidade do Ministério da Educação e Cultura, Viviane Vazzi Pedro, apresentou dados que demonstram claramente a urgência do tema.
“Temos dados gravíssimos em relação às ondas de calor. São 2,5 milhões de estudantes no Brasil que vivem em salas de aula com temperaturas 3 graus centígrados mais altas que no Centro da cidade, por exemplo”, disse. “Apenas 33,9% das estruturas do país estão climatizadas. Em São Paulo, isso representa 2%”, mostrou.
Viviane ainda mencionou um dado alarmante: 37% das escolas brasileiras não têm áreas verdes, o que poderia amenizar a sensação térmica. “Não temos um plano geral de enfrentamento e resiliência sobre a emergência climática. São os professores que estão sendo treinados a fazer isso. Precisamos de um pacto de gestão para uma educação ambiental sistêmica. É preciso desemparedar e desconcretar as escolas. Esse é um dos pedidos mais frequentes dos estudantes ouvidos por nós”, completou a representante do Ministério da Educação e Cultura.
Fonte: Redação Alesp
Foto: Larissa Navarro