Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, nessa segunda-feira (2), a Coordenadora-Geral da Bancada Feminina, deputada Jack Rocha (PT-ES), fez um apelo para que o Congresso Nacional priorize o enfrentamento à violência contra a mulher. Ela cobrou ações concretas e recursos públicos para frear o que classifica como uma “epidemia” de feminicídio no país.
“Nós estamos diante de um momento em que esta Casa tem a oportunidade de escolher o lado certo da história, ou de estar ao lado de 105 milhões de brasileiras, meninas e mulheres. Do contrário, estaremos do lado dos agressores que matam as mulheres”, afirmou.
Violência de gênero
Jack destacou que a violência de gênero não escolhe local, idade ou condição. “O feminicídio tem acontecido nas escolas, no local de trabalho e até em espaços religiosos. Como vimos recentemente, uma freira de 82 anos de uma congregação sofreu violência sexual e, além disso, foi assassinada. Não existe restrição quanto a dia, hora, lugar, idade, território”.
Para a deputada, não há enfrentamento efetivo ao feminicídio sem a discussão de pautas estruturais e sem orçamento. “Não existirá pacto de enfrentamento ao feminicídio se não falarmos dos direitos das mulheres, da Política Nacional de Cuidados, se não falarmos principalmente do combate ao negacionismo político da palavra ‘gênero’ aqui nesta Casa”, declarou.
Bancada Feminina
Jack Rocha anunciou que a Bancada Feminina apresentou uma proposta de lei complementar que prevê a destinação de R$ 5 bilhões para fortalecer a rede de apoio às mulheres nos territórios brasileiros. “É possível zerar a taxa de feminicídio. É possível diminuir a violência com campanhas educativas, com o fortalecimento do Disque 100 e do Disque 180. Mas, para isso ser feito, é preciso ter orçamento e recursos públicos. Nós já vimos esta Casa furar o teto de gastos para salvar setores econômicos. Agora, precisamos furar para salvar vidas”, recomenda.
Violência Política
A parlamentar também fez críticas à postura dos deputados diante da violência política de gênero. “Este momento é um grande chamamento para termos um pacto aqui neste plenário, dizendo não à violência política naturalizada, que, muitas vezes, acontece no próprio microfone desta Casa pelos nossos colegas. Será que eles gritam dessa forma com suas companheiras, com as pessoas com que convivem, com suas secretárias dos gabinetes? Da boca para fora na rede social é uma coisa e nos bastidores é outra. Chegou a hora de a gente colocar o dedo na ferida, enfrentar o machismo estrutural que também está presente nesta Casa”, observa.
Para Jack é preciso que os homens também façam parte da luta pela vida das mulheres. “Nós não sabemos quem será a próxima vítima: se será uma de nossas irmãs, filhas, esposas, mães ou amigas. Os homens precisam estar junto nessa luta. Sem as mulheres vivas não podemos dizer que temos uma nação com esperança, porque a esperança só nasce se nós tivermos aqui a vida das mulheres. Que este mês de março seja o nosso mês de luta e de conquistas”.
Por Lorena Vale (página PT na Câmara)
Foto Divulgação/Agência Câmara











