Deputada afirma que governador do DF tratou o Banco de Brasília como propriedade pessoal e denuncia operações que, segundo investigações, envolveram carteiras de clientes inexistentes
A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou, na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (18), que as prisões e afastamentos determinados pela Justiça no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master, confirmam denúncias que ela vem fazendo há anos sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Nas primeiras horas do dia de hoje, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso, e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.
Segundo Erika Kokay, o BRB — um banco público considerado estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal — vinha sendo tratado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), “como extensão de suas propriedades”. Erika Kokay sustenta que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB sempre foi “injustificável”, já que o mercado financeiro tinha conhecimento de que “a instituição estava em situação de insolvência”.
Erika Kokay relembrou que levou o caso à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Polícia Federal e ao Banco Central em diversas ocasiões, questionando as razões que levariam o BRB a adquirir parte de um banco fragilizado. Ela também destacou que o BRB comprou milhões em carteiras do Banco Master e que as “investigações da Polícia Federal agora apontam que parte dessas carteiras era composta por clientes inexistentes, caracterizando, uma verdadeira fraude”.
Processos corruptos
A deputada afirmou que, se não fosse a decisão do Banco Central de barrar a compra das ações do Banco Master pelo BRB, o Distrito Federal poderia ter sido exposto a um prejuízo muito maior. “Nós talvez tivéssemos agora um banco em liquidação, envolto em processos corruptos e sem conformidade”, declarou.
Erika Kokay também criticou declarações do governador Ibaneis Rocha, que na época acusou o PT de tentar prejudicar o BRB por se manifestar contra a operação. “Não foi só a Polícia Federal que bateu na porta, a verdade bateu também. Aliás, eu lembro muito da fala do governador do DF, que dizia que o BRB tinha saído da Polícia Federal e estava entrando na Faria Lima. E nós estamos vendo o que está acontecendo neste momento”, ironizou.
“Eles construíram os erros”
A parlamentar classificou como “estranha” a reação da vice-governadora Celina Leão, que afirmou não ter compromisso com erros cometidos no banco. “Eles construíram os erros, se beneficiaram dos erros, e agora terão que responder por suas ações”, afirmou.
Erika Kokay enfatizou que acompanha o BRB há décadas, desde que presidiu o Sindicato dos Bancários, e ressaltou que o banco resistiu ao processo de privatização que atingiu diversas instituições estaduais nos anos 1990. Para ela, o episódio atual evidencia o uso político da instituição financeira pelo governo do Distrito Federal.
Uso do BRB para interesses pessoais
A deputada citou ainda outras suspeitas envolvendo o governador, como a compra de uma fazenda pela metade do preço de mercado, em um leilão do BRB em que só ele disputou, o financiamento de um imóvel de luxo em São Paulo, pelo próprio Banco de Brasília, com taxas de juros abaixo do mercado e o uso reiterado da instituição como instrumento de interesses pessoais.
“Esses que atentaram contra o banco da nossa cidade passarão; o BRB continuará com a força de sempre, sustentado pela qualidade de seus funcionários e pela sua história. O Banco é de Brasília!”, concluiu.
Fonte: PT na Câmara











