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Fake news sobre Pix ajudaram PCC a lavar bilhões

Mentiras espalhadas por Nikolas Ferreira e bolsonaristas derrubaram norma que coibia crimes financeiros; operações da PF desbarataram o esquema

As falsas alegações sobre uma suposta “tributação do Pix” pelo governo, divulgadas no início de 2025 por parlamentares como Nikolas Ferreira (PL) e outros bolsonaristas, não fizeram estragos apenas no debate político e na popularidade de Lula. Segundo investigações da Polícia Federal, as notícias falsas realizaram brechas financeiras exploradas pelo crime organizado, em especial pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A revelação veio com as operações bombásticas Carbono Oculto e Tank, deflagradas nesta quinta-feira (28) em parceria com o Ministério Público e a Receita Federal.

A narrativa mentirosa ganhou força depois que Nikolas publicou um vídeo que viralizou com centenas de milhões de visualizações. Nele, o deputado acusou o governo de querer “taxar o Pix”, quando o que a Receita havia feito, em setembro de 2024, foi atualizar a Instrução Normativa 2219/24 para que fintechs – empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros digitais – passassem a seguir as mesmas regras já cumpridas pelos bancos há mais de duas décadas. O objetivo era simples: aumentar a transparência e fechar portas para operações usadas em crimes.

Uso de brechas na lei
Sob pressão da campanha online, o governo recuperou e revogou a norma. Foi esse espaço que o crime organizado aproveitou. Segundo a Receita, mais de 200 fintechs localizadas fora do alcance da fiscalização, o que permitiu ao PCC movimentar R$ 52 bilhões em lavagem de dinheiro entre 2020 e 2024, apenas na cadeia de combustíveis. Uma única fintech sozinha lavou R$ 46 bilhões.

“Essas fake news foram tão fortes que, apesar do esforço da Receita, não conseguimos resistir […] Nós tivemos que dar um passo atrás e revogar essa instrução normativa. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras “, afirmou o secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas.

O efeito da mentira
O caso exposto como desinformação pode enfraquecer políticas públicas e servir ao crime. Durante meses, o barco de que “Lula iria taxar o Pix” levou comerciantes a boicotarem a ferramenta e desgastou a imagem do governo. Deputados do PT, como Rogério Correia (MG) e Reimont (RJ), acionaram a Procuradoria-Geral da República contra Nikolas, acusando-o de “atuar deliberadamente a serviço do crime”.

Mas os números marcados pela Operação Carbono Oculto falam mais alto: centenas de imóveis e mais de mil postos de gasolina eram usados ​​em uma rede bilionária de lavagem de dinheiro. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, explicou: “Estamos falando de esquemas que operavam com múltiplas camadas, como fundos de investimento com estruturas societárias complexas e blindagem patrimonial”.

Restauração das regras
Com as descobertas da operação, o governo voltou atrás e anunciou que vai restabelecer a exigência de que as fintechs informem suas movimentações à Receita, nos mesmos moldes aplicados aos bancos. “A partir de amanhã, terão de prestar os mesmos esclarecimentos sobre a transferência financeira. Isso nos permitirá destrinchar outros esquemas de lavagem com mais rapidez”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A subsecretária de fiscalização da Receita, Andrea Costa Chaves, foi clara: “Mais de 200 fintechs direcionadas fora do alcance da Receita, o que impactou diretamente a visibilidade sobre os fluxos financeiros usados ​​pelo crime”.

A decisão evidencia a luta do governo contra o crime organizado e sua capacidade de rastrear operações ilegais. O episódio deixa uma lição: fake news não apenas desinformam. Elas também podem alimentar as engrenagens do crime.

Com informações: Da Redação do PT

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