Ex-presidente, o criador e propagador de fake news, é o ‘homenageado’ neste 1º de Abril
No ‘Dia da Mentira’, comemorado nesse 1º de Abril, o ex-presidente Jair Bolsonaro é o grande ‘homenageado’ pela Bancada do PT na Câmara, pelas inúmeras inverdades e fake news proferidas e disseminadas por ele, enquanto foi presidente e mesmo após ter perdido a eleição de 2022 para o presidente Lula. Ao replicarem a hastag #BolsonaroDay, deputados e deputadas petistas relembraram algumas das inúmeras mentiras repetidas pelo ex-presidente durante o seu mandato.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), destacou a grandiosidade do número de mentidas já ditas pelo ex-presidente Bolsonaro. “Hoje é 1º de Abril (Dia da Mentira) e cabe lembrar de uma coisa: Sabe quantas mentiras Bolsonaro disse, em média, durante seu governo? Ele mentiu cerca de 4,58 vezes por dia. No total foram 6.676 declarações falsas ou distorcidas. Ele é mentiroso compulsivo! #BolsonaroDay”, escreveu o parlamentar ao citar dados levantados pela agência de checagem Aos Fatos.
Réu por conta da tentativa de golpe de Estado após perder a eleição de 2022, o ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro adotou a mentira como estratégia política para se manter no poder e atiçar sua base eleitoral. Parte considerável dessas inverdades foram proferidas durante a pandemia da Covid-19, com declarações totalmente mentirosas ou com conteúdo distorcido. Segundo a agência Aos Fatos, foram 2.511 declarações falsas ou distorcidas verificadas, ou pouco mais de um terço das frases checadas.
“Gripezinha”
Entre as mentiras mais lembradas, estão a declaração dada por Bolsonaro em rede nacional, na qual classificou a Covid-19 como uma “gripezinha”. Na ocasião ele também declarou que, se contraísse o vírus, não iria sofrer maiores consequências por ter “histórico de atleta”. Durante a pandemia, o ex-presidente ainda minimizou a gravidade da doença, atacou as medidas de distanciamento social – ao afirmar mais de uma vez que não adiantavam nada – defendeu o uso de medicamentos sem eficácia para combater o vírus – cloroquina e outros – além de atacar as vacinas.
Jacaré
Sobre os imunizantes, o ex-presidente chegou a dizer que se uma pessoa “virasse jacaré”, por ter se vacinado o problema não seria dele, e em uma live para seus seguidores ainda insinuou que a vacina teria relação com a proliferação do vírus da AIDS.
Mentira mais repetida
Segundo a agência Aos Fatos, o ex-presidente apostou na repetição de argumentos falsos para incutir a desinformação entre seus seguidores. Das 6.676 declarações verificadas, 4.690 (70,2%), foram ditas mais de uma vez. O argumento mentiroso mais repetido foi o de que “não havia corrupção em seu governo”. Essa declaração é facilmente desmentida pelos inúmeros casos de malfeitos praticados por ministros, e por ele próprio, durante seu governo. O caso mais rumoroso envolvendo diretamente Jair Bolsonaro foi o caso das joias ganhas por Jair Bolsonaro como presente em uma viagem oficial a países do Oriente Médio e que deveriam ser incorporadas ao patrimônio público.
As joias (entre elas kits de ouro branco e outro de ouro rosé, com relógio da marca Rolex, caneta, anéis e abotoaduras) foram vendidas por aliados próximos do então presidente nos Estados Unidos, e depois recomprados e enviadas ao Brasil após o caso ser revelado pela imprensa.
Urnas eletrônicas
Outra mentira muito repetida por Bolsonaro foi sobre uma suposta fraude nas urnas eletrônicas utilizadas no País. Dita desde 2018, quando ele alegava que teria ganho aquela eleição “com 70% dos votos”, a inverdade continuou durante todo o seu governo – com ataques sistemáticos à justiça eleitoral – e culminou com atos antidemocráticos em todo o País que fomentaram a tentativa de golpe em 2022 e no 8 de Janeiro.
Ditadura
O ex-presidente sempre também mentiu sobre o golpe militar no Brasil e as consequências da ditadura militar. Bolsonaro sempre alegou que o golpe ocorreu para “salvar o Brasil do comunismo” e que, por isso, o movimento teria sido “democrático”. Em uma entrevista a TV Câmara em 1999, o então deputado Jair Bolsonaro disse: “Não há a menor dúvida, eu daria o golpe no mesmo dia”.
“Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil. Começando com FHC, não deixando ir para fora, não. Matando! Se vai morrer alguns inocentes (sic), tudo bem”, justificou.
Patriotismo
Apesar de se autodeclarar, “patriota”, o discurso do ex-presidente também demonstra ser totalmente falso. Enquanto era presidente do Brasil, Bolsonaro bateu continência para a bandeira dos Estados Unidos. Durante seu governo, o ex-presidente também manteve uma atitude de subserviência ao então presidente Donald Trump, além de ter adotado uma política entreguista na economia, obedecendo a lógica neoliberal norte-americana.
Meio Ambiente
Declarações falsas de Jair Bolsonaro também foram dirigidas as questões ambientais para justificar o fracasso de seu governo na contenção do desmatamento e das queimadas na Amazônia. O ex-presidente chegou a declarar que a Amazônia não poderia pegar fogo por ser uma “floresta úmida”. Ele questionou ainda imagens do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que comprovavam a existência das queimadas, ao dizer que os satélites registravam “até fogueiras de São João”, como se fossem incêndios.
Tentativa de Golpe
Réu por tentativa de golpe, o ex-presidente Bolsonaro tem repetido que não houve trama golpista e que não existem provas para condená-lo em relação a esse fato. Apesar dessas declarações, investigação da Polícia Federal, corroboradas por avaliação da Procuradoria-Geral da República e aceitas pela 1ª turma do STF, apontam para inúmeras provas envolvendo Bolsonaro e seus auxiliares próximos na tentativa de golpe coletadas por delação premiada, quebra de sigilo de ligações telefônicas e de dispositivos eletrônicos de envolvidos na trama.
Leia abaixo outras declarações de parlamentares sobre as mentiras compulsivas de Bolsonaro:
Deputado Dimas Gadelha (PT-RJ) – “No Brasil, a mentira já teve muitos donos, mas nenhum fez tanto estrago quanto um ex presidente. Disse que a pandemia era “gripezinha”, que as urnas eram fraudadas e que golpe era “tentativa de auditoria”. No Dia da Mentira, nem precisa inventar nada novo. O legado já é fake suficiente”.
Deputado Josias Gomes (PT-BA) – “Todos sabem que 1º de abril é o Dia da Mentira. E, entre tantas mentiras propagadas pela extrema direita, a de que Bolsonaro é patriota talvez seja a mais grotesca”.
Deputado Bohn Gass (PT-RS) – “É triste, mas o Brasil teve um presidente (hoje inelegível e réu por tentativa de golpe), que fez da mentira sua estratégia de governo. Ele mentiu sobre urnas, pandemia, golpe e, agora, mente que é inocente. O #DiaDaMentira cabe perfeitamente em Jair Messias Bolsonaro”.
Também fizeram menção ao assunto nas redes sociais os parlamentares petistas Luizianne Lins (CE), Helder Salomão (ES) e Ana Pimentel (MG).
Fonte: Héber Carvalho com informações da Agência Aos Fatos e Revista Fórum