O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), acusou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, de sabotar a votação da PEC 38/2025, a PEC da Segurança Pública, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A crítica foi feita após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou nesta terça-feira (28) em pelo menos 64 mortos, incluindo quatro policiais, tornando-se a ação mais letal da história do estado.
A PEC, conforme sublinhou Lindbergh, cria um sistema de integração federativa, fortalecendo a coordenação entre União, estados e municípios, e garante a atuação permanente da Polícia Federal em investigações de facções e milícias com repercussão interestadual ou internacional. Se estivesse em vigor, a violenta operação policial no Rio não teria ocorrido no formato defendido pelo governador.
Crítica ao modelo de segurança
O líder petista foi contundente ao analisar a estratégia de segurança pública adotada por Castro. Ele lembrou uma operação em Jacarezinho, sob a batuta do atual governador do Rio de Janeiro, deixou “corpos negros, empilhados, e o discurso de combate à criminalidade”. Mas não resultou em nenhum resultado concreto, no tocante ao combate à criminalidade.
“Sabem o que aconteceu no Jacarezinho? Aumentaram todos os números de roubos, homicídios, na região. Quando uma política como essa deu certo no Rio de Janeiro? Em momento algum”, disse Lindbergh.
Como contraponto à política nefasta do governador bolsonarista, o deputado citou a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, contra a máfia dos combustíveis, como exemplo bem-sucedido. “Essa investigação pegou gente do mercado financeiro, pegou fintechs. Não é preciso entender muito de segurança para perceber que para ir para cima das organizações criminosas do PCC, do Comando Vermelho, é preciso inteligência, investigação. É só assim que a gente dá um passo além”, defendeu.
Resposta a alegações de Castro
Lindbergh rebateu o argumento de Cláudio Castro de que a PEC da Segurança afetaria a autonomia dos estados, classificando-o como “falso”. “A PEC da Segurança Pública tem como foco a necessidade de integração, de inteligência, de investigação”, explicou, destacando que a proposta dá poder à Polícia Federal para atuar em crimes interestaduais e internacionais.
O líder do PT também desmentiu a tentativa do governador de culpar o governo federal pela desastrosa operação policial desta terça-feira. Segundo Lindbergh, Castro nunca solicitou ajuda ministerial. Para obter blindados da Marinha, como mencionou, seria necessário decretar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que não foi feito. “A verdade é que toda essa operação poderia ter tido um desfecho diferente, se ele tivesse ido ao Ministro da Justiça, articulado, trabalhado nas investigações”, o deputado.
Oportunismo político
Lindbergh criticou a recusa de Castro em apoiar também o Projeto de Lei Antifacção, que moderniza o combate ao crime por meio de aumento de penas, infiltração policial e inteligência financeira.
Para o deputado, a atitude do governador é eleitoreira. Ele relembrou uma declaração de Castro em 2022 ao jornalista Octavio Guedes, na qual o governador disse que, “se fosse se basear por pesquisas, faria mais de três operações policiais em comunidades dos morros do Rio de Janeiro”. Lindbergh concluiu que Cláudio Castro “aposta no caos, na bala e na retórica da guerra, porque precisa do medo para sustentar seu projeto eleitoral”.
Fonte: PT na Câmara
Foto: Vinicius Loures/Agência Câmara











