Líder do PT, junto com os colegas do Rio Grande do Sul e de São Paulo, afirma que proposta de anistia ou redução de penas para Bolsonaro é inconstitucional, cria crise institucional e desmoraliza o Parlamento
O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), fez duras críticas à possibilidade de que a Câmara dos Deputados vote projetos que abram caminho para anistiar ou reduzir penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a iniciativa é “inconstitucional, inapropriada” e transformaria o Parlamento em epicentro de uma “crise institucional violentíssima”.
Em coletiva na tarde desta segunda-feira (24), Lindbergh enfatizou que o julgamento no Supremo Tribunal Federal ainda não terminou e que tentar votar qualquer mudança legal agora, antes da decisão final, “não se sustenta”. O parlamentar classificou como desvio de finalidade qualquer proposta que anistie condenados pela tentativa de golpe após as eleições de 2022, inclusive a proposta relatada pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que altera regras de dosimetria e, na prática, poderia reduzir penas aplicadas a Bolsonaro.
“Usar uma lei genérica para beneficiar uma pessoa específica é inconstitucional”, afirmou o petista.
“Destino do Bolsonaro será a Papuda”
Lindbergh também citou o vídeo em que Bolsonaro aparece utilizando um ferro de solda na tornozeleira eletrônica, dizendo que o episódio “desmoralizou” a base bolsonarista e eliminou qualquer argumento em favor de prisão domiciliar. Para ele, pela lei de organizações criminosas, Bolsonaro deve cumprir pena em presídio de segurança máxima. “O destino do Bolsonaro será a Papuda ou a Papudinha”, disse.
A chamada “Papudinha” é uma área reservada dentro do complexo penitenciário da Papuda, reservado para abrigar policiais militares condenados, mas que já recebeu políticos e pessoas que precisavam de proteção especial.
Prioridades da semana
O líder do PT afirmou que a prioridade da bancada será impedir a inclusão na pauta de qualquer proposta de anistia ou redução de pena. Lindbergh pediu que o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta “não cometa esse erro” e disse que a oposição ao PL da Anistia será firme.
O deputado também mencionou a necessidade de avançar na votação da Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO-2026), do orçamento, do projeto do devedor contumaz, além de reformas tributárias que impactam o fechamento da peça orçamentária.
Por Héber Carvalho (PT na Câmara)
Foto Gustavo Bezerra











