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Ministro Fernando Haddad defende cooperação econômica e justiça tributária em evento na França

Ministro da Fazenda abriu cerimônia do Diálogo Brasil-França, em Paris, apontando medidas para atender às necessidades dos dois países, mas que também contribuam para um mundo mais justo e sustentável

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou nesta terça-feira (1º/4) a importância do fortalecimento da cooperação bilateral entre Brasil e França para a construção de uma economia mais justa e sustentável. Ao lado do ministro francês da Economia, Finanças e Soberania Industrial e Digital, Éric Lombard, ele participou da abertura da cerimônia do Diálogo Econômico-Financeiro de Alto Nível Brasil-França, em Paris. “Temos a oportunidade de continuar a trabalhar pelo adensamento da cooperação econômica, com especial atenção à área de financiamento para a transformação ecológica, bem como à construção de uma tributação mais justa e ao desenvolvimento de projetos econômicos estratégicos”, afirmou o ministro.

Durante seu discurso, ele lembrou que o evento ocorre em um momento simbólico entre os dois países, que celebrarão o bicentenário de suas relações diplomáticas, em 2026. Segundo Haddad, além de compartilhar valores e princípios universais, como a defesa da democracia, a centralidade do multilateralismo e a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável, brasileiros e franceses estão unidos por laços culturais desenvolvidos ao longo desses 200 anos.

Acesse o discurso do ministro Haddad na abertura dos Diálogos Econômicos Brasil-França

Na visão do ministro, a colaboração entre Brasil e França é crucial, especialmente em tempos de desafios globais. “Este Diálogo representa um passo importante na parceria econômico-financeira do Brasil com a França, refletindo uma visão compartilhada para enfrentar os desafios que temos pela frente e propor soluções adequadas às realidades brasileira e francesa. Juntos, podemos desenvolver estratégias que não apenas atendam às necessidades de nossas economias, mas também contribuam para um mundo mais justo e sustentável”, enfatizou.

Crescimento e reformas

O ministro também destacou o avanço da economia brasileira em 2024, com crescimento de 3,4% do PIB e uma taxa de desemprego de 6,6%, a menor da série histórica. Ele ressaltou a importância das reformas estruturais em curso, como a implementação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e a reforma do Imposto de Renda. “Elas permitem reduzir a burocracia para empresas, cidadãs e cidadãos, facilitando o ambiente de negócios, estimulando o crescimento econômico e também introduzindo elementos fundamentais de justiça tributária”, afirmou.

Outra medida apresentada foi o Plano de Transformação Ecológica (PTE), iniciativa do governo brasileiro para fomentar o desenvolvimento sustentável. O ministro destacou a emissão de títulos soberanos sustentáveis, com recursos destinados ao Fundo Clima, e a criação de uma taxonomia sustentável para orientar investimentos ecologicamente responsáveis.

Acesse o comunicado conjunto à imprensa na cerimônia do Diálogo Econômico-Financeiro de Alto Nível Brasil-França

Fernando Haddad ressaltou que o Diálogo Brasil-França ocorre em um momento de conjuntura internacional desafiadora, no qual a liderança brasileira na COP reflete o compromisso brasileiro com a agenda climática global. Frisou que a COP 30 marcará 20 anos da entrada em vigor do Protocolo de Quioto e dez anos da adoção do Acordo de Paris. “Esta Cúpula deve ser um símbolo de esperança e de ação, e não da paralisia ou fragmentação. Sabemos que, se o aquecimento global não for controlado, as mudanças nos serão impostas, desestruturando nossas sociedades e economias”, alertou.

Financiamento climático

Nesse contexto, ele entende que os Ministérios de Finanças têm um papel especial de mobilizar recursos para o financiamento climático, especialmente no âmbito do Roteiro Baku a Belém, para mobilização dos círculos financeiros globais em torno do objetivo de canalizar pelo menos US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático dos países em desenvolvimento até 2035.

Haddad também destacou “as propostas bem-sucedidas da Presidência Brasileira do G20 para a mobilização de capital privado” como exemplos concretos de que é possível um avanço conjunto e citou a necessidade de aumentar a colaboração para mobilizar mais capital destinado a países em desenvolvimento. Outro foco é a criação de mecanismos de justiça tributária global, incluindo a tributação de indivíduos super-ricos, tema defendido pelo Brasil no G20.

Outro destaque foi o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), proposta que visa a remunerar países que mantêm suas florestas em pé, contribuindo para a redução da pobreza e promovendo o desenvolvimento econômico nas nações florestais. Além do TFFF, o ministro mencionou o mercado de carbono como iniciativa que demonstra o compromisso em criar um ambiente propício para investimentos sustentáveis. “Ao unir forças, podemos criar um sistema financeiro que não apenas promova o crescimento econômico, mas que esse crescimento esteja atrelado ao respeito ao meio ambiente e às comunidades”, afirmou.

Comunicado conjunto

Ao final do evento, um comunicado conjunto salientou o engajamento econômico anterior entre os dois ministérios e a reformulação da plataforma de Diálogo após a visita do presidente francês, Emmanuel Macron, ao Brasil, em março de 2024 e em antecipação à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à França, prevista para junho de 2025.

Acesse o Memorando de Entendimento para o estabelecimento do diálogo econômico e financeiro de alto nível entre o Ministério da Fazenda do Brasil e o Ministério da Economia, Finanças e Soberania Industrial e Digital da França.

O documento salienta o compromisso dos dois países em implementar a Parceria Estratégica e seu Novo Plano de Ação e reforça que, em um contexto internacional de crescentes tensões geopolíticas, desafios ao comércio multilateral e questões climáticas urgentes, o Brasil e a França compartilham uma ambição comum, que é “desbloquear todo o potencial do relacionamento econômico bilateral, como parceiros confiáveis ​​e iguais”.

Segundo o documento, além de questões citadas pelo ministro Fernando Haddad em seu discurso, os dois lados também abordaram a possibilidade de trocas em setores econômicos com forte potencial para cooperação, como energia de baixo carbono, infraestrutura digital (incluindo data centers), mobilidade urbana sustentável, minerais essenciais e combustíveis sustentáveis ​​(incluindo bioenergia).

Além disso, os ministros Fernando Haddad e Éric Lombard assinaram um Memorando de Entendimento (MdE) sobre a atualização do Diálogo. “A próxima edição ocorrerá no Brasil, em 2026, consolidando uma plataforma de longo prazo, equilibrada e ambiciosa em apoio a um relacionamento econômico mais forte entre Brasil e França”, informa o comunicado conjunto.

Fonte: Agência Gov | Via Fazenda
Foto: Divulgação/Ministério da Fazenda

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