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Jovens mulheres do PT querem mais espaço nas direções partidárias

Em carta aprovada a partir da unidade das militantes, durante o 14º Encontro Nacional de Mulheres, elas afirmam que a renovação do partido depende da transição geracional

As jovens mulheres do PT reivindicam mais espaço nas direções partidárias e alegam que somente com a participação efetiva da juventude será possível fazer a transição geracional, definidora do futuro do partido. A “Carta das Jovens Mulheres ao 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT – Unidas e Organizadas na missão de renovar o PT, derrotar a extrema direita e reeleger o Presidente Lula”, construída a partir da unidade das mulheres jovens e aprovada no Encontro Nacional realizado neste mês de fevereiro, diz ainda que ter metade das mulheres nas direções do PT deve ser piso, não teto. Em relação à juventude, as jovens petistas pedem que a regra de 20% em todas as direções partidárias seja fiscalizada e assegurada.

“A garantia de cotas de 20% de jovens nas direções é um instrumento de transição geracional central para a formação de lideranças no PT e empoderamento para a juventude petista. Serão as mulheres jovens que tocarão o partido por mais 46 anos e, no entanto, somos as menos representadas (…) Tal regra deve ser fiscalizada pelas jovens mulheres e assegurada pelas direções partidárias para a garantia da renovação do nosso partido”, diz trecho da carta.

O estatuto do PT deve ser revisto no próximo Congresso, a ser realizado em abril, sugerem as jovens petistas. “Paridade não pode ser só princípio, tem que ser garantia (…) 50% de mulheres nas direções do PT é piso e não teto!”, reivindicam.

No documento, elas apontam que mesmo vivendo às margens do poder as mulheres historicamente sempre sustentaram o desenvolvimento econômico, chefiando lares e estruturando a sociedade brasileira: “Agora queremos mais: reconhecimento e protagonismo dentro dos espaços de decisão do partido e do Brasil”.

Elas apontam, ainda, a necessidade urgente de renovação de quadros, já que 60% das mulheres filiadas ao PT têm mais de 45 anos. “Menos de 40% das filiadas têm menos de 45 anos, demonstrando um processo de envelhecimento e, por consequência, estagnação na renovação de nossos quadros”, destaca a carta.

As mulheres que fazem parte da juventude do PT afirmam que estarão na linha de frente, como sempre estiveram, para garantir a reeleição do Presidente Lula.

Abaixo, a íntegra do documento:

Carta das Jovens Mulheres ao 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT

Unidas e Organizadas na missão de renovar o PT, derrotar a extrema direita e reeleger o Presidente Lula

“No 14° Encontro Nacional de Mulheres do PT, reafirmamos que a luta feminista é indissociável da defesa da democracia e da luta anticapitalista. O Brasil não pode retroceder aos tempos de golpismo e ameaça aos direitos das mulheres. A extrema direita segue organizada, violenta e atacando os avanços conquistados depois de séculos de luta feminista. Por isso nossa tarefa é clara: fortalecer o PT e suas candidaturas a nível municipal, estadual e federal, ampliar a mobilização popular e garantir a reeleição do presidente Lula, para seguir reconstruindo o Brasil com justiça social, enfrentamento às desigualdades e compromisso com quem mais precisa.

A reeleição de Lula é parte da defesa da vida, da democracia e do futuro. Quando as mulheres avançam, o Brasil avança junto. Por essa razão, vamos estar onde sempre estivemos: na linha de frente. E afirmamos que não há transformação real sem o protagonismo das jovens mulheres organizadas: nas ruas, nas universidades, nas periferias, movimentos sociais e na construção partidária.

Sabemos que as mulheres sempre cumpriram a tarefa histórica de sustentarem o desenvolvimento do país, chefiando os lares, construindo políticas públicas, organizando, cuidando e estruturando a sociedade brasileira. Isso tudo sem a caneta na mão, à margem dos espaços de poder. Agora queremos mais: reconhecimento e protagonismo dentro dos espaços de decisão do partido e do Brasil.

Lutamos porque conhecemos a violência do Estado e do sistema: no corpo, no bolso e no dia a dia. Resistimos ao machismo, ao racismo, à LBT+fobia, à fome, ao assédio nas escolas e universidades, à precarização do trabalho e à tentativa permanente de nos silenciar.

Nos últimos anos, resistimos ao discurso de ódio e ao fascismo, que tentam transformar a política em um espaço proibido para nós. O poder não é neutro, ele estrutura redes de exclusão que afastam corpos periféricos e marginalizados de seus espaços centrais. E enquanto as cadeiras de direção continuarem sendo negadas às mulheres, a democracia interna será apenas uma formalidade, um discurso vazio, e não uma prática.

Não aceitamos que a participação das mulheres dependa de boa vontade. Não queremos convite, queremos garantia. A história já nos ensinou que, quando a presença das mulheres depende de concessão, ela vira exceção. E nós, mulheres que majoritariamente construímos e carregamos das menores tarefas aos maiores processos em nossas costas, não aceitamos sermos excluídas.

Partido das Trabalhadoras
No PT, a luta das mulheres não pode ser apenas discurso. E não basta “ter espaço”: é preciso mudar a lógica do poder. Por isso, neste Congresso, defendemos com firmeza:

Paridade não pode ser só princípio, tem que ser garantia. Hoje, o estatuto do PT garante a participação das mulheres, mas impede que tenhamos direções nas quais as mulheres são maioria. É essencial que o próximo Congresso do PT, a ser realizado em abril deste ano, transforme esta regra. 50% de mulheres nas direções do PT é piso e não teto!

O partido conta com mais de 60% de suas filiadas sendo mulheres com mais de 45 anos, base sólida e histórica. No entanto, esse quadro revela também um desafio urgente: menos de 40% das filiadas têm menos de 45 anos, demonstrando um processo de envelhecimento e, por consequência, estagnação na renovação de nossos quadros. A sub-representação das mulheres jovens perpetua ciclos de exclusão, empobrece o debate público e enfraquece a capacidade de o Partido dos Trabalhadores responder aos anseios das novas gerações. Nesse sentido, a garantia de cotas de 20% de jovens nas direções é um instrumento de transição geracional central para a formação de lideranças no PT e empoderamento para a juventude petista. Serão as mulheres jovens que tocarão o partido por mais 46 anos e, no entanto, somos as menos representadas. A realidade que se impõe é de que no Brasil afora muitas direções estão irregulares desde o último PED; tal regra deve ser fiscalizada pelas jovens mulheres e assegurada pelas direções partidárias para a garantia da renovação do nosso partido.

A política de paridade de gênero é a correção histórica que reconhece que esse partido desde sua primeira bandeira costurada por Marisa Letícia, foi forjado pelas mãos de mulheres trabalhadoras. Mulheres que abdicaram de seus empregos, suas formações, seus sonhos, para a construção coletiva de um novo Brasil para todas as mulheres.”

Jovens Mulheres do PT – 14º Encontro Nacional de Mulheres

Da Rede PT de Comunicação.

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