A Sessão Solene da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, presidida pelo deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT) nesta sexta-feira (19), tornou-se um espaço de memória e resistência ao relembrar a greve dos bancários que paralisou o sistema financeiro nacional em 11 de setembro de 1985. Considerada um marco na redemocratização do país e no sindicalismo brasileiro, a mobilização nacional reuniu mais de 500 mil trabalhadores em meio ao processo de transição da ditadura para a democracia.
“A coragem da categoria bancária em 85 ajudou a moldar o Brasil democrático que hoje buscamos fortalecer”, destacou Marcolino. “A greve de 1985 foi um divisor de águas não só para os bancários, mas para todo o movimento sindical brasileiro. Ela mostrou que a força organizada dos trabalhadores poderia enfrentar banqueiros e governos, e conquistar avanços e inspirar outras categorias”, completou o parlamentar, que é bancário de carreira e ex-presidente do sindicato da categoria em São Paulo.
Conquistas
Líderes de confederações, sindicalistas e ex-dirigentes sindicais destacaram os resultados obtidos à época, como significativos reajustes salariais e benefícios. Eles associaram a greve de 1985 a conquistas que se consolidaram nos anos seguintes, a exemplo do auxílio-creche, vale-refeição, jornada de seis horas, convenção coletiva nacional e participação nos lucros e resultados (PLR).
Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Neiva Ribeiro, afirmou que compreender a trajetória da greve é essencial para enfrentar os dilemas da atualidade. Segundo a sindicalista, a categoria está “no centro de uma reconfiguração do sistema financeiro”, com vigilância digital e uso da inteligência artificial para monitorar trabalhadores. “Para fazer as lutas do futuro, precisamos entender as do passado”, destacou.
Já a presidenta da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo (Fetec SP), Aline Molina, destacou que a maior herança da greve é a Convenção Coletiva, seguida da unidade construída no Comando Nacional. “O mundo [do trabalho] mudou, mas temos certeza de que os trabalhadores estarão organizados e irão à luta”, disse.
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, relacionou a mobilização de 1985 ao fortalecimento institucional da categoria. Ela sublinhou que a Convenção Coletiva dos Bancários, que nos anos 1990 reunia apenas 47 cláusulas, hoje conta com 171 dispositivos, abrangendo temas como condições de trabalho, saúde, igualdade de oportunidades e empoderamento feminino. Para Juvandia, reconhecer essas conquistas é uma maneira de “defender a democracia e a soberania nacional”.
Organização
Para ex-dirigentes sindicais que participaram da greve, como João Vaccari Neto, Luiz Azevedo e Gilmar Carneiro, o êxito da greve dos bancários de 1985, em plena transição democrática, deveu-se à estratégia de articulação nacional. A mobilização rompeu com as campanhas fragmentadas ao estabelecer um comando unificado e um calendário nacional de luta. “Foi um movimento fenomenal”, resumiu Azevedo, ao destacar que a greve uniu trabalhadores de várias funções – de contínuos a gerentes – em torno de pautas comuns.
Homenagens
Durante a solenidade em homenagem aos 40 anos da histórica greve dos bancários, foram entregues placas simbólicas a ex-dirigentes sindicais, militantes e bancários que atuaram na mobilização de 1985, enfrentando riscos e repressões em defesa dos direitos da categoria. Entre os homenageados, Sonia Estela da Silva, conhecida como Fumaça, relembrou sua trajetória de resistência durante a ditadura militar. “Carrego a marca de nunca viver de cabeça baixa. Fui presa porque não aceitei o silêncio que tentaram nos impor”, disse.
Assista à Sessão Solene, na íntegra, na transmissão realizada pela Rede Alesp:
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Fonte: Redação – Alesp
Fotos: Bruna Sampaio – Alesp











