Deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), em debate sobre o genocídio em Gaza, na Câmara Federal. Em entrevista ao Café PT, ela conta como foi a experiência na flotilha humanitária rumo à Faixa de Gaza e denuncia bloqueio israelense à entrada de ajuda e o genocídio contra o povo palestino.
A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) participou da flotilha humanitária internacional que tentou furar o bloqueio marítimo imposto por Israel à Faixa de Gaza. Em entrevista ao Café PT, ela relatou como foi a preparação, a travessia e a interceptação das embarcações pelo exército israelense.
“Achei que deveria colocar também o nosso mandato à disposição de uma luta tão nobre, tão importante, que é romper o cerco de Israel a Gaza”, afirmou.
Segundo a deputada, a iniciativa nasceu de uma articulação internacional entre parlamentares pró-Palestina. “Fui eleita para o comitê executivo da Liga Parlamentar Internacional por Al-Quds e Palestina, e quando surgiu a proposta da flotilha, considerei essencial participar, mesmo sabendo dos riscos”, disse.
A parlamentar destacou que sua trajetória política sempre esteve ligada à defesa dos direitos humanos. “Antes mesmo de ser prefeita de Fortaleza, sempre me vi nessa luta radical pelos direitos humanos.”
Bloqueio prolongado e vidas destruídas
Lins lembrou que o bloqueio israelense à Faixa de Gaza se intensificou a partir de 2007, quando o Hamas assumiu o poder político local.
“O cerco é tão brutal que sequer os palestinos têm o direito de pescar no seu próprio mar”, contou.
Para ela, a restrição não se limita à segurança militar, mas configura uma forma de controle econômico e social. “Israel vem fazendo um bloqueio econômico e de alimentos há anos. Hoje, cerca de 70% da cidade está dizimada, e mesmo assim as pessoas bravamente resistem.”
“São quase 70 mil palestinos mortos, a maioria mulheres e crianças. As hostilidades continuam, mesmo com o cessar-fogo formalmente anunciado. É um massacre contra uma população já empobrecida e sitiada.”
A maior flotilha desde 2008
A deputada explicou que a missão da qual participou reuniu cerca de 450 ativistas de várias nacionalidades, em 41 embarcações, tornando-se a maior tentativa de rompimento do bloqueio desde 2008.
“A diferença dessa missão é o número expressivo de barcos e de ativistas. Foi uma mobilização internacional sem precedentes”, observou.
A viagem, segundo ela, também teve caráter educativo e de denúncia. “Muitos não conheciam a realidade de Gaza. Foi uma oportunidade de mostrar ao mundo a gravidade da situação e de reafirmar que há quem não aceite o silêncio diante do genocídio palestino.”
Interceptação e detenção
A deputada contou que a flotilha foi interceptada em alto-mar por soldados israelenses fortemente armados. “Mais de 20 militares entraram no nosso barco, pediram os passaportes, revistaram tudo, quebraram o que havia e assumiram o controle da embarcação. Fomos colocados na parte de baixo do barco e navegamos por 15 horas até o porto de Ashdod”, relatou.
Segundo Luizianne Lins, o episódio repetiu o padrão de violência observado em outras tentativas de romper o bloqueio. Ela recordou o ataque de 2010 à embarcação turca Mavi Marmara, quando dez ativistas foram mortos. “Essa história se repete há anos. Israel trata a solidariedade internacional como uma ameaça.”
Travessia plural e humanitária
Durante os 22 dias de navegação, a deputada dividiu o barco com ativistas de dez nacionalidades diferentes. “Foi uma convivência muito rica. Cada barco representava um pequeno mundo unido pela defesa dos direitos humanos”, disse.
Ela contou que a cooperação entre as embarcações era constante. “Às vezes faltava alimento ou mantimento em um barco, e os outros se aproximavam para ajudar. Era uma rede de solidariedade no mar.”
Fonte: PTNacional
Foto: Gustavo Bezerra/Arquivo – Divulgação











