Devido ao afundamento do solo, imóveis desabaram; outros tiveram que ser desocupados e demolidos
O deputado Paulão (PT-AL) usou a tribuna da Câmara nesta terça-feira (3) para denunciar que hoje completa oito anos do “maior crime ambiental urbano do mundo, praticado pela empresa criminosa chamada Braskem, em Maceió”. Ele relembrou que o afundamento do solo provocado por décadas de exploração de sal-gema pela empresa, prejudicou mais de 60 mil pessoas, que tiveram que sair de forma abrupta dos seus imóveis, destruindo 15 mil imóveis. “E até agora a Braskem não fez a reparação”, lamentou.
De acordo com o parlamentar, a estimativa de prejuízos e obrigações de reparação pode chegar a R$ 20 bilhões. “Agora, o que é grave? Ninguém foi punido, principalmente os diretores da Braskem”, protestou.
O desastre social ambiental teve início em 2018, quando tremores de terra passaram a atingir bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Estudos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) apontaram relação entre a instabilidade do solo e décadas de atividade de mineração de sal-gema na região. Desde então, áreas inteiras foram desocupadas, com impacto direto sobre moradores, comerciantes e equipamentos públicos. A mineração foi encerrada em 2019.
Demora nas medidas judiciais
Paulão também fez críticas ao Ministério Público Federal e à Defensoria Pública da União, alegando demora na adoção de medidas judiciais e questionando a atuação dos órgãos no caso. “O Ministério Público Federal só ingressou com ação depois de 7 anos, quando o processo já estava prejudicado”, denunciou.
O parlamentar citou ainda a situação de lideranças comunitárias, como o líder Maurício Sarmento e o jornalista Alexandre Sampaio que, por terem tido coragem de fazer a denúncia, foram punidos pelo Ministério Público Federal e pela Defensoria Pública da União, “órgãos que deveriam fazer defesa principalmente dos moradores atingidos”.
Omissão das autoridades
Paulão apontou omissão de vários prefeitos e governadores no processo, desde o início da mineração pela antiga Salgema Indústrias Químicas (e depois Trikem), que foi absorvida pela Braskem em 2002. “Desde aquela época que essa situação continua sendo motivo de dor, repito, para mais de 60 mil pessoas que tiveram que sair das suas residências, com suas histórias e memórias”.
O deputado concluiu pedindo celeridade e coragem das autoridades competentes, principalmente o Poder Judiciário, “para punir o maior crime ambiental urbano do mundo e essa empresa criminosa chamada Braskem”.
Para Paulão, no entanto, o episódio permanece como uma ferida aberta na capital alagoana. “São mais de 60 mil pessoas que perderam suas casas, suas memórias e suas relações. É preciso celeridade e coragem para punir os responsáveis”, afirmou.
Por Vânia Rodrigues (página PT na Câmara)
Foto: Divulgação/Prefeitura de Maceió











