Da MPB ao rap, do teatro à literatura, diferentes gerações se encontram pela reeleição do presidente, com relatos de vidas transformadas e um chamado para proteger a democracia
Chico Buarque, Daniela Mercury, Margareth Menezes e artistas de diferentes gerações reuniram vozes, histórias e afeto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de quarta-feira, 23, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. No encontro Cultura com Lula, a defesa da democracia ganhou o rosto de quem faz música, teatro e cinema e conhece a força das políticas públicas para transformar vidas.
Entre depoimentos emocionados, os participantes destacaram o respeito do presidente à diversidade brasileira e a importância de garantir continuidade aos investimentos no setor. Durante a conversa, Lula propôs políticas permanentes e uma revolução cultural nas periferias, levando oportunidades para perto de onde o povo vive.
O encontro também abriu espaço para o compromisso de acabar com as bets, apoiado por Daniela Mercury, que alertou para os danos das apostas às famílias. Confira algumas das mensagens de quem esteve com Lula nessa noite.
Chico Buarque: cultura, povo e soberania

Chico Buarque transformou sua participação em uma declaração de carinho pela cultura brasileira. Encantado com o encontro entre gerações, o compositor celebrou a oportunidade de conhecer artistas mais jovens e enxergou naquela reunião uma pequena amostra da riqueza produzida pelo país.
Para Chico, o reconhecimento dessa diversidade revela também a relação de um governante com sua gente. A defesa da soberania, explicou, passa pela valorização do que o próprio povo cria.
“Não gostar da cultura é não gostar do seu povo”, afirmou. O compositor encerrou com um pedido que resumiu o prazer de estar ali: “A próxima vez que se verem de novo, me chamem”.
Daniela Mercury: “O meu voto é seu e do meu povo também”

Daniela Mercury percorreu a diversidade cultural brasileira para falar de identidade, pertencimento e respeito. Do samba-reggae às escolas de samba, das manifestações populares aos artistas que levam o Brasil para o mundo, a cantora destacou que Lula reconhece a potência dessa produção e de quem a mantém viva.
“E Lula ama esse Brasil, esse Brasil profundo, esse Brasil de toda a diversidade cultural”, declarou.
A artista associou seu apoio à continuidade das políticas públicas e à trajetória de um presidente que voltou a disputar o futuro do país mesmo depois da prisão injusta. Também agradeceu a posição de Lula contra as bets e cobrou o fim de um negócio que entra nas casas e compromete a vida das famílias.
Daniela rejeitou a ideia de que seu voto se explique apenas pela falta de alternativa democrática. Para ela, o Brasil tem o privilégio de contar com uma referência internacional na defesa da democracia.
“Nós temos o luxo de ter Lula como grande líder da democracia mundial. E o meu voto é seu e do meu povo também”.
Margareth Menezes: cada artista pode ser um mensageiro
A cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes, levou ao encontro o relato da reconstrução de um ministério que precisou recuperar estruturas e fazer os investimentos chegarem às comunidades. Destacou o trabalho dos agentes culturais e a ampliação do acesso às políticas públicas para quem historicamente ficou de fora.
“A cota não é uma fronteira. A cota é você acolher a quem nunca teve oportunidade de ser acolhido por políticas culturais”, afirmou.
Margareth lembrou a resistência dos servidores e do próprio setor cultural diante das tentativas de desmonte. O reconhecimento desse esforço veio acompanhado de uma convocação para que os artistas usem sua capacidade de dialogar com a população em favor da reeleição.
“Nós temos essa força para fazer essa transformação, fazer o presidente Lula ganhar no primeiro turno”, disse. A ministra vinculou essa mobilização à defesa da independência do país: “O presidente Lula é o presidente que defende a nossa soberania e cada um de nós tem que ser um mensageiro nessa luta”.
Russo Passapusso: o amor que se transforma em luta

