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Parlamentares do PT unidas contra a jornada 6×1 convocam para ato do 8 de Março

Movimentos vão às ruas por mais qualidade de vida e dignidade no trabalho. Estudos indicam que, com sobrecarga doméstica, mulheres trabalham em média 54 horas semanais.

Em todo o Brasil as manifestações pelo Dia Internacional da Mulher, neste domingo (8), vão denunciar as consequências das longas jornadas de trabalho e da escala 6×1, em que o trabalhador tem no máximo um dia de descanso por semana. Mulheres do Partido dos Trabalhadores, movimentos sociais e lideranças de diversas áreas vão para as ruas reivindicar tempo para o descanso, para o lazer e para qualificação profissional. A bancada feminina do Partido dos Trabalhadores defende o fim da escala 6×1 no Brasil, uma luta da classe trabalhadora que existe há décadas e está tramitando no Congresso Nacional em forma de Proposta de Emenda Constitucional (PEC). “A campanha 6×1 é uma campanha de humanização do trabalho. É uma campanha que tenta mostrar que as jornadas exaustivas de trabalho adoecem o trabalhador e a trabalhadora e a produtividade cai”, diz a senadora Teresa Leitão.

As mudanças nas regras trabalhistas não são apenas uma questão de descanso, nem tampouco uma questão de privilégio. Reconhecer que o mundo do trabalho mudou, e que as mulheres são as principais afetadas por jornadas duplas ou triplas, é admitir que o Brasil ainda precisa avançar nas políticas relacionadas a justiça racial e de gênero. “Garantir condições dignas de trabalho também é enfrentar o racismo estrutural que historicamente empurra mulheres indígenas e negras para os postos mais precarizados”, diz a deputada Juliana Cardoso, única indígena da bancada do PT na Câmara.

Dados do IPEA indicam que mulheres negras dedicam, em média, 21 dias a mais por ano do que homens em atividades domésticas e de cuidado. Para a maioria delas, mulheres negras e periféricas, a rotina exaustiva se traduz em adoecimento físico e mental.

A deputada Benedita da Silva completa que “essa reivindicação é essencial porque muitas mulheres enfrentam jornadas exaustivas, e duplas ou triplas jornadas, com trabalho doméstico e escala 6×1, agrava as desigualdades, especialmente para mulheres negras e trabalhadoras que já enfrentam uma precarização”.

O fim da escala 6×1 deixa de ser apenas uma pauta trabalhista para se tornar uma questão de garantia de direitos. “Nós não estamos tratando apenas de uma escala de trabalho, estamos falando sobre tempo de qualidade de vida”, declara a deputada capixaba Jack Rocha.

A reivindicação que ecoa neste 8M é nítida: reduzir a jornada é romper com um ciclo de exploração histórico e permitir que a base da pirâmide finalmente tenha tempo para sonhar, estudar e liderar suas próprias trajetórias. “O único dia de descanso acaba sendo usado para cuidar dos filhos, da casa e da família. O resultado é o cansaço extremo, o estresse e o adoecimento”, lembra Ana Paula Lima, parlamentar por Santa Catarina.

A deputada Maria do Rosário manda um recado para os setores que ainda não aderiram à proposta: “Se alguém é conservador, olhe para a família e pense: o fim da jornada 6×1 pode significar uma família com maior equilíbrio e proteção, mais capacidade de olhar cada um, sobretudo para as crianças. Vamos criar, portanto, uma família mais amorosa, mais afetiva, mais respeitosa”, conclui.

Da Rede PT de Comunicação. 

 

 

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