A despublicação de um estudo da Monsanto, 25 anos após sua divulgação, reacende o debate sobre o controle de agrotóxicos no Brasil e a influência da indústria na ciência; a deputada Erika Kokay (PT-DF)) e o senador Fabiano Contarato (PT-ES) têm argumentado que a Lei do Agrotóxico não dá autonomia à Anvisa e à ciência em favor do lucro imediato do agronegócio exportador
A geógrafa e pesquisadora Larissa Bombardi, uma das vozes mais contundentes na denúncia dos impactos dos agrotóxicos na América Latina, voltou a alertar sobre a urgência do banimento do glifosato no Brasil. O apelo ganha novo fôlego após a recente “despublicação” (retirada de circulação por falta de integridade) de um artigo científico de 1999, financiado pela então Monsanto, que durante duas décadas e meia serviu como pilar para atestar a segurança do herbicida.
O artigo em questão, publicado por cientistas ligados à multinacional, omitia dados cruciais sobre o potencial carcinogênico do produto. Para Bombardi, a retratação tardia prova que o modelo de regulação atual é vulnerável ao chamado “lobby científico”.
“Não se trata apenas de uma falha acadêmica, mas de uma estratégia deliberada para manter no mercado um produto que compromete a saúde pública e o meio ambiente”, afirma a pesquisadora.
O Glifosato e o Mecanismo de Ação
O glifosato atua inibindo a enzima EPSPS, essencial para a síntese de aminoácidos em plantas. O problema central, defendido por Bombardi e outros especialistas, é que sua persistência no solo e na água afeta a biodiversidade e a saúde humana.
Reações Políticas e Movimentos Sociais
A descredibilização do estudo da Monsanto gerou reações imediatas entre parlamentares e lideranças de movimentos sociais que defendem a agroecologia.
Lideranças do MST reforçaram que a notícia confirma o que as comunidades camponesas sentem na prática. “O veneno que a Monsanto disse ser seguro é o mesmo que contamina nossas águas. O banimento do glifosato é uma questão de soberania alimentar”, declarou a coordenação nacional do movimento.
Também a bancada do PT no Congresso têm utilizado o episódio para questionar a flexibilização da Lei dos Agrotóxicos (conhecida pelos críticos como “Pacote do Veneno”). O argumento central é que a Anvisa precisa de independência total para reavaliar produtos com base em ciência isenta, e não em dados fornecidos pelas próprias fabricantes. Parlamentares como a deputada Erika Kokay (PT-DF)) e o senador Fabiano Contarato (PT-ES) têm argumentado que a lei retira a autonomia da ciência (Anvisa) em favor do lucro imediato do agronegócio exportador.
O Futuro da Regulação
A retirada do artigo científico abre precedentes para que órgãos reguladores globais e nacionais revisem as licenças de comercialização do glifosato. No Brasil, o embate entre a bancada ruralista e os defensores da saúde pública promete se intensificar nas comissões de Meio Ambiente e Seguridade Social.
Foto: Pablo Valadares (Divulgação Câmara dos Deputados)











