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Meta remove 7 perfis irregulares e admite bloqueio indevido de conta de anúncios de Lula

Em resposta à ação da coligação do PT no TSE, empresa reconhece falha nas visualizações e pede mais prazo para detalhar medidas aplicadas às contas do presidente

A Meta, dona do Facebook, Instagram e Threads, reconheceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que desativou indevidamente a conta de anúncios da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e registrou uma falha na exibição de visualizações de vídeos no Instagram. A manifestação foi apresentada na segunda-feira, 12, em resposta à ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, que cobra explicações sobre o funcionamento das plataformas e denuncia tratamento desigual na disputa eleitoral.

A empresa também informou que desabilitou sete contas por violações às suas políticas durante uma investigação interna iniciada após a intimação judicial. A resposta ocorre em meio às denúncias da campanha sobre a atuação da Meta e à cobrança por transparência nos critérios de moderação e distribuição de conteúdo. A companhia nega operar seus sistemas para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Para o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, os esclarecimentos não encerram as dúvidas sobre o tratamento dispensado às campanhas. A preocupação com as plataformas se soma ao enfrentamento da desinformação: em outra iniciativa, a coligação acionou Flávio Bolsonaro e aliados por conteúdos falsos contra o ato na Avenida Paulista.

“Quantas contas irregulares ainda existem? Quantas estão ativas? Esse tipo de problema técnico atinge a campanha de Lula e a campanha de Flávio [Bolsonaro] de forma igual ou tem desequilíbrio?”, questionou Éden.

Bloqueio atingiu conta da campanha
Na defesa, apresentada pelo Facebook Serviços Online do Brasil, a Meta detalhou o episódio de 23 de setembro. Segundo a empresa, um anúncio da campanha foi rejeitado por suspeita de se passar falsamente por um programa social do governo, durante a revisão de um lote de 307 anúncios.

Na mesma noite, a conta de publicidade foi desativada porque duas restrições anteriores, relacionadas a outros anúncios, foram erroneamente classificadas como graves. A companhia reconheceu o equívoco e afirmou que reativou a conta em pouco mais de uma hora. Disse também que ela estava sem restrições na data da manifestação.

A justificativa apresentada foi a aplicação de mecanismos adicionais de combate a anúncios fraudulentos que utilizam marcas governamentais. A empresa sustenta que o bloqueio não teve motivação política.

Sobre os Reels do Instagram, a Meta reconheceu um incidente em 7 de outubro, entre aproximadamente 15h50 e 20h49, no horário de Brasília. Durante esse intervalo, os contadores de visualizações poderiam aparecer zerados ou congelados.

Segundo a companhia, o problema atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países e ficou restrito à exibição das métricas, sem comprometer a entrega dos vídeos. A defesa afirma ainda que, naquela data, a distribuição das publicações da conta oficial de Lula permaneceu acima de seu patamar recente.

Sete perfis removidos após intimação
Outro ponto da ação envolve uma suposta rede de 255 perfis mencionada em levantamento do Instituto Democracia em Xeque, noticiado pelo Aos Fatos e citado pela coligação. A Meta informou que analisou 35 contas identificáveis na reportagem, alegando que a petição e a publicação jornalística não individualizavam todos os perfis.

Das contas examinadas, sete foram desabilitadas durante a apuração: seis por reincidência em violações e uma por identidade enganosa. Outras quatro já estavam indisponíveis por medidas anteriores da plataforma. As 24 restantes foram consideradas regulares pela empresa à luz de seus Padrões da Comunidade.

A Meta afirmou não ter identificado, nesse conjunto, violações à sua política de “comportamento inautêntico coordenado”, que trata de operações com identidades falsas e práticas destinadas a ocultar quem está por trás das contas. A conclusão apresentada pela companhia, portanto, se refere aos 35 perfis examinados, e não à totalidade dos 255 mencionados na ação.

Dados preservados e explicações pendentes
A defesa também registra que o TSE determinou a preservação de registros, dados de moderação, informações sobre anúncios e métricas relacionados ao processo. A Meta declarou ter preservado os dados disponíveis referentes aos endereços específicos apresentados na petição, dentro dos limites legais e técnicos de seus serviços.

Entretanto, pediu mais 48 horas para apresentar informações sobre as medidas aplicadas aos perfis oficiais de Lula desde 16 de agosto. Quanto às contas de terceiros citadas na ação, argumentou que os dados envolvem usuários que não participam do processo e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos mediante determinação específica.

A companhia também declarou que exclui os perfis oficiais das candidaturas das áreas de recomendação das plataformas em cumprimento às regras eleitorais e afirmou aplicar o mesmo critério aos dois concorrentes no segundo turno.

No processo, sob responsabilidade do ministro Marco Aurélio Bellizze, o Facebook Brasil pediu a rejeição da medida de urgência e, no julgamento final, dos pedidos da coligação.

Éden Valadares reafirmou que o PT continuará cobrando respostas e recorrendo à Justiça para garantir transparência. “Não vamos abrir mão de denunciar, de entrar com representação, com ação judicial. Não vamos parar de lutar por transparência”, afirmou.

O secretário também destacou a mobilização nas ruas e nas redes durante o segundo turno, mencionando as manifestações de apoio ao presidente e os mais de 3 milhões de inscritos no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.

“Nós não vamos aceitar nem censura, nem parcialidade. As redes sociais definitivamente não podem ser armas contra a cidadania, contra a soberania e contra a democracia”, concluiu.

Da Rede PT de Comunicação

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