Em ato em São Paulo na tarde deste domingo (30/03), contra o projeto de lei (PL 2858/2022) que ficou conhecido como PL da Anistia, a população, militantes e políticos de esquerda mandaram o recado bem claro: é sem anistia para golpistas. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), na sua manifestação, alertou que nesta semana os parlamentares bolsonaristas estão apostando que vão colocar para votar o projeto. “Estou articulando com os líderes e essa semana vai ser a semana que vamos enterrar essa proposta. “É sem anistia, queremos a prisão de Bolsonaro e dos militares envolvidos na tentativa do golpe de Estado”, afirmou.
Lindbergh disse que Bolsonaro conversou com muita gente, muitos políticos, entre eles, o Gilberto Kassab (PSD), que prometeu apoiar. “Só que eles não vão entregar o que prometeram, por um motivo bem simples: eles prometeram mais não avaliaram. Imagina, tá começando o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e eles querem votar o projeto da anistia sem ter a condenação de Bolsonaro”.
Na última quarta-feira (26), Bolsonaro virou réu por tentativa de golpe de Estado com unanimidade dos votos na 1ª Turma do STF.
Crise institucional
“Se eles botarem para votar, eles sabem que estão arrumando uma grande crise institucional no Brasil com o STF. Eu quero é ver prosseguirem nesse plano. Não vão conseguir”, avaliou Lindbergh.
O líder petista disse ainda que só de votar esse projeto já estão cometendo crime. “Vocês sabem que prisão preventiva é para qualquer pessoa que quer atrapalhar uma investigação. Eles estão querendo embaralhar o julgamento no STF”, denunciou.
Querem livrar a cara de Bolsonaro
Lindbergh enfatizou ainda que o PL da Anistia não é sobre o 8 de janeiro – dia da tentativa de golpe de Estado. “Eles pegam a data de um dia depois das eleições do presidente Lula, 30 de outubro de 2022, até a data da sanção do projeto. Isso porque eles estão querendo livrar a cara do Bolsonaro, porque teve a Operação Punhal Verde e Amarelo, um plano sórdido para assassinar o presidente Lula, o vice Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes”, criticou.
A mesma opinião tem a presidenta nacional do PT licenciada e ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann. Em suas redes sociais, Gleisi criticou duramente PL da anistia afirmando que a proposta não tem o objetivo de beneficiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas sim de proteger o ex-presidente Bolsonaro e seus aliados que ainda nem foram julgados pelo Suprema Corte.
Gleisi destacou que a anistia não se destina aos manifestantes já sentenciados, mas sim à cúpula que teria organizado os atos antidemocráticos. “Dados do STF mostram que, dos 1.604 réus nas ações penais do 8 de janeiro, nada menos que 546 fizeram acordo com a PGR, tiveram as ações suspensas e foram soltos. Dentre os que não aceitaram o acordo e foram acusados de crimes mais simples, 237 foram condenados a 1 ano de prisão e já cumpriram pena. Eles são praticamente a metade dos 500 condenados até agora. Há 205 condenados pelos crimes graves de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe, dano qualificado e associação criminosa armada. Receberam penas de 14 a 17 anos e, pelos critérios de progressão de pena, estarão em regime semiaberto e até em prisão domiciliar antes do fim deste ano.
Portanto, não é para estes condenados do 8 de janeiro que se volta o projeto de lei de anistia apresentado na Câmara. É para livrar da punição o réu Jair Bolsonaro e os comandantes do golpe.”
Bolsonaro “psicopata”
O líder afirmou ainda que só entende a cabeça “psicopata” de Bolsonaro – que perdeu a eleição para Lula – quando se olha para a história. “Naquele tempo (período da ditadura militar) a turma dos porões: Brilhante Ustra, General Silvio Frota, General Heleno e outros, explodiram, entre os anos de 1978 e 1987, 70 bombas no país”.
Justiça
Em nome das vítimas da ditadura, entre eles Rubens Paiva e Vladmir Herzog, o líder do PT defendeu a prisão de Bolsonaro. “É sem anistia, queremos a prisão de Bolsonaro e dos militares envolvidos na tentativa do golpe de Estado”.
Manifestação na Paulista
Vários parlamentares da Bancada do PT participaram da manifestação convocada pelas frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, além de outros movimentos sociais, entre eles o deputado Kiko Celeguim, presidente do PT Paulista. Ele relembrou os 61 anos do golpe militar de 64, quando por 24 anos o país viveu sob a tutela dos militares, sem democracia, sem direitos e sem liberdade. “Infelizmente depois de tantos anos de chumbo, tentaram dar outro golpe, tentaram assassinar o presidente Lula, Alckim e o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes. Isso nós não podemos aceitar”, afirmou.
Foto: Site do PT na Câmara
Fonte: Site do PT na Câmara