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Presidente Lula: “A COP30 será a COP da verdade”

Em evento da ONU em Nova Iorque, presidente brasileiro cobra compromisso dos países e alerta para os riscos do negacionismo climático

No último dia da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o presidente Lula discursou na abertura do Evento Especial sobre Clima para Chefes de Estado e de Governo . Presidida por ele próprio e pelo  secretário-geral da ONU, António Guterres, a cúpula  reuniu chefes de Estado e de governo para discutir o futuro do Acordo de Paris e os compromissos dos países rumo à COP30, a conferência do clima que será realizada em Belém, no Pará, em novembro deste ano.

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O mundo diante da urgência climática

Em sua fala, Lula questionou se a comunidade internacional chegará à COP com a “lição de casa feita”. Ele lembrou que o Acordo de Paris deu liberdade aos países para formular suas metas de redução de emissões, mas  ressaltou que esses compromissos, chamados de NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), são obrigatórios. 

O presidente criticou a postura de países que ainda não cumpriu as suas metas. “Sem o conjunto das NDCs, o planeta caminha no escuro. Só com o quadro completo saberemos para onde e em que ritmo estamos indo”. E denunciou o avanço do negacionismo climático, reforçando  que ninguém  está a salvo dos efeitos das mudanças do clima. “Muros tempestade nas fronteiras não conterão secas nems. A natureza não se curva às bombas nem a navios de guerra. Nenhum país está acima do outro”.

 

Compromissos do Brasil

A nova NDC apresentada pelo Brasil traz metas ambiciosas. “Estamos comprometidos em reduzir as emissões de todos os gases do efeito estufa entre 59% e 67%, abrangendo todos os setores da economia. Nossa meta de zerar o desmatamento até 2030 contribuirá para concretizar esse objetivo”, explicou.

Lula ressaltou ainda que não há como dissociar a preocupação ambiental da justiça social. “Ao sediar a COP na Amazônia, o Brasil quer mostrar que não há como preservar a natureza sem cuidar das pessoas. Não há como revolucionar nossa relação com o planeta sem engajar uma ampla gama de atores”.

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O risco da fragmentação

Ao longo de seu discurso, o presidente brasileiro alertou para os efeitos negativos da fragmentação internacional que acontece naquele momento e ameaça a cooperação global. “Cada compromisso romântico é um convite para as novas atitudes isoladas. O resultado é um ciclo vicioso de desconfiança e paralisia”.

E defendeu que os países resgataram a privacidade da mobilização coletiva. Para ele, a transição energética pode ser o motor de uma nova revolução produtiva, desenvolvida à Revolução Industrial.

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“A COP da verdade”

Encerrando sua participação, Lula fez um apelo direto aos países que ainda não definiram suas metas climáticas. “O sucesso da COP30 de Belém depende de vocês. Vamos juntos fazer da Amazônia o palco de um momento decisivo”.

Por fim, concluiu com uma advertência. “Eu tenho dito que a COP30 é a COP da verdade. Essa COP vai ter que dizer se nós acreditamos ou não no que a ciência está nos mostrando. Porque se não tomarmos decisão, a sociedade vai parar de acreditar nos seus líderes […] E todos nós perderemos, porque o negacionismo poderá vencer”.

Fonte: Redação do PT Nacional
Foto: Ricardo Stuckert/PR

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