Russo Passapusso, do BaianaSystem, trouxe a memória da infância no interior da Bahia e da juventude no Pelourinho para explicar o significado da cultura em sua vida. Lembrou que frequentava um ponto de cultura para aprender a usar o computador, mas também para receber alimento.
“A primeira coisa que eu tenho para te dizer: a importância é esse pão e esse suco, antes de qualquer computador e de qualquer composição que eu venha fazer”.
O cantor falou da influência de Chico Buarque, Paulinho da Viola e Geraldo Azevedo, mas também da emoção de reconhecer referências na própria geração, como BK e Xamã. Para ele, a arte carrega a possibilidade de alcançar pessoas, enfrentar o ódio e transformar sentimentos em ação.
A homenagem a Lula se misturou ao reconhecimento da luta dos pais e à defesa da ancestralidade. Russo resumiu o sentido dessa ligação em uma frase: “O amor que se transforma em luta e faz a gente florescer na ancestralidade contra todo o racismo, todo o preconceito”.
Xamã: do Bolsa Família à música e ao cinema

Xamã começou sua participação com um agradecimento que ligou a trajetória artística à comida no prato. O rapper e ator contou que sua família dependeu do Bolsa Família e ressaltou que o sucesso não apagou a memória de onde veio.
“Eu sou fruto de políticas públicas e a minha mãe dependeu do Bolsa Família durante décadas pra gente ter a mistura dentro de casa, para ter a comida”, declarou.
Com a ajuda do público para marcar a batida, o artista apresentou uma rima sobre Sepetiba, as dificuldades que enfrentou e o compromisso com a cultura da rua e a democracia. A apresentação terminou com um chamado à plateia para demonstrar seu apoio ao presidente.
Bete Mendes: o direito de ir às urnas
Bete Mendes fez um apelo direto aos brasileiros com mais de 70 anos: transformar o voto facultativo em participação ativa na escolha do futuro do país. A atriz destacou que ter o direito de não votar não diminui a importância de comparecer às urnas.
“Esse direito de não ir é uma bobagem. O bom é o direito de ir”, afirmou.
Em nome da Geração Lula, Bete pediu votos no presidente e em candidaturas comprometidas com o mesmo projeto no Congresso e nas Assembleias Legislativas. A convocação também foi um convite para unir diferentes idades em torno de uma vitória no primeiro turno.
“Vamos lá, 70 mais. Vamos nos unir aos jovens, ao voto obrigatório, e vamos eleger Lula no primeiro turno”.
Felipe Velozo: políticas públicas que viraram profissão

O ator baiano Felipe Velozo contou que sua relação com as políticas culturais nasceu da experiência concreta. Um ponto de cultura no bairro de Brotas, em Salvador, abriu caminhos para que pudesse viver da atuação, sustentar a casa e construir sua trajetória profissional.
“Eu não falo o que eu li, não falo o que eu vi na rede social, eu não falo o que eu vi na internet, eu falo o que eu vivi e o que transformou a minha vida”, afirmou.
Felipe lembrou que tinha 16 anos na primeira eleição de Lula e que aprendeu com os pais a importância daquele voto. Agora, pai de uma menina de cinco anos, disse pensar nas oportunidades que ela terá e no que um quarto mandato poderá entregar às próximas gerações.
“Eu posso ter muitas dúvidas na vida, mas uma certeza que eu tenho é que o senhor vai ser eleito, presidente”, declarou.
Um encontro de diferentes gerações

O encontro reuniu no Rio nomes de diferentes gerações da música, do teatro, da televisão e do Carnaval, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Lenine, Daniela Mercury, Zélia Duncan, Russo Passapusso, Fernanda Abreu, Zeca Pagodinho, Tony Bellotto, Chico César, Geraldo Azevedo, Pedro Luís, Xamã, Diogo Nogueira, Tati Quebra Barraco, BK, Delacruz, MC Marechal, DJ Negralha, Rosemary e Kleber Lucas, além da cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Também estiveram presentes Marieta Severo, Catarina Abdalla, Daniel Dantas, Letícia Sabatella, Cissa Guimarães, Betty Gofman, Malu Mader, Julia Lemmertz, Caio Blat, Juliana Alves, Antonio Pitanga, Felipe Velozo, Elisa Lucinda, Humberto Carrão, Bárbara Reis, Maeve Jinkings, Marjorie Estiano, Ana Flávia Cavalcanti, Danielle Winits, Dada Coelho e Adalberto Neto. A diversidade do encontro contou ainda com Mestre Ciça, Quitéria Chagas, Selminha Sorriso, Leandro Vieira, Deborah Colker, Gabi de Pretas e Rene Silva.
Da Rede PT de Comunicação










