Parlamentares e entidades no lançamento da Frente Parlamentar em Brasília; iniciativa reúne mais de 200 deputados e aposta na biodiversidade brasileira para ampliar o acesso à saúde, gerar renda e desenvolver a indústria nacional
A Câmara dos Deputados lançou, no dia 17 de março de 2026, a Frente Parlamentar em Defesa da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Com adesão de mais de 200 parlamentares, a iniciativa é presidida pelo deputado Elton Welter (PT-PR) e busca ampliar a presença de fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS), além de estimular a agricultura familiar e o desenvolvimento tecnológico e industrial do setor.
De acordo com Welter, o Brasil ainda utiliza pouco o potencial dos medicamentos de origem vegetal. “Hoje temos cerca de 20 fitoterápicos autorizados pela Anvisa, mas eles representam apenas 1,5% dos medicamentos produzidos no país. Há espaço para crescimento com organização da cadeia produtiva, investimento em pesquisa e maior integração com o sistema de saúde”, afirmou.
Políticas estruturantes
O parlamentar destaca que o uso de plantas medicinais já faz parte da cultura brasileira, mas carece de políticas estruturantes. “Queremos articular iniciativas regionais, fortalecer a produção e incentivar a prescrição desses medicamentos, ampliando o acesso da população a alternativas seguras e eficazes”, completou.
O lançamento reuniu representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo povos indígenas, agricultores familiares, cooperativas, pesquisadores, indústria e gestores públicos. Vice-presidente da Frente, a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) ressaltou a importância da valorização dos saberes tradicionais. “A medicina tradicional é utilizada por grande parte da população mundial e está diretamente ligada à preservação dos territórios e das culturas originárias”, afirmou.
Biodiversidade brasileira
Para o deputado Fernando Mineiro (PT-RN), a biodiversidade brasileira representa uma oportunidade estratégica. “Transformar essa riqueza em política pública é gerar saúde, desenvolvimento econômico e soberania nacional”, destacou.
Especialistas e representantes de instituições públicas e privadas também participaram do evento, entre eles membros da Fiocruz e entidades do setor farmacêutico. A avaliação geral é de que o fortalecimento da política de fitoterápicos pode impulsionar inovação, gerar renda no campo e ampliar o acesso da população a tratamentos complementares no SUS.
A pesquisadora Nelsi Welter destacou o impacto social da iniciativa. “Estamos falando de uma cadeia produtiva com grande potencial de transformação, especialmente em comunidades onde o conhecimento tradicional é preservado e transmitido, muitas vezes liderado por mulheres”, pontuou.
A expectativa dos parlamentares é que a Frente atue na articulação de políticas públicas permanentes, integrando saúde, ciência, agricultura e desenvolvimento regional.
Metas e objetivos
Ampliação dos fitoterápicos no SUS, garantindo a inclusão segura, eficaz e qualificada de plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde, ampliando as opções terapêuticas para a população.
Fortalecimento da Agricultura Familiar, incentivando o cultivo agroecológico e orgânico, transformando-o em fonte de renda para pequenos produtores e valorizando a biodiversidade brasileira.
Incentivo à pesquisa e à inovação, fomentando tecnologias e inovações em toda a cadeia produtiva de fitoterápicos.
Valorização do conhecimento tradicional, resgatando e reconhecendo as práticas populares e o saber de povos tradicionais sobre o uso de plantas medicinais.
Aperfeiçoamento da legislação para a cadeia produtiva, desde o cultivo até a comercialização final, com um marco regulatório para o setor.
Promoção do desenvolvimento econômico, impulsionando a indústria nacional de fitoterápicos, tornando o Brasil uma referência internacional e reduzindo a dependência de medicamentos convencionais.
Com informações da Assessoria de Comunicação do deputado federal Elton Welter (PT-PR)
Foto: Carolina Curi/Divulgação











