Quem caminha pelas ruas tranquilas de Paulo de Faria, uma pequena e acolhedora cidade de pouco mais de 7 mil habitantes na região de São José do Rio Preto, dificilmente imagina os bastidores da resistência política que ferve no coração do município. No interior paulista, onde as estruturas do poder local costumam pender fortemente para a direita, erguer a bandeira da esquerda exige mais do que convicção — exige coragem, persistência e um bocado de carisma.
E carisma é o que não falta a Claudemar Alvarenga de Souza. Nascido na vizinha Orindiúva, ele é conhecido por cada morador de Paulo de Faria por um apelido que carrega o peso de sua história popular: “Meio Kilo”. É na calmaria das águas do Rio Grande — o gigante que logo adiante se une ao Paranaíba para dar vida e contorno ao imponente Rio Paraná — que ele tira o seu sustento. Pescador profissional, Meio Kilo maneja sua canoa com a mesma destreza e paciência com que conduz a política na região. Ex-candidato a vereador e presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2014 — tendo sido reeleito para o posto no último ano —, ele é a personificação da militância que aprendeu a remar contra a correnteza e não se intimida com o vento contra.
Em um depoimento que mistura o pragmatismo da política de base com a emoção e o lirismo de quem conhece os segredos do rio e da vida, o líder partidário celebrou um feito inédito ocorrido nas últimas eleições presidenciais.
“A única coisa que eu quero agradecer à população de Paulo de Faria é que na nossa cidade o Lula ganhou os dois turnos. Eu fiquei muito agradecido. Nunca tinha acontecido do Lula ou do PT ganharem aqui. Foi pela primeira vez, em 2022”, emociona-se o dirigente.
O invisível que vira obra: as entregas do Governo do Brasil
A grande batalha de Meio Kilo e dos militantes locais, contudo, é romper a barreira do silêncio institucional. Em uma prefeitura e uma Câmara Municipal dominadas por forças de direita, os louros dos investimentos federais frequentemente são omitidos ou assimilados pela gestão local sem os devidos créditos a Brasília.
“Eles são tudo da direita, então eles nunca vão falar da esquerda aqui. Só que eles dependem de nós”, desabafa o presidente do PT. Ele revela os bastidores da engrenagem pública: quando as portas ministeriais precisam se abrir na capital federal ou em São Paulo, é a articulação da militância progressista que serve de ponte para o município. “O prefeito vem, me chama, vamos lá comigo… mas publicar o mérito? Disso eles não falam.”
A despeito do silêncio dos palanques municipais, as marcas do Governo Lula estão espalhadas pela cidade em setores vitais, como habitação e saúde. O município recebeu uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) com previsão de entrega já para o próximo mês de agosto, além de uma segunda UBS que já se encontra devidamente encaminhada e em fase de liberação. Também recebeu uma nova ambulância do SAMU para reforçar o atendimento imediato da população.
Na habitação, estão em andamento 20 moradias populares por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, devolvendo a dignidade da casa própria a dezenas de famílias de Paulo de Faria. Na cultura, Meio Kilo também celebra o envio de verbas federais expressivas, a exemplo dos recursos viabilizados pela Lei Paulo Gustavo, que oxigenaram o cenário cultural e movimentaram a economia local.
“O melhor presidente da história”
Para Meio Kilo, o êxito de Lula em solo paulofariense é o reflexo de uma política que é genuinamente republicana. Longe de governar olhando para siglas partidárias ou preferências ideológicas de governantes locais, a cartilha do Governo Federal prioriza as necessidades reais do povo da ponta.
“O presidente Lula, o que ele faz para o país, ele faz para todo mundo, para todos os municípios. He ajuda muito Paulo de Faria”, define o líder partidário. “Para mi, é o melhor presidente que existe na história do país. Uma pessoa importante que olha pelo povo no geral, não olha a quem. Faz para todo mundo. É assim que nós precisamos.”
A crônica política de Paulo de Faria deixa uma lição clara: no interior mais profundo do estado de São Paulo, lá na divisa com Minas, onde o Rio Grande dita o ritmo do tempo, a transformação social avança silenciosa, tijolo por tijolo, UBS por UBS. E, enquanto houver vozes obstinadas e conhecedoras da correnteza como a de Meio Kilo para lembrar ao povo de onde vêm os recursos que mudam suas vidas, a engrenagem da esperança continuará girando.